domingo, 28 de dezembro de 2008

2000inove


Daí de repente a cidade tá toda luz, com pisca-piscas, árvores e enfeites de natal espalhados por todo lado. Daqui a três dias é ano que vem e é aí que a gente pára pra notar como 2008 passou num milésimo de segundo e pra fazer as tais listas de objetivos pro ano que vem chegando, que a gente não vai alcançar simplesmente por falta de esforço; o de sempre. A gente foi pra escola o ano inteiro, fingiu entender matemática e física, deu trabalho pro bedel, matou alguns horários, alguns professores e odiou intensamente cada dia em que houve prova, e enquanto isso os adultos iam pro trabalho e faziam o que tinham que fazer, cuidando e reprimindo a gente ocasionalmente, todo mundo se virando, dentro da rotina, pra sobreviver e ter um ano legal. O de sempre. E sem querer menosprezar 'o de sempre', mas que tal nesse ano novo inovar e fazer diferente? Eu que eu quero dizer é: pra quê se virar pra sobreviver e ter um ano legal se a gente pode muito bem VIVER INTENSAMENTE e ter um ano inacreditavel e indescritivelmente INCRÍVEL?!
Na minha lista de objetivos pro ano de depois de amanhã, o item principal é não me contentar mais com tão pouco e nem com meio, e sim com mais, muito mais ou simplesmente não me contentar, querer o melhor e melhorar sempre. Afinal de contas, all I want is everything.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Tchau


Happy Crismukkah, ano novo vidaloka procês e boa praia (se a chuva assim permitir, óbviamente).
See you in twothousandandnine, folks.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

So what?

Foi mesmo uma loucura. Tinha uma garota usando um bigode como disfarçe, se achando muito irreconhecível e sensual; o padre usava peruca e todo mundo ficou bêbado no final. A garota do bigode pegou o barman gato e depois o introduziu no bolo de casamente enquanto eu passava discretamente o dedo no glacê e roubava uma daquelas rosinhas de açúcar que ficam por cima dos bolos de casamento, sabe? Fiquei com o segurança (alto, forte, careca. Com um terno preto e uma gravata borboleta, no maior estilo doubleOseven) e o noivo me roubou um beijo durante a festa.. Tá bem, unS beijoS. Alguém colocou whisky na minha taça - cheia até a borda de Coca-Cola - e não fui eu, EU JURO! Depois a garota do bigode, agora sem bigode, roubou uns beijos do noivo e alguém grudou chiclete no meu cabelo, tal façanha realizada com muito profissionalismo por sinal; quebrei o salto da garota ainda sem bigode e ela trocou sua sandália com a da mãe da noiva, a Tia Betsy, achando que a dita cuja me pertencia. A sandália, não a Tia Besty. Daí no final, quando todos estávamos bêbados e engraçados, a garota e seu bigode me deram uma carona e eu ainda ganhei um bigode de presente. Ela me deu seu telefone e nós vamos sair amanhã: eu, ela e nossos respectivos bigodes. Acho que vamos penetrar o casamento daquele cara que fez aquele filme que estreiou naquele outro dia.. Vidaloka, mermão.
Mas cá entre nós.. Meio esquisito essa história de bigode, né? Será que tem um nome pra mulheres que se vestem de homens?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Helena sentou-se com as pernas cruzadas em cima da mesa e abriu a blusa.
- Helena, você disse?
- É.
- De Tróia?
- Se você quiser. Eu não acho ruim, ela era a mulher mais linda da Grécia.
Sem nexo, fala. Ou sexo. Eu vou aonde você flor.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Hoje não dá

Já não é mais sobre as suas manias ou o meu jeito de pentear o cabelo com os dedos, já não é mais sobre como você se suja comendo comida chinesa com os pauzinhos ou como a casa fica toda cheia de açúcar quando eu resolvo me aventurar na cozinha sem a sua supervisão. Não é sobre o seu cheiro nas manhãs de domingo, quando o sol se esgueira cortinas adentro e faz carinho em nós por entre os lençóis brancos, não é sobre as minhas cantorias durante os banhos, sobre os sonhos com cheiro de bolo assando ou sobre as margaridas que plantamos no jardim.
É sobre como os cachorros fazem a maior festa quando você vem aqui em casa, sobre como até meu cabelo fica cheirando a você quando nos encontramos e sobre como não faz sentido acordar no domingo de manhã e não sentir seu cheiro-de-domingo-de-manhã. É sobre como não tem a menor graça comer comida chinesa sem você do meu lado se melecando todo e sobre como você ri das minhas cantorias de banheiro e como às vezes até canta comigo. É sobre como é muito melhor quando nós dois cozinhamos juntos, principalmente quando a Valentina está lá pra me ajudar a ser sua ajudante. É sobre quando estamos eu e você, não eu ou você. Não é sobre mim, não é sobre você. É sobre nós.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

The other half


Analisou o esmalte marrom-chocolate-purpurinado enquanto ele secava na unha comprida. Assoprou um pouco dali e daqui, até desistir de olhar o esmalte secar e ir fazer alguma coisa mais interessante.
Pegou o telefone e ligou pra ela. Ia consertar essa merda logo de uma vez.
Levou um maço e meio de Black, quatro latas de Nestea de pêssego e incontáveis litros de lágrimas até que as duas se perdoassem e acertassem as coisas. Nem se lembravam mais o porquê daquela porra toda.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Clumsy

Não me entendo e ajo como se entendesse. Não entendo os outros e ajo como se entendesse.
Oh céus.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Our time now

Rabiscou alguma coisa no papel, me lançou um sorriso torto e colocou minha mão em cima do que tinha escrito, depois voltou sua atenção pr'os números no quadro-negro, fingindo que nada tinha acontecido. Abafei um risinho e espiei por entre os meus dedos o papel embaixo deles. Um Eu te amo em letras espremidas, daquelas bem de menino mesmo, me encarava lá no cantinho da página, seguido de um coração meio tremido.
Essa foi a primeira vez.

domingo, 7 de dezembro de 2008

What are we gonna do now?

A tornozeleira fina balançando no meu tornozelo esquerdo, o zíper daquele casaco enorme batendo na minha coxa e enquanto a chuva caia desesperadamente lá fora, aqui dentro uma sensação engraçada crescia dentro de mim. Meus dedos, os sujos de Nutela e os limpinhos, começaram a formigar e meu coração ficou quentinho, daí bateu uma saudade.. gostosinha. E com essa saudadezinha morna veio também uma certeza muito estranha de que vai dar tudo certo e eu acreditei com todo o meu coração de que vai mesmo, o que foi muito estranho porque eu nunca realmente acredito quando as coisas estão fora dos eixos e as pessoas que se importam contigo vem te consolar e dizer que tudo vai ficar bem, mas acho que é diferente quando você mesma percebe que no fim das contas it's gonna be alright, certo? Acho até que as coisas já começaram a voltar pros seus devidos lugares. Don't be afraid.


"Don't you know it's gonna be alright?
You know it's gonna be alright."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

For some reason I can't explain.
But well..I guess we never explain this kind of thing, do we?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Puxa uma umidade na cadeira relativa

Um ano, cara. Em vez de estudar, ler um livro ou fritar alguns bolinhos de chuva, eu postei. Quase trezentos e sessenta e cinco dias. Textos ruins sem nenhum valor literário, e ainda por cima fiz vocês lerem e comentarem. Sou mesmo uma vagabunda.. Bem, obrigada cientistas pela dádiva que é a internet, porque sem ela nunca haveria umidade-relativa ou puxa-uma-cadeira.
Feliz aniversário, blog.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Need to know

Sentou-se no sofá e soltou o cabelo,sacudiu-o e pentou com os dedos. Tirou uma caneta sei lá da onde e começou a mordiscar a ponta, sinal claro de nervosismo. Se levantou e pegou o telefone, discou o número rapidamente e esperou. Chamou uma, duas, três, quatro e cinco vezes antes dele atender. Alô? Ela prendeu a respiração e ficou lá ouvindo ele repetir a palavra um trilhão de vezes, tentando obter uma resposta. Ele sabia que era ela e ela sabia que ele sabia disso. Depois lentamente afastou o telefone da orelha e o colocou na base, e com um suspiro tirou a carteira de L.A do bolso e fumou o último, mais observando o cigarro queimar (as fábricas colocam substâncias pra fazê-los queimar mais rápido, assim você fuma mais e elas lucram mais, todo mundo sai ganhando) do que tragando-o.
"É preciso saber parar", sussurrou para si mesma e não se referia só ao cigarro.

sábado, 29 de novembro de 2008

Devastador


Sabe quando você sente como se houvesse uma bola dentro do teu peito, apertando sua garganta e coração? Bem, dentro de mim tinha um globo terrestre inteiro feito de um milhão de coisas e me sufocava e apertava, subindo e descendo acompanhando minha respiração. Daí ontem voltando pra casa, quando o carro parou no sinal, eu não aguentei mais; abri a porta e o vomitei ali mesmo, o globo terrestre. Caiu no chão com um baque surdo e se despedaçou. Ou melhor, derreteu. Espalhou-se e se contorceu em mil pedaços que se cruzavam e enterligavam num só. Galáxias inteiras, sorrisos, olhos cor de colibri, todo o meu egoísmo e altruísmo se misturavam numa massa cremosa lá no asfalto. De todas as cores e de cor nenhuma, a minha vontade de cometer o mesmo erro só mais essa vez, na esperança de que pelo menos valha a pena nadava naquela pasta, e a minha felicidade meio distorcida se curvava junto com o bom senso e com a sua.. "desnecessiaridade". Minha indginação e os olhos puxados, a necessidade de você e a falta que sei que ainda vou sentir de ti.. E de repente vi você lá, no meio de todas aquelas galáxias de sentimentos e vontades e quis te tirar de lá, pra guardar no meu bolso ou sei lá. Daí começou a chover e a água dissolveu tudo pelo asfalto, você escorreu pra debaixo dos carros junto com todo o resto. Quis chorar, descer do carro, catar aquilo tudo e refazer o globo que vomitei, porque daí pelo menos ia ter você dentro de mim, mas o sinal ficou verde e o carro começou a andar.
Mas tudo bem, já sinto tudo voltando. O vento se encarregou de recolher os pedaços e enfiar tudo em mim de novo, e pelo nariz. Descobri que gosto mais de ter isso em mim mesmo que me faça mal, do que não ter. Assim como você.


Por favor entenda,
Eu preciso ir embora porque
Quando estou com você
Sinto o meu mundo acabar
Perco o chão sob os meus pés
Me falta o ar pra respirar..

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

De olhos bem fechados


Um dia cor de laranja, com cheiro de massa de bolo vindo da cozinha e tulipas crescendo no jardim. Na tela da minha TV, Ameliè Poulain com seus seis anos comia as framboesas enfiadas nos dedos e uns passarinhos engraçados cantavam lado de fora da minha janela.
O céu tava azul, laranja, rosa e branco, dava pra ver por entre as persianas. Lindo. Ele me chamou do quarto, perguntou se o bolo já tava cheirando e eu disse que sim.
"Então espeta um palito de dente nele, daí você tira e vê se a massa ainda tá grudando. Se não estiver, desliga o forno e vem pra cá". Aposto que ele ouviu o sorriso maroto que veio junto com a minha pergunta. "E se ainda estiver grudando?", ele riu. "Aí você não desliga o forno e me espera sentada na bancada." Me levantei e fui ver o maldito bolo, a massa ainda estava grudando por isso me sentei na bancada e soltei o cabelo. Tudo já estava cheirando a bolo mesmo, só faltava o meu cabelo.
Apareceu na porta da cozinha usando suas calças de pijama e quando viu que eu usava sua camisa social da noite anterior, me abraçou e enfiou o rosto no meu cabelo sussurrando "Essa camisa é minha, acho que você devia me devolver..". O bolo a gente comeu ainda quente, bebendo um resto de champagne direto da garrafa e enchenco os lençóis de migalhas.


Um texto bem nojento. Só tô postando mesmo porquê o futuro da humanidade depende disso,né,Anaïs?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

E meu coração bate mais rápido a cada frase


- Assim do NADA?
- É ué, as coisas avisam quando vão acontecer?
- Algumas sim...
- Ah, não ESSE tipo de coisa...

Desliguei o telefone e fui pra perto da janela. Tava chovendo muito lá fora e uma luzinha bem fraquinha se esforçava pra entrar pela fresta na cortina, um restinho de raio de sol que as nuvens cinzas não cobriram.
A maioria das pessoas não gosta do tempo chuvoso, mas eu gosto e muito. Coisas que não acontecem de jeito nenhum no verão, acontecem quando chove. E vice-e-versa. E a ponta do meu nariz formiga quando começa essa época, igual quando eu tô apaixonada, é engraçado. Faz cócegas.
Abri um pedacinho da cortina pra ver se o restinho de sunrise entrava logo de uma vez, coitado.. Foi aí que o vi. Todo molhado, lá embaixo, olhando pra minha janela. Quando eu apareci por detrás do vidro, ele abriu aquele sorrisão enorme pra mim e por um momento achei que a chuva tinha parado e o verão tinha voltado. Aquele sorriso sol.. Ele carregava algo nas mãos. Acho que era meu coração, mas não tenho certeza. Só peguei minhas chaves, meu moletom cinza e desci as escadas correndo pra encontrá-lo. Me diz, quando uma coisa dessas acontece no verão? Nunca, nunquinha mesmo.
I don't know what you do, but you do it right.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

E algum remédio que me dê alegria


Não pude conter o riso frente os dois olhos dourados e cabelos meio acobreados que tagarelavam sem parar, despejando informações demais da sua própria vida sobre a atendente descabelada que corria de um lado para o outro atrás da bancada, desesperada para ter em mãos todos os itens farmacêuticos que o garoto pedira-lhe para que pudesse, então, se ver livre da tal criatura. A cena em si era no mínimo engraçada e o garoto notou quando um sorriso divertido se formou em meus lábios e gargalhadas reprimidas escaparam pelos meus dentes. Me encarou como alguém indignado encara outro alguém que acabou de insultá-lo e se pergunta "quem diabos essa pessoa pensa que ela é?", daí os olhos dele se demoraram no meu sorriso e sua expressão ficou mais amigável. Ele se voltou para a atendente mas não voltou a tagarelar, pegou a sacola de plástico que a mocinha segurava com impaciência e agradeceu com uma piscadela. Deu uns dois ou três passos em direção ao caixa, mas mudou de ídeia e, girando nos calcanhares, permitiu que seus olhos dourados encontrassem os meus (vermelhos e doentes) que se escondiam por trás dos meus óculos escuros, daí um sorriso torto tomou conta de seu rosto e duas frases escorregaram de seus lábios.
"Gostei do laranja no teu cabelo e da camiseta, mas ela tá meio grande em você, não acha?", piscou pra mim, virou e saiu.
Bom, pelo menos eu acho que são duas frases. Nunca fui muito boa em gramática.

Poisé,e eu tava linda assim;calça jeans suja, blusa Sociedade Viva Cazuza do papai (isso,a mesma que eu usei pra dormir ontem e hoje),óculos escuros e a conjuntivite.Irresistível.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

If you love me won't let me know?


Quer vir até aqui pr'eu matar essa saudade? I'm going crazy, can't you see? Será que você não pode me dizer o que eu quero te dizer e facilitar as coisas pra mim e pra você? Vem cá, joga pedrinhas na minha janela às altas horas da madrugada pr'eu aparecer na sacada e ver teu sorriso iluminar a rua inteira, ofuscar os postes e as estrelas. Se você me perguntar eu digo que sim, o que a gente tá esperando? Pensa em mim que eu tô pensando em você. Tô com saudade dos vaga-lumes dos teus olhos e do mel da tua voz. Vem e não solta da minha mão.

The wind blowed your smile to me. Me peguei sentindo a tua falta, rindo de mim mesma por estar imitando inconscientemente umas manias tuas, me lembrando de você. E não sei dele, mas eu volto e é logo.

Ele podia voltar também, né? Aliás, não precisa nem ir. Fica aqui comigo, com a gente, pra sempre. E se você for.. Promete lembrar de mim?

sábado, 15 de novembro de 2008

Hoje ainda é sábado - minha pena de prisão domiciliar começou ontem - e o ócio já está me enlouquecendo.
Vou morrer de falta do que fazer,pode?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Alive

Pertencer. Estar. No lugar certo, na hora com certa, com as pessoas certas. Sentir como se você estivesse onde devesse estar, naquele momento. Por inteiro. O coração, a alma, o corpo, tudo. Ali. Ser forte e aguentar o tranco. Todos eles. O castelo erguido, pronta pra lutar. Sobreviver. Se fortalecer. Sorrir, mesmo depois das batalhas. Ter o sol na pele, nos olhos, no sorriso. Ser sol pra si mesmo e pros outros. Ser o sol, a lua, o ar e as estrelas pra alguém. Estar com alguém. Acompanhar. Não largar a mão e caminhar junto. Não ferir. Não se ferir. Se cair, levantar. Sentir o vento, os cheiros, os beijos, a música. Ouvir. Respirar. Emocionar. Alive.
















E as tais das borboletas.
Senti você pegar na minha mão e mesmo no escuro pude ver você me procurando com o olhar. Quando me encontrou, 'achei você' era o que o sorriso dos teus olhos dizia. Sorri também, mas com os lábios eu acho. Daí de repente você tava em mim, a testa grudada na minha, os olhos dentro dos meus, o sorriso, o calor, tudo. Sua boca na minha.
Tive que lembrar de respirar, de como respirar. Bem Bella.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Vem pra cá


Puxou-a pela mão pelo corredor abarrotado de gente até junto a janela, onde batia vento e o barulho não era tanto, então eles consiguiam se ouvir. Envolveu-a por inteiro num abraço apertado, cheio de saudades, com direito a pés fora do chão e sussurros chorosos. Quando a recolocou no chão, seu rosto era um sorriso enorme e lindo, a felicidade em pessoa. Daí ele começou a cantar baixinho aquela música que eles conheciam tão bem e depois de tanto tempo sem se ver o mais lógico era que ela chorasse mesmo. As lágrimas corriam e se chocavam com o sorriso um pouco mais embaixo, daí desviavam dele e caiam do seu queixo. Ela jogou seus braços ao redor do pescoço dele (subindo na ponta dos pés e nos pés dele pra que tal façanha pudesse acontecer) e lhe encheu de beijos.
"Oi, Alice". Ele sussurrou. "Morri de saudades de você também".

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Upside down

Deixou milhões de gotas de chuva encherem sua boca e apertou os olhos com força, numa tentativa de impedir que as lágrimas se acumulando escapassem e sua respiração se cortasse em soluços. Talvez não desse nem pra notar as lágrimas se ela acabasse cedendo, porque as ditas cujas se misturariam à chuva, mas ela não queria chorar. Não ali e não agora. Abriu os olhos devagar, testando a água dos olhos, e depois sorriu o sol ao ouvir o "Não vou me esquecer disso" que desviaram das gotas e chegaram até seus ouvidos. Ela também não iria.


Agora conter as lágrimas já não importava mais, estavam todos chorando mesmo.
Um punhado de adolescentes - as meninas espremiam os rostos vermelhos e inchados contra o vidro que separava os que iam dos que ficavam, tentando trocar um último olhar de despedida com aquele que se arrastava pelo corredor lotado até a sala de embarque sem nunca olhar pra frente - encontravam-se ao lado da porta de vidro do aeroporto que cheirava a ar condicionado e despedida, tristonhos, desconfortáveis e molhados por conta da chuva que tiveram que tomar pra chegar ali. Hoje um deles ia embora seguir seu caminho sozinho, e deixava pra trás a família que ele mesmo escolheu. Mas não haviam corações partidos nem ressentimentos. Ele deixava pra trás corações inteiros que choravam apenas pela falta que iriam sentir.
"I'll miss you like hell" eu sussurrei chorosa. Sabia que ele podia ouvir.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sixteen minutes


Encheu a mão com um punhado daqueles confeitos coloridos de chocolate e enfiou-os na boca todos de uma vez, os cantos dos lábios se franzindo por conta do volume que forçava a pele das bochechas pra fora. Mastigou com uma dificuldade considerável e teve de engolir aos pouquinhos porque não há garganta em que passe tanto chocolate assim de uma vez.
Depois encheu a boca com um gole descomunal de Heineken, as bochechas sendo empurradas para fora novamente, e engoliu de uma vez fazendo uma cara de satisfação depois que as supracitadas estavam de volta ao lugar de origem. Daí deu uma olhada no pessoal que estava lá com ela, todos sentados em banquinhos de plástico, redes, uns nos colos dos outros, ou até mesmo no chão com as pernas cruzadas fazendo 'borboletinha'. XXs e XYs espalhavam-se pela varanda ampla da casa localizada na fazenda onde residia a mãe de um deles, rindo, fumando e bebendo como de praxe. Era incrível como o grupo simplesmente não se cansava dessas três atividades e insistia em repití-las sempre que possível, de preferência todos juntos e todas de uma vez. O sol foi embora junto com maços de cigarros reduzidos a cinzas e garrafas, sendo substituídos pela Lua e por maços e garrafas novos. As estrelas se mesclaram aos vaga-lumes e as risadas se mesclaram ao vento, mais garrafas, mais cigarros, mais vaga-lumes e estrelas vieram, um baralho apareceu dando início ao tão amado poquêr e a noite caminhou assim.
Então o sol veio, e enquanto o resto do mundo acordava eles iam dormir.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Meu fogo também me arde.

domingo, 2 de novembro de 2008

O vento sopra enquanto ela morde


O homem careca com as tatuagens na cabeça veio acender o cigarro dela e depois que ela agradeceu com um sorriso torto, ele se acomodou no banquinho alto ao lado do qual ela se encontrava, apoiada pelos cotovelos no balcão engordurado, o Black recém aceso pendendo dos dedos finos, um copo de martíni na outra mão e o cabelo preto meio sujo caindo-lhe pelos ombros dourados e enrolando-se em cachos bagunçados nas pontas. Ela cheirava a Jean Paul e a azul-turquesa.
- O que você vai fazer depois que sair daqui? - ele perguntou à ela na maior naturalidade, como se fossem amigos de muitos anos.
- Pegar um táxi e ir bater na porta de alguma amiga minha que esteja dormindo e que vai ficar puta ao me ver em sua porta às sei lá que horas da madrugada, mas que mesmo assim vai me receber e deixar eu passar a noite. Provavelmente vou vomitar no chão do banheiro todo da garota também. - deu um trago no cigarro soltando depois a fumaça pela boca lentamente, como quem dá um longo suspiro entediado. - A não ser que você me proponha algo menos inconveniente e mais limpo. Eu odeio vomitar.
- Quer ir ao Arpoador, dar um mergulho talvez..
Ela refletiu sobre a proposta por algumas batidas cardíacas e depois respondeu com sua voz arrastada, relaxada, irresistível.
- Claro, por que não? A água deve estar quentinha. Você quer ir agora?
Ele se levantou, amassou uma nota no balcão pra pagar pelo martíni dela e depois segurando-a pela mão, arrastou-a pra fora do bar abafado e cheio de fumaça. O ar salgada e refrescante da madrugada bateu em seus rostos, arrepiando-os por inteiro. Ela jogou o resto do Black no chão e apagou-o com o salto fino da bota preta, deu uma risada gostosa e acenou pro taxi que vinha vindo parar.
A água estava mesmo quentinha, uma delícia. Dormiram no apartamento dele, que ficava ali perto, mas ele acordou sozinho. Adorava as garotas que iam embora antes que ele acordasse, principalmente quando deixavam seu cheiro gravado nos lencóis de sua cama ou quando esqueciam seus brincos no tapete da sala.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Impossible is nothing


Quero ter a sensação de estar caindo em queda livre no espaço, quero quebrar essas regras chatas e fazer coisas arriscadas e aventurescas das quais eu não vou me esquecer nunca. Quero ser trash e não ligar para o que os outros pensam, me jogar na noite, dirigir, beber até cair e fumar feito uma chaminé. Quero gritar pra ver se você me ouve, colocar o volume no máximo -que se danem os vizinhos! Se morrerem de brabos é porque já era a hora deles, fazer o que- , dormir até tarde na quarta-feira e não ler livros que eu não quero ler. Quero ir embora, quero mais cinco minutos e quero sentir meu coração bater mais forte por alguém. Quero me esconder num mar de roupas de cama e dormir em porta de igreja, numa cidade bagunçada e desconhecida, porque eu e meus amigos não temos dinheiro pra pegar quartos em pousadas, e mesmo se tivessemos estamos muito bêbados pra procurar um lugar melhor pra dormir. Quero poder ser clichê se eu quiser, sem ter pessoas me dizendo que estou sendo clichê e me julgando por isso. Quero fazer coisas não planejadas, pegar aviões por ímpeto e ser precipitada -sem machucar ninguém. Quero comer morango com as mãos, andar de moto e viajar sem data e hora marcada pra voltar. E quero os amigos que perdi de volta.
Acho que chamam isso de liberdade.

sábado, 25 de outubro de 2008

My heart


Foram
três no total e hoje eles vão embora.
Acho que vou virar do avesso.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

'God bless Brasil'

'A pequena Hayley parecia gigantesca, abrindo os braços para sentir a energia da multidão.'

Mobiles shining like stars all over the audience.

Existe
um certo conforto em saber que eles estão tão próximos, mesmo que eu não possa estar tão perto quanto gostaria.
Mas bem, 'sejamos boazinhas. Os verdadeiros fãs merecem um show bom de verdade'.
I'll have the pleasure of your beats and screams righ in front of me someday, you'll see.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pontuada ao contrário

Eu fui toda reticências frente a tua afirmação
Mas essa minha pausa, agora é ponto final
Tentei impor ao contexto só mais uma explicação
Do porque tua história de nós não é o meu feliz final

De maiúsculos a minúsculo, sem início, meio ou fim
Não espero que me perdoe ou que vá compreender
Toda a exclamação que agora habita em mim
E o que me fez cansar de querer nos escrever

(É da Paula [meu catavento], mas moldado pra caber em mim.)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

My world is on fire, how about yours?



Pior do que não me abraçar é você não me abraçar de verdade, é você estar ausente nos abraços que me dá. Sinto a sua falta e sinto muito por isso, mas você é meu melhor amigo (sei que essas palavras te doem e sinto muito por isso também) e é normal sentir saudade desse tipo de gente quando eles estão a quilômetros de
d i s t â n c i a
física ou cardíaca.
Será que você ainda me ouve? Será que sabe que ainda estou aqui e ainda preciso você? Você tem consciência de que eu vou sempre precisar de você? Pode chamar de ciúmes, de instinto de auto-preservação ou do que quiser.
Nosso coração compartilhado é de vidro, você sabe, e o que o segura em pé está começando a desaparecer. Quando ele se for por completo, nosso coração vai cair e quebrar e catar pedaços de coração de vidro é desgastante e nos corta, nos machuca. Você não está disposto, está? A catar os pedaços, quero dizer.
Fico me perguntando se todas aquelas palavras que você me escreveu ainda são reais, se elas ainda valem. Pude jurar que elas seriam para sempre, mas agora já não tenho mais certeza. Você faz tudo não fazer sentido. Ainda tenho guardado na carteira aquele guardanapo que você me deu
Queria estar gritando com você agora. Talvez assim você notasse a urgência da minha angústia e desse à ela sua devida importância.



Sentiu o vento roçar seu rosto e os olhos dele brilharem amarelados. Ele estava satisfeito. Sabia disso por conta do brilho amarelado que sempre dava um pulinho nas trevas líquidas de seus olhos quando um sentimento ou uma sensação boa esquentava seu coração e também por conta do jeito com que os cantos de seus lábios se curvavam para cima formando aquele sorriso que ela conhecia bem. Aquele sorriso que ele usava e que fazia a máscara que eles haviam posto nisso tudo derreter por alguns instantes, enquanto o sorriso durasse. O sorriso que ele usava o tempo todo quando ela ainda o conhecia por completo, mas isso foi há muito tempo.
Depois o amarelado foi embora e deu lugar aos olhos tristes que haviam se alojado em seu rosto fino já há algum meses, transformando todos os sorrisos que ele sorria com esforço em sorrisos tristes. Ele beijou a testa dela lenta e cuidadosamente, como se tivesse medo de quebrá-la e depois se foi.
O amarelado ficou menos tempo dessa vez.

Dá pra ver a verdade
Por trás da minha paisagem?
Ou eu escondi tão bem
Que ela só está de passagem?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Metaforica e implicitamente

Minha janela está fechada e meio embaçada, mas dela eu vejo outro par de mãos e alguns beijos. E isso me incomoda. Consigo ver também os dias mais longos que eu já vivi e um mar de sentimentos estranhos e indecisões e isso também me incomoda. Não sei se vai dar, mas é assim que vai ser e você vai ter que confiar em mim. E você também.
Às vezes me acho imprevisível demais até pra mim mesma.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Um por um


Todos os dias é a mesma coisa: ele acorda às 7h, se levanta às 7h30 e injeta na veia 3 chícaras de café às 7h40. Não, é bincadeira, ele só as bebe. 7h47 escreve um bilhete meloso e cheio de corações pra namorada que ainda dorme no quarto atrás dele e em alguns dias anota na lista-íma da geladeira o que tem que comprar.
"Acabou o pão, mas não entre em pânico. Vou voltar pra casa cheio deles, você vai ver. Eu te amo, André."
7h50 ele abre a porta e se entrega à parte do dia que mais gosta: descer as escadas. Não pelo simples prazer de fazê-lo ou porque o rapaz é fã de degraus, mas por conta de quem desce as escadas antes dele. A moça do apartamento ao lado é quem faz a rotina de nosso personagem um tanto quanto mais deliciosa. É só abrir a porta e ser acertado pelo cheiro entorpecente do perfume que ela deixa para trás, subindo e descendo sem parar os três andares até se esvair por completo. Dois degraus e inala profundamente. Três degraus, mais uma vez. Cinco degraus, respira fundo. Um degrau, de novo. A medida que a escada vai acabando ele pára pra sentir o perfume dela mais vezes e acaba levando vinte minutos pra descer os tão amados 68 degraus contados, mas vale a pena porque faz os dias do moço serem mais coloridos e deliciosos.
E ele nunca a viu, a moça do apartamento ao lado. Uma vez ela se atrasou e ele conseguiu pegar o lampejo de seu cabelo preto e rosa ricocheteando ao final do lance seguinte de degraus, enquanto ela corria escada abaixo, mas foi só. E às vezes o perfume dela está nos degraus quando ele chega do trabalho, às 21h, mas ele prende o ar e sobe bem rapidinho, se permitindo soltar a respiração apenas na porta de casa e aspirar o mais forte que ele puder apenas uma vez. Aí ele entra em casa e o perfume da vizinha se perde nos beijos da namorada e nos pães quentinhos que ele trouxe da rua.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ou você vem ou eu vou só

Cinco garotas, cada uma com um cabelo e uma altura diferentes embora usassem os mesmos sapatos -All Stars, assim como nossos pais, avós, nossos filhos e cada folhinha de nossa árvore genealógica um dia usaram ou vão usar. Os cinco eram de cores diferentes também- um gato acomodado da maneira menos desconfortável possível no topo de uma mala de rodinhas vermelha em movimento mais ou menos retilíneo e mais ou menos uniforme, um narguilè, maços de cigarros enfiados em bolsos de calças jeans, de shorts, de casacos, malas e bolsas e garrafas contendo líquidos alcoólicos são os nossos personagens. O cenário é constituído por uma auto-estrada nos arredores de algum lugar no verão da Inglaterra -Liverpool, talvez? Elas já não sabiam, o mapa havia sido perdido muitos quilômetros atrás, quando pegaram carona num ônibus colorido cheio de hippies, baseado e Beatles- , umas árvores engraçadas e uns carros, caminhões e ônibus passando de vez em quando.
- Daí ele me disse alguma coisa estranha, pra parecer interessante sabe, acendeu um cigarro..
-Era light?
-Era.
-Viadinho.
Duas delas tinham o cabelo colorido; comprido, rosa, natural e descolorido preso num nó no alto da cabeça e azul, chanel azul turquesa.
-Pára um pouco, gatas, preciso fumar.
-Você não consegue fumar andando?
Pararam pra fumar e chutar pedrinhas. E sentir o vento, é lógico. Elas estavam sempre sentindo o vento. Tinha algo a ver com liberdade e voar -ou navegar, para algumas- por aí, se sentir pássaro ou pirata ou os dois.
Três delas tinham tatuagens visíveis e todas tinham piercings no rosto, só três delas fumavam e todas bebiam, umas mais outras menos. Um bando de garotas um tanto quanto não usual e um bucado interessante, se você quer saber a minha opnião.
Cabelos-rosa-natural-e-descolorido enfiou um resto de sanduíche de presunto na boca e lambeu os dedos.
Chanel-azul fumou mais cigarros em 15 minutos do que as outras quatro fumariam juntas em 45.
Aquela com um piercing no nariz, um na sombrancelha e uma argola na cartilagem da orelha folheou uma revista que encontrou amassada na bolsa de uma delas.
A da mala vermelha tinha o cabelo encaracolado cortado curto, um par de asas de anjo tatuadas na nuca e o símbolo de seu signo tatuado no cox e brincava com o gato preguiçoso.
A menorzinha tinha uma fada no tornozelo e tentava achar o BlueBerry novo em folha perdido dentro da bolsa enorme enquanto segurava com os lábios um cigarro ainda não aceso.
20 minutos depois pegaram carona com um bando de motoqueiros até Liverpool e foram com eles para um bar extramemente lotado onde entre dentes, garrafas, fumaça e música esperaram o sono vir e como bônus se divertiram. Quando o dito cujo chegou, dormiram na calçada ao lado das motos.
Levou mais quatro dias para as garotas chegarem a Londres. Elas cheiravam a tequila, cerveja, cigarro, baseado, sexo, rock 'n roll e seus respectivos perfumes.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O vinte quatro do dez que eu queria


As cabeças iam e vinham juntas e as mão com o clássico símbolo do 'rock' se moviam sincronizadamente, como se tudo isso tivesse sido ensaiado. O teatro gigantesco parecia pequeno demais pra toda aquela gente, uma multidão agitada e suada, com música correndo nas veias e adrenalina escorrendo pela pele. As caixas de som inacreditavelmente grandes, cuspiam na multidão os gritos vindos da garganta dela. Da garota saltitante que zanzava pelo palco amplo, os cabelos flamejantes a dançar atrás dela, seus olhinhos tão brilhantes que (quase) todo o teatro consiguia facilmente ver as partículas iluminadas dentro deles. A energia da banda se espalhava pela platéia como uma doença, contaminando a todos, a camiseta com os dizeres 'Love is to spread' do guitarrista se tornava um borrão enquanto ele pulava e corria.
Uma morena na platéia segurou forte a mão da amiga quando a vocalista cabeça-de-tangerina gritou para o mundo todo ouvir:
- WE ARE PARAMORE!
Depois disso as lágrimas começaram a correr soltas e molhadas pelo rosto das duas.

sábado, 11 de outubro de 2008

Lovely monster


Girou o anel do dedão, respirou fundo, umideceu os lábios e concordou sutilmente com a cabeça. Então ele, com a delicadeza de um anjo, pegou seu pulso, inclinou-se sobre ele e cravou seus dentes pontiagudos na pele morna dela. O sangue vermelho e ligeiramente cremoso, quente, escorreu pelo o braço dela, pingou na camisa branca dele, exalou seu perfume exótico -inexistente para narinas humanas- e a fez tremer. Fechou os olhos, afogando-se no grito que não deixou escapar. Depois a dor lancinante foi substituída por uma sensação desagradável, como se um líquido estivesse entrando por suas veias e gelando todo o seu sangue. Ela sabia que havia começado. Daí pra frente só piorava antes de melhorar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Märchen Prince II


Era um castelo daqueles feitos todos de pedra, cheio de passagens secretas e cômodos ocultos, com corredores incontáveis e um certo ar de mistério e conspiração exalando das paredes frias. Ela estava em umas das milhões de varandas ou pátios, não sabia dizer ao certo, acompanhando o grupo de excursionistas ao qual pertencia. Um guia tagarelava em inglês coisas sobre o tal castelo em que se encontravam, mas ela não estava prestando muita atenção uma vez que achava muito mais interessante recolher os pedaços de conversas dos suíços rondando por ali -com certeza acompanhando amigos ou familiares que visitavam o país pela primeira vez, com certeza sendo essa não a primeira e muito menos a última vez que repetiriam tal passeio, provavelmente com pessoas diferentes- que conseguia ouvir e tentar imaginar quem eram e quais eram suas história, enquanto ela repassava de novo e de novo de novo a noite anterior em sua cabeça.
O nome dele era Hans e ele prometera que a acharia no dia seguinte -o dia do aniversário da moça- e que lhe daria uma flor. Disse também que se ele a encontrasse no dia prometido, passariam juntos todo o período em que ela estivesse em Montreux. Ele queria ser um amor de verão na vida dela, que ela pudesse contar para os netos -que não seriam netos dele também- sobre o cara que conheceu aos 18 anos numa viagem de aniversário que fez à Suíça.
O sol estava forte, mas para a felicidade geral da nação uma brisa constante ia e vinha, brincando com os cabelos de todo mundo, levando sorrisos e palavras com ela e refrescando. Principalmente refrescando. Debruçou-se na amurada de pedra, apoiando-se nos cotovelos e tirando os pés do chão. Dali dava pra ver um bom pedaço da cidade e um pedaço de lago também, era lindo.
Grandes mãos frias seguram-na pela cintura, trazendo-a de volta para o chão e virando-a decididamente para si, mantendo-a num aperto de ferro delicado. Hans abriu um sorriso e piscou um de seus olhos azuis como o céu daquele dia ensolarado.
- Vorsichtig. Es ist eine große abfallen, wenn Sie das Gleichgewicht verlieren und ich möchte nicht verlieren Sie mit der rechten nach der Suche nach Ihnen.
- Sie mich gefunden!
Ela o abraçou com força. Hans era tão mais alto que ela e abraçá-lo fazia-a sentir-se tão segura. Queria poder estar com ele para sempre.
- Ich Ihnen sagte, ich würde.
Ele tirou uma margarida sabe-se lá de onde e entregou a ela, um sorriso torto estampado em seu rosto fino, os olhos azuis sorrindo junto com os lábios.
-Herzlichen Glückwunsch zum Geburtstag, Sommer Liebe.
Hans segurou o rosto dela com as mãos e beijou-lhe a boca intensamente. Beijaram-se por uma eternidade na varanda do castelo e passearam de mãos dadas pela cidade trocando segredos e desejos, até que ela pegou seu avião de volta e deixou pra trás o conto de fadas que viveu. Ele foi feliz para sempre também e, assim como ela, contaria aos seus netos sobre a garota com o sorriso mais bonit e cheio de sol que ele já viu e o beijo mais doce que já provou e sobre como eles foram felizes para sempre durante duas semanas de verão em Montreux.

domingo, 5 de outubro de 2008

Exato


Aqui estamos nós, todos nós, andando por essas ruas, rodeando uns aos outros há procura de uma conexão real. Uns procuram nos lugares errados, outros supostamente desistem, pensando "Não há ninguém pra mim!", mas nós continuamos tentando de novo e de novo e de novo, porque quando encontramos alguém e há aquela faísca e todo o seu corpo formiga quando vocês se tocam e ele é lindo e ela é linda, é como se mais nada importasse e o mundo pudesse acabar enquanto vocês se abraçam e ainda assim não é preciso chamar isso de amor, aí você sabe que achou a conexão real e não há nada melhor que isso. E no fundo todos nós sabemos que é esse o objetivo principal de nossas vidas, o resto são objetivos coadjuvantes e adicionais.



Hoje eu sonhei com flores amarelas. Milhões e milhões de todos os tipos de flores amarelas, até aonde a vista alcançava. Tulipas, girassóis, rosas e umas pequenininhas que eu não sei o nome. E haviam árvores com folhas amarelas também. E era tudo muito morno e delicioso e tinha um cheiro agradável e confortável. Era verão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Heart beats


♥ Sentiu uma dor lancinante na têmpora direita e algo abrindo caminho por sua pele, deixando para trás um rastro de carne ardendo. Alojou-se por ali, incomodando-a bastante e queimando, céus como queimava! Abriu os olhos buscando rostos conhecidos, tentando não se afogar no grito que não deixou escapar, mas deixando as lágrimas correram por seu rosto e pingarem no braço que imobilizava-a por completo. Nos rostos que encontrou o medo estampava-se, enorme e frio, uma sombra que se projetava até onde a vista podia alcançar. Depois sentiu que precisava fechar os olhos novamente, a ardência agora espalhava-se por toda a sua cabeça e ela não conseguia manter os olhos escuros e úmidos abertos, estava tudo claro demais. Lentamente foi vendo tudo desaparecer, escurecer devagarzinho. E aí acabou. A dor, o medo, a ardência e as lágrimas.
♥O toque gélido e metálico veio, ficou um pouco, tremeu, fez 'cleck', mas depois passou. A tempôra formigou até o fim do dia.


Desculpa ainda estar tocando nesse assunto,mas eu preciso tirar de mim esse medo e essa tensão que ainda estão aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Minha cor, minha flor, minha cara

"Vamos todos juntos, sentados! O que importa é o que tá no chão, aqui nesse chão, entre o céu, o Sol e a Terra. E nessa terça-feira louca, com esse louco que voz fala e esse loucos que me escutam.. Vamos fazer dessa terça então, um sábado! Vamos quebrar esse paradigma de que dia de diversão é sábado, vamos nos divertir em plena terça-feira! Que terça louca! Somos loucos, todos nós! Vamos, sentados, pra dentro dessa loucura, desses sons, dessa noite."

Ele me faz muito feliz. Ele e todos os laranjados, loucuras, pontes, sons, flores e terças dele.Uma graça, esse cara.
Vamos de novo?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu-lírico


Puxei uma cadeira e sentei-me ao seu lado. Tinha decido que era hora de perguntar, eu não podia mais adiar. Aquele mistério todo estava me fazendo subir pelas paredes. Respirei fundo uma, duas vezes, abri e fechei a boca vezes demais antes de algum som sair de dentro de mim, mas ela não notou que eu estava prester a fazer-lhe a tal pergunta fatídica, estava absorta em seus próprios devaneios que se misturavam com o líquido carregado de alto teor álcoolico que dançava dentro de seu copo e com a fumaça do Lucky Strike que ela fumava freneticamente.
- E aí, quem é você?
O cabelo dela era rosa e marrom e seus olhos escuros tinham uma pitada de esmeralda que dançava quando ela ria, ela tirava fotos e escrevia, bebia muito, tirava fotos e escrevia. E ria muito também. E fumava feito uma chaminé. Morava um pouco mais pra esquerda e dirigia um carro vermelho, fazia aniversário dois meses depois de mim e visitava a avó todos os domingos. Mas não era isso que eu queria saber. Ela entendeu o que eu estava perguntando e respondeu. Depois de beber todo o copo e enchê-lo novamente. Olhou pra mim e sorriu.
- Gosto de colar recortes e fotografias na parede livre do meu quarto e gosto de escrever as coisas que eu tenho que fazer nas costas da mão, pr'eu não esquecer. Gosto de correr, mas não corrida mesmo, sabe?, correr por prazer, quando me der vontade e no meu ritmo. Gosto de rock, de samba, de blues, jazz, eletrônica, mpb, pop e muitas outras classificações musicais. Gosto de ler e de comprar sapatos, de preferência sozinha. Ambos. Gosto de escrever e de tirar fotos. E de beber e de fumar. Gosto de tentar fazer origamis e de pintar eu mesma minhas unhas de vermelho, mas gosto também quando a manicure pinta. Gosto de paredes coloridas, gosto daquelas fotos de cabine e gosto de colecionar foto 3x4 das pessoas de quem eu gosto. Gosto de muitos 'eles' e de muitas 'elas'. Gosto de festas e de me sentir trash em algumas. Gosto da minha família toda quebrada e de viajar com os pedaços separados dela. Gosto de comer waffles pela manhã e de montar casinhas com eles. Gosto de fazer esteira na academia, de tomar banho de chuva e de sentir a areia entre os dedos do meu pé quando eu tô na praia. Gosto de deixar as ondas lamberem as minhas pernas e ver até onde a mais forte alcança. Gosto de dançar sozinha e adoro gritar bem alto. Gosto de escrever as falas legais dos filmes e gosto de ouvir a mesma música de novo e de novo de novo, até cansar. Gosto de mentiras sinceras e de gosto de copiar as coisas interessantes que eu vejo por aí. Gosto de morder, gosto de sorrir, gosto de beijar e gosto de Nestèa de pêssego. Gosto de tudo que me faz bem e insisto em gostar de algumas coisas que não me fazem tão bem. Gosto de sentar no chão da cozinha, chorar e brincar com os dedos dos meus pés quando eu estou triste e gosto de tocar cello quando me dá vontade. Gosto de ter a liberdade de escolher pra onde eu quero ir, com quem eu vou, como e que roupa eu vou usar. Gosto de música e gosto de ir aos shows das bandas que eu gosto. Gosto de mudar, mas não gosto quando sou obrigada a fazer isso. Gosto de arrogância e de sarcasmo ligeiramente temperadas com pitadas de doçura. Gosto do exagero, quase sempre. Gosto de morango, maçã e uva. Gosto do Rio, gosto de Zürich e gosto de Curitiba. Gosto de ter pessoas favoritas, mas não gosto de relações por que elas são complicadas. Gosto de verde, de roxo, de rosa, azul, laranjado, vermelho e amarelo. Gosto de árvores e de cidades com cara de metrópole. Gosto de cabelos, de sorrisos, de unhas, de peles, de olhos, de pessoas. Gosto de pessoas inteligentes. Gosto de pessoas que me fazem perguntas espertas como essa e que me deixam ser eu mesma nas horas em que eu tô afim. Gosto de poder ser eu mesma e de poder ser outras pessoas. Não gosto de quem não gosta sem saber como é.

Roubei um gole do drink dela e um trago do cigarro e ela me roubou um sorriso. E um beijo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Só existe em português (saudade)


Hoje as saudades vieram todas, de uma vez. Foi logo depois da cólica, tenho certeza. A cólica passou e as saudades vieram, e eu chorei. De saudade, de cólica, de dor de cabeça, de TPM, de tudo. Fiquei com saudade dele que foi pra Londres, dele que ficou na Suíça, dela que eu tenho há quase uma década, dela que eu chamo 'm.a' e do meu pai, que tá no Rio e não anda merecendo nenhuma compaixão da minha parte. Fiquei com saudade de dormir na cama da minha mãe e de quando eu passava meus natais com a minha vó e com a minha tia no Rio. Fiquei com saudade de quando meus pais eram casados e tudo pra mim parecia tão lindo e mágico quando na verdade estava tudo um caos, só que eu não sabia. Fiquei com saudade do ATO - o meu primeiro grupo de dança- e das épocas de apresentação, fiquei com saudade de quando sábado era dia de ir na padaria 'da esquina' com meu pai comprar bala, chiclete e todos os itens de mesma classificação e de enxer a boca com trinta e dois mil Bubaloos e ir fazer bolhas na cara da minha cadela. Fiquei com saudade de ganhar Barbies no natal e de tocar violino, fiquei com saudade de brincar com aquelas bolinhas bate-bate e de andar de patins na varanda. Umas saudades pequeninas que tavam guardadas e que por isso não se faziam sentir, mas que agora explodiram dentro de mim. Com essas saudades pequenas vieram também as saudades grandes, mas dessas eu não quero falar. Me fazem chorar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Indo pra lá


Acabei indo dar com a testa na janela fria d'um trem com destino a Toscana. A chuva lá fora batia forte contra o vidro e gelava minha cabeça inteira, aliviando por completo a dor lancinante nas minhas têmporas. Fechei os olhos, tentando esquecer tudo e só ouvir a chuva, relaxar, mas de repente uma montanha de livros despejou-se sobre meu colo. Assustada, dei um salto e derrubei sem querer no chão todos os milhões de livros que há um segundo estavam em cima de mim. Uma risada gostosa explodiu ao meu lado, alta, escandalosíssima, inundando o trem e sobrepondo-se ao som da chuva. Erguendo os olhos pude ver que o dono da risada era uma rapaz um bucado alto e sardento -as pintinhas cobrindo-lhe cada centímetro de seus braços e suavizando enquanto subiam-lhe pelo pescoço- , os cabelos cacheados bem ruivos, os olhos de um verde engraçado, meio amarelado e um sorriso cheio de sinceridade e doçura. Me desculpei rapidamente e ajoelhei no carpete sujo do trem, pondo-me a catar os livros dele, que tinham se espalhado todos embaixo de no mínimo 4 poltronas. Ele disse que tudo bem e que eu não precisava pegar os livros não, que ele podia fazer isso. Levantei os olhos e disse que não, que eu fazia questão e, enquanto eu catava tudo pude reparar que o ruivo tinha um gosto literário muito aguçado, títulos realmente muito bons estavam no chão daquele trem. De repente o garoto estava ajoelhado ao meu lado, me ajudando a pegar aquilo tudo do chão, pude sentir seu hálito doce no meu rosto e o cabelo ruivo dele roçar de leve na minha bochecha. Olhei pra ele e sorri, corando. E aí, de repente ele estava me beijando.

sábado, 20 de setembro de 2008

Losing control of the night


Um jogo de luzes brilhava numa pista de dança afastada, uma música meio pop rock com uma pegada meio eletrônica tocava ao fundo, junto com risadas e o zumzumzum de vozes que toda festa tem. Garçons vestidos a caráter esgueiravam-se por entre mesas ao ar livre, oferecendo petiscos e cuba libre para os convidados animados. Do lado de dentro, na pista de dança abarrotada, pessoas dançavam loucamente, como se suas vidas dependessem de seus passos, os corpos se movimentando dentro e fora da batida gostosa e forte da música pop rock + eletrônico. Do lado de fora, entre os garçons e as mesas, naquela grama meio úmida, no meio daquela noite louca, ele e ela conversavam perto de mais, escorados numa árvore ou coisa assim. Os narizes quase se encostavam e eles falavam em sussurros, sentindo o hálito doce um do outro e olhando nos olhos, vendo o colorido dentro deles dançar, sentindo arrepios engraçados toda vez que sussurravam alguma coisa, provocando-se com palavras, todos os tipos de sorrisos e olhares. Aí começou a chover e o impulso dela foi, assim como todos os outros que estavam ao ar livre, correr pra dentro da casa, onde a toda a dança estava acontecendo, mas ele a deteve segurando-a pela mão quando ela começou a correr. Puxando-a pra si ele sussurrou algo sobre deixar a chuva chover e não fugir dela, perguntando logo depois se a garota era feita de açúcar. Então, ainda segurando-a pela mão, ele lambeu todas as gotículas de água que pousaram sobre seus lábios e a beijou. Mesmo com todas aquelas gotas de chuvas entre e ao redor deles, ele a beijou e em segundos estavam encharcados pela água e pelos beijos. Ela se desvencilhou dele e sorrindo puxou-o pela mão até a pista de dança onde todo o resto da festa se entulhava, fugindo da chuva.

-Fugir pra quê?Você é feita de açúcar por acaso?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Solidão a dois


Lentamente ela desvencilhou seus dedos dos dele. Ele olhou-a surpreso, como se aquele gesto fosse inacreditavelmente inesperado. E era. Vez os outra davam-se as mãos, mas sempre esteve certo de que seria assim, esporádico, e quando estavam juntos pertenciam-se, por isso o rapaz se espantou ao sentir os dedos quentes da garota sliping away, já que esse era um dos momentos em que eram um do outro. Mas não hoje. Hoje ela resolveu dizer a ele que não devia ser assim, que era algo doentio o que eles tinham, que era errado. Ela afagou o rosto e mordeu de leve a bochecha dele, sussurrando ao pé de seu ouvido "Vai". "Vai? O que você quer dizer com isso?", a voz dele carregava doses cavalares de desespero, ele não entendia. "Você tem que ir. Eu tenho que deixar você ir. Você sabe que a gente não pode continuar assim e se você não for agora eu vou mudar de idéia por que num segundo tudo isso que temos parece inaceitável, errado e no segundo seguinte eu não vejo nenhum problema pra continuar como estamos. Não tenho certeza do que estou fazendo agora e não sei por que estou te mandando embora, mas algo me diz que deve ser assim, então, por favor.. Vai.", a voz dele era de súplica, como se fosse um sacrifício enorme pra ela deixá-lo ir. E era. "Como era aquilo que você falou sobre mudar de idéia se eu não for embora agora?", ele a beijou e sorriu. E ficou.

Vai dar tudo errado.

domingo, 14 de setembro de 2008

In The Land Of Women


o Adam Brody se inclina dramaticamente sobre a Meg Ryan e a beija, ele e toda a sua perfeição beijam a Meg Ryan e toda a sua desengonçada -e notavelmente irresistível para o sexo masculino- personalidade. A chuva, a música de fundo e o contexto obviamente criam o maior clima, situação super propícia ao beijo. Eles se levantam e continuam a se beijar, bem em frente às casas dele e dela, como se a avó moribunda dele e a família desestruturada dela não pudessem, a qualquer hora, resolver colocar a cabeça pra fora da janela ou abrir a cortina por alguns momentos e vê-los ali.
Me deu uma vontade de viver perigosamente, de fazer coisas que eu não devia. Porque, mesmo sendo errado, fazer esse tipo de coisa faz você ter consciência de estar vivo, faz você sentir que você está exatamente onde deveria estar naquele instante. É viver, entende? A gente tem que quebrar as regras de vez em quando.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Märchen Prince


Virei o rosto, tentando mudar de assunto, mas ele insistiu, me fez milhões de perguntas, brincou com uma mecha do meu cabelo, sorriu. Algumas crianças corriam pelo parque, brincavam nos briquedos coloridos e velhos, as bochechas coradas e o suor brotando nas testas. Ele segurou meu rosto pelo queixo e virou-o para ele, me forçando a olhá-lo, aqueles olhos tão azuis. "Não quero falar sobre isso", anunciei com um tom de voz que deixava claro como eu me sentia desconfortável e incomodada. Ele acenou com a cabeça e sorriu, me deixando tonta e hipnotizando, como ele sempre faz quando sorri. Eu enfiei dois morangos na boca e quando eu terminei de mastigar ele me beijou, mudando de assunto.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Hoje foi divertido


Grama, muita grama. Verde brilhante se estendendo até onde a vista alcançava, refletindo nos olhos escuros da garota. Ela sorriu de orelha a orelha, um misto de empolgação, alegria e adrenalina repentinos tomando conta de cada célula do seu corpo. Abriu os braços e correu pelo gramado gigantesco salpicado de florzinhas minúsculas rosas, amarelas, azuis e vermelhas. Ria feita criança, a boca entreaberta e as bochechas coradas. Só fiquei olhando ela correr, os cabelos escuros dançando atrás dela, volta e meia batendo em seu rosto, o sorriso do tamanho do sol zunindo por aí. Dei uma gole na minha água e resolvi ir correr também.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

- E você vai fazer algo?

- Eu não. Vou só ficar aqui tocando a minha vida com um sorriso no rosto fingindo que tá tudo certo.
- Faça isso. É o melhor a se fazer mesmo. Everything's gonna be alright.

'Para as coisas ficarem bem
Sorriso'

domingo, 7 de setembro de 2008

Sobre vocês dois


Folhas douradas, vermelhas, laranjadas e amareladas caíam em todo lugar e o cheiro era de café fresquinho. Tudo bem brega, muito clichè e meio gay, mas no meio do correr apressado da vida e da cidade, o tempo pareceu parar num raio de três ou quatro metros, enquanto estavam ali . Era tudo o que eles precisavam.
Quanto tempo fazia já não tinham mais certeza.. 15 ou 20 anos, quem sabe.. Não fazia diferença de qualquer forma, tudo o que importava era que estavam ali até hoje, lado a lado, e o que eles sentiam não tinha data marcada ou prazo de validade, só existia e acontecia ao redor dos dois, sem que eles percebessem.
Brincaram com os dedos um do outro em silêncio, respirando fundo aquele ar com cheiro de café e sentiram os segundos com gosto de açúcar escorrerem por seus cabelos e pele.
- Obrigada.. - ela espremeu as palavras pelo sorriso torto que teimava formar-se em seu rosto, por mais que ela tentasse reprimí-lo. Ele segurou seu queixo com a mão e virou o rosto dela para ele, olhando-a nos olhos.
- Pelo que, sua boba? - os olhos dele eram escuros, intensos e pouco visíveis por baixo do cabelo liso que caía-lhe sobre o rosto. Ele usava o cabelo assim desde a adolescência e dava-lhe um aspecto meio irresistívelmente desarrumado, como quem acabou de acordar.
- Por ser assim.. Por me olhar com esse olhos desde a 5ª série, os mesmo olhos há tanto tempo.. Por estar comigo, ao meu lado, até hoje e por aceitar as consequências e as dores de cabeça que esse estar trás.
Ele sorriu, bagunçando os pensamentos todos dentro da cabeça dela.
- Agradecendo você faz soar como se fosse um sacrifício, um esforço pra mim quando você sabe muito bem que é exatamente o contrário. Sabe que estou aqui ao teu lado até hoje por que isso me faz bem, por que você me faz bem, por que você é a amizade mais longa e duradoura que eu tenho. Mas como sei que agradecer faz você se sentir aliviada ou o que quer que seja, tudo bem, deixo você agradecer. - ele deu-lhe uma piscadela divertida e ambos sorriram.
- Obrigada.. Por me deixar agradecer e por isso que você falou e que eu não consigo repitir. - eles riram e a gargalhada alta dele fez o ar vibrar e ela rir mais ainda - Ah, droga.. Eu te amo! Muito.
- Eu também. Amo mais do que sou capaz de compreender. E expressar. Você não sabe o quanto é importante pra mim.
Agora ela chorava. Lágrimas finas e brilhantes corriam por suas bochechas, por entre suas pintinhas. Ele aparou uma com o dedo e sorriu ligeiramente ao observar a gotinha de água salgada escorregar por seu dedo longo e fino.
- Você é lindo.
Ele deu-lhe um beijo no canto da boca e sorriu. Tudo bem brega, muito clichè e meio gay, de novo. A relação era incompreensível e os sentimentos se misturavam todos como num liquidificador, mas tudo bem por que independente disso eles eram amigos.



Peço permissão
, mesmo que atrasada uma vez que agora o texto já tá escrito, pra escrever sobre você e o David, Bee. Você deixa? É bem fictício e se você não gostar pode até fingir que não são vocês dois..

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Início (?)


(...) Uma embarcação surgiu no horizonte, em meio ao verde brilhante de ilhas e o branco suave das nuvens e foi se aproximando da praia. Aos poucos pude perceber que, inacreditavelmente, tratava-se de um clipper que, apesar de suas velas, movia-se com a velocidade de um barco a motor e que carregava no topo de seu mastro central uma bandeira. Uma bandeira preta que dançava graciosamente com o vento. Uma jolly rogger.


To be continued..?Acho que eu tenho que escrever isso logo,antes que alguém o faça,certo?

domingo, 31 de agosto de 2008

Acqua


Deitei na beira da piscina, soltei o cabelo e mergulhei-o na água clara e gelada, curtindo a sensação engraçada que dava ter só o cabelo dentro d'água enquanto você está praticamente de cabeça pra baixo. O sol tava forte e eu tive que fechar os olhos. Dia de verão bem clichê.
- O que você tá fazendo?
- Plantando bananeira enquanto frito bolhinhos de arroz, o que parece que estou fazendo?
Ela riu uma risada gostosa e refrescante. Daquelas bem verão mesmo, sabe?
- Não, tô falando sério..
Eu ri enquanto punha a mão no rosto pra tapar o sol e poder olhar pra ela.
- Tô dourando a melanina do meu corpo enquanto molho meu cabelo de cabeça pra baixo.
- Sounds fun..
- Hell yeah, come together!
Ela se deitou ao meu lado, despejou o cabelo castanho na água e posicionou os óculos escuros sobre os olhos. Respirou fundo e deu uma gargalhada.
- Faz cócegas..
Ri. Que dia mais delícia, cara.
- Você vai ficar com a marca do sol no rosto se não tirar esses óculos daí!
Explosão de gargalhadas. 'Hahahahas' voaram pelo ar e misturaram-se com raios de sol, gotas d'água da piscina e verão. Quanto verão!
Num pedaço de qualquer lugar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bem quickly


Saí de lá sem saber o que fazer, com o rosto molhado de suor, o cabelo preso num nó muito mal feito, a bolsa marrom a tira colo pendurada no ombro e um gosto engraçado na boca. Acendi um cigarro pra ver se o gosto passava. Não passou. Soltei o cabelo e prendi de novo, só por prender. Limpei o rosto na manga do suéter, funguei algumas vezes, mas não chorei. Começou a chover e eu resolvi pegar um taxi. Esperei no meio-fio e quando veio vindo um, acenei com a mão, mas ele não parou. Bem vindo à Nova York, eu sussurrei à mim mesma. Morava ali há 3 anos e ainda me chocava o fato dos taxistas por ali não estarem interessados em ganhar dinheiro. Acenei para um segundo e ele parou. Obrigada, moço. O motorista era um careca baixinho com cara de pão-de-queijo e um sorriso besta no rosto que cheirava a café e jornal. Perguntou pra onde eu ia e eu disse pra qualquer lugar, mas como o carro não se moveu -os taxistas nunca levam você à qualquer lugar em Nova York. Existem simplesmente lugares demais para ir- mandei ele seguir em frente que eu ia dando a direção, ele hesitou e eu disse que ficasse tranquilo, eu falava quando fosse pra virar. Ele foi. O carro balançava gostoso e a cidade corria na direção oposta, me deixando meio zonza. Fui dando as direções pro cara de pão-de-queijo e mais ou menos uns vinte minutos depois pedi pra ele parar. Tem certeza, moça?, ele perguntou com a voz esganiçada. É, aqui mesmo, pode parar. Tirei do bolso uma nota de trinta dólares inacreditavelmente amassada e atirei no taxista. Keep the change. Saí do carro e ele sorriu o sorriso besta com cheiro de café e jornal dele e foi embora. Girei nos calcanhares procurando saber em que lugar do centro movimentado de Nova York eu estava e dei de cara com um solzão laranjado e enorme se pondo entre os arranha-céus e árvores daquela cidade louca. Ver aquela bola laranja indo embora, aquecendo com seus últimos raios uma cidade que funcionava melhor à noite me tirou toda a ansiedade que eu tava guardando no peito. Sentei num banco e assisti ele se pôr enquanto a cidade acontecia a minha volta e eu fumava alguns cigarros, e quando a lua sorriu no céu escuro me levantei e fui embora. Pra qualquer lugar.


Desculpem o texto deplorável. Tô com pressa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Não me espera. Eu não volto


- Sabe do que eu preciso? - ela perguntou logo após deixarmos o prédio. O choro preso na garganta e o girassol entre os dedos.
- O que? - eu perguntei num sussuro que foi levado pelo vento.
- Sair daqui.
Fiquei fitando seu par de All-Stars vermelhos por uns instantes. O sol iluminava engraçado os cadarços sujos, fazendo-os brilhar de forma hipnotizante. Levantei os olhos e um monte de quase-cachos quase negros me atingiram o rosto juntamente com um abraço apertado e uma cacetada leve do relógio pesado - e com algumas pedrinhas faltando- que ela levava no pulso. Suas lágrimas frias encharcaram minha blusa e sua bochecha quente fez meu ombro formigar. Permanecemos abraçadas, ela com o rosto afundado no meu ombro, as lágrimas rolando feito cristais por suas bochechas quentes e os All-Stars vermelhos por cima dos meus pretos até seus pulmões gritarem por oxigênio. O que dizer desse segundo?
- Vem. - ofereci minha mão e ela me ofereceu um sorriso em resposta. Entrelaçou seus dedos nos meus e os segurou firme, como se pedisse 'não larga da minha mão'.
Os olhos dela sorriam junto com os lábios, as orelhas e o girassol.

domingo, 24 de agosto de 2008

A tal da Natasha

Me arrependo de ter descoberto da pior maneira possível que você não era quem eu pensei que você fosse, independente de sentimentos e de ter te dito coisas sem pensar, de novo. De resto, não me arrependo de nada.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

É viver


Passos rápidos na grama molhada. Splash. Uma risada e os carros ao longe. Vrum. O vento cortando os rostos. Vush.
- Você tá rindo do que? Eles vão nos alcançar se não continuarmos correndo!
- Estamos correndo! Não vou parar só porque estou rindo..
- E POR QUE você está rindo? Não é engraçado! Estamos encrencadas.. Eu falei pra você que não devíamos ter..
- Cala a boca! Não quero ouvir ninguém me dizendo 'eu avisei, eu avisei'. Será que dá pra você curtir esse momento? Não consegue ver como nossas vidas se desenrolam da maneira mais divertida e proveitosa e como isso aqui, agora, é inacreditávelmente engraçado e eletrizante? Consegue ver com o canto do olho nossas vidas correndo na direção contrarária a toda velocidade? Consegue sentir o teu coração bombeando o sangue pelo teu corpo? Consegue sentir o gosto da adrenalina na boca, sentir o cheiro da juventude? Os segundos se solidificando atrás de nós? É tudo tão mágico. Tenho vontade de ficar aqui pra sempre..
- Correndo?
- É..
- Mas a gente tem que se esconder! Eles vão nos alcançar..
- Não importa. O lugar é aqui e a hora é agora.
Deram-se as mãos. Splash. Vrum. Vush.
- Vem, corre.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vem


Ela tirou-lhe o chapéu lentamente, sem tirar os olhos dos olhos dele. Ele sorriu -e todas as pintinhas de seu rosto fizeram cócegas no nariz dela- enquanto acariciava-lhe o rosto, bem de levinho, fazendo-a arrepiar-se por inteiro. O colorido dançava nos olhos, as estrelas brilhavam no sorriso, o perfume dava voltas no ar e as pintinhas e cílios faziam cócegas. Daí ela o beijou. Na boca. Com suavidade e firmeza, gentileza e fogo, insensatez. Roubaram o ar o um do outro até não mais agüentarem, então encostaram as testas e sentiram o calor dos seus corpos invadindo-lhes pouco a pouco. Até cansar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Andando pelas ruas dessa vida louca conheci muitas pessoas, todas muito diferentes, algumas me chamaram mais atenção do que as outras e é da mais chata delas que eu gostaria de lhes falar.
Suas paixões envolvem receber atenção, abraços sinceros, olhares caolhos, usar máscaras, correr de vez em nunca e o poder das palavras. Já falei em receber atenção?
Por ser uma pessoa muito chata, não gosta de uma série de coisas. Não gosta de peixe, dever de casa, Good Charlotte, tapinhas nas costas, narizes com personalidade ou brincadeirinhas sem graça.
Depois de algum tempo de convivência com tal pessoa acabei descobrindo alguns pequenos detalhes. Você pode não achar importante, mas ela sorri com as orelhas, fala gritando, tem a necessidade de estar em constante mudança, tem sangue pirata gritando por liberdade correndo nas veias, batizou sua criatividade de Scarlett e muitas de suas outras coisas de Jeremy em homenagem a alguém que ela gosta muito, quando telefona sem motivo aparente é por amor demais, sempre solta uma expressão em inglês no meio de suas frases, quer as coisas quando quer e de algum jeito está sempre certa.
Só mais alguém que eu conheci n’um dia qualquer de uma semana qualquer em um mês particularmente agitado, mas que acabou mudando um pouco as coisas. Além de chata veio para bagunçar, ninguém merece.
Quer uma conclusão? uncle fate m.a. tângulo vaga-lume. Xuxu tomatinho chocolate com avelã cores compreensão. Acordos crônicas luzes músicas obrigada.