quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pacífico

O tempo não passa, mas quando olho ele voou. As horas precisavam ser muitas mais. Os segundos são poucos do seu lado e nunca suficientes. O relógio tá de mal da gente. Você sempre começa toda daí e sempre termina toda pra cá. A hora de ir embora tem ficado mais difícil e o abraço mais gostoso - não sei se isso é causa ou consequência. Achei que não era possível um abraço ainda melhor, mas é e ele também é seu. Parece que teus braços e eu, o teu abraço e o meu nasceram pra ser assim, irmãos, e eu não sei nem explicar. Mas me dá uma cosquinha tão boa no coração quando você me abraça forte que eu não preciso de razão - tem coisa que é melhor só sentir. E eu tenho medo sim, já te contei. Mas o tanto que a gente se faz bem é um tanto que não dá pra dizer não. Eu só sei dizer sim.
Eu não sei ser sozinha e agora ganhei uma irmã pra me curar quando eu achar que vai me faltar o ar. Quando o peito apertar e o estômago revirar e o cabelo cair e o chão se abrir. Você sabe do que eu tô falando. Quando o dia tá ruim e a vida não quer virar. Quando o navio da gente se perde na maré e o norte desaparece. Uma irmã pra me apontar a direção que eu esqueci antes que eu me perca nas ondas e meu barco afunde no azul. Marujo que me ajuda a navegar. A gente podia, se você quiser, atar um laço e dividir a âncora. Ancorar nossos medos e nossos sonhos no mar de céu que a gente navega. Daí te prometo pra sempre te equilibrar, ser tua irmã e um marujo no barco do teu lado dividindo o mar. A gente se ajuda a não afogar.
Quer?

sábado, 9 de agosto de 2014

Cause I always do

É difícil porque eu não consigo explicar. Os pensamentos engasgam na garganta antes de conseguirem se transformar em palavras e confesso que me sinto um pouco frustrada por você não conseguir ler os meus pensamentos. Seria mais fácil assim. Mas nada com a gente nunca foi fácil. Eu li o que você escreveu e eu chorei. Eu chorei e orei, porque Deus consegue entender esses pensamentos que eu não consigo te explicar. Mas foi um choro bom. E difícil também. O meu coração fica quentinho de saber o que você escreveu, mas ele também sabe que ainda vai demorar mais um pouquinho. Todos os dias eu tenho que lutar comigo mesma pra não jogar tudo pro alto e correr de volta pros seus braços, porque eu sei que a gente ainda não tá pronto. Você não tá pronto. E eu nunca mais vou estar pronta pra passar por tudo isso de novo. Então se for, é pra sempre. Mas você já sabe disso. O que você não sabe é que eu também. Eu também sinto falta. Tanta falta. Principalmente de andar de carro com você. Mas sinto falta de outras coisas também. Tenho muita saudade de ter sempre você por perto e de fazer charme dizendo que você não precisa cuidar de mim, mas amando ser cuidada por você. Tenho saudade de segurar a sua mão e de fazer você sorrir. De ser pequena do seu lado, mesmo de salto. De poder arrumar a sua blusa, de sair pra fazer nada e de te beijar. De ser eu-e-você.
Só que eu também tenho medo. Tenho medo de me entregar e medo de você desistir. E queria muito que você pudesse ler meus pensamentos..

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Wrecking ball

Não quero você dizendo que a gente se perdeu por minha culpa. Porque eu não cuidei. Não quero nunca que você diga que eu simplesmente fui embora.. Eu não fui. Ainda tô aqui. Sempre estive. E meu sentimento não mudou, só amadureceu. Assim como você e eu. Você nunca foi moleque e agora depois dos 20 quer ficar de birra e dizer que não entende. Você nunca foi moleque, mas sempre sentiu tudo tão à flor da pele.. Você sabe que mesmo assim, tudo à nossa volta mudou. A gente só não soube encaixar uma amizade que já existia às vidas que agora a gente tem. Mas isso tem concerto. Você sabe que sim.. E sabe que não precisa me tratar assim. Apesar disso, entendo que você esteja machucado. Eu estava errada em achar que podia te dizer tudo o que eu disse sem que você se afastasse de mim e não tenho desculpas ou justificativas que me ajudem a te enfrentar, só posso continuar a repetir pra você o que eu tenho dito de mim mesma há tanto tempo. Eu sou impulsiva e acho que me preocupo demais em agradar alguém que não eu mesma ou meu Deus. Eu quero você perto de mim e sei que não demonstrei muito, mas mesmo depois de dois anos eu ainda tento aprender a conciliar uma amizade tão como a nossa com um amor tão como o que eu tenho agora. Que é muito diferente do que o que eu tinha antes, mas que é tão melhor.. Eu queria tanto que você pudesse ver isso, o quanto agora a minha poesia é muito mais saudável. Lembra da minha poesia? Isso aqui tá cheio dela e meu coração aperta de pensar que talvez você prefira quem eu era antes.. Eu ainda não sou exatamente quem eu nasci pra ser e talvez eu morra antes de conseguir ser, mas queria muito que você me acompanhasse. E não quero que seja de longe, não me importa o quanto é bonito dizer que quer uma pessoa mesmo que seja a distância. Não precisa ser bonito, só precisa ser. A gente tá tão diferente..



E.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sinal de vida

Hoje me bateu uma vontade de escrever. Acho que eu só escrevo quando tem alguma coisa "errada" (entre aspas pela falta de léxico melhor), porque apesar de eu estar inacreditavelmente bem - e bem mesmo, não da boca pra fora só pelo conforto dos outros - é inaceitável dizer que eu não sinto a sua falta. Mas isso é tão natural e esperado, que eu não me sinto mal nem envergonhada por sentir, então não tem mesmo nada errado mas talvez devesse ter. O fato de estar tudo bem apesar de tudo, é tão certo que me incomoda um pouco. Deveria ser errado, não? Não me entenda mal, não tenho a intenção de ser cruel. É só que isso foi tão certo.. Eu deveria ter tido a coragem e o desapego pra ter feito quando achei que deveria. Mas isso não quer dizer também que eu não vá sentir saudade, estou tão acostumada com você. A gente devia mesmo voltar a ser como antes, bem antes, antes de toda essa nossa história louca. Isso sim daria certo pra sempre. Amigos.

Acho que não levo mais jeito pra essa coisa de escrever bonito. Poesia vem da tristeza da gente. Até que enfim a minha poesia passou!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Remember that one time?

"Seus olhos são exatamente da mesma cor dos azulejos da cozinha.", foi a primeira coisa que ela falou quando eles se encontram, depois de tanto tempo. Eles se abraçaram e rodopiaram no lugar, explodindo de milhões de coisas tão ao mesmo tempo.. Isadora tinha um cheiro diferente agora, mais até do que a aparência. Antes, ela cheirava a lençol e baunilha, com uma nota dele, Miguel, ao fundo. Agora, o cheiro dela era de mar, de massa de bolo e perfume caro. Só, sem nota de Miguel ou qualquer outra pessoa ao fundo.
"Lembra quando eu te disse isso? Dos teus olhos?", ela perguntou enquanto o arrastava pela mão pra qualquer lugar.
"É, eu lembro sim.. Nunca entendi o que você quis dizer com isso, Isa. Os azulejos da nossa cozinha era amarelos.", foi a resposta. Isadora riu de leve e penteou os cabelos dele com os dedos, como costumava fazer antes.
"Você não entende tanta coisa.." e eles partiram.