quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Aleatoriamente

Ela já estava sentada na calçada quando ele chegou. Ele se sentou e olhou pra ela. Ela olhou pra ele também e sorriu. Ele sorriu de volta. Eu comecei a escrever. Ele falou alguma coisa. Ela olhou para o chão e sorriu um sorriso tímido. Ela mordeu o lábio inferior e disse alguma coisa. E eu anotando tudo. Ele acendeu um cigarro. Ela roeu a unha do dedão. Ele deu uma tragada, respirou fundo e disse alguma coisa. Sei que foi bem baixinho. Ela arregalou os olhos. Lentamente tirou a mão da boca. Colocou-as sobre os joelhos. Olhou pra ele. Ele sorriu um sorriso inclinado e deu umas pancadinhas no cigarro, fazendo a cinza se desprender e cair no chão. Tudo isso sem parar de olhar pra ela. Ela abriu e fechou a boca diversas vezes, como se fosse dizer alguma coisa. Mas não disse. Eu escrevi. Ele apagou o cigarro no asfalto e a beijou. Assim, sem dizer mais nada. Um beijo longo e intenso. Ficou segurando a cabeça dela, como se implorasse para que ela o beijasse de volta. Ela beijou. Manteve as mãos nos joelhos. Eles só pararam quando não consiguiam mais respirar. Depois encostaram as testas e ficaram lá se olhando nos olhos. Ela disse alguma coisa, bem lentamente. Acho que foi "eu também te amo". Não sei. Podia ter sido "eu toco piano", vai saber.
Dois desconhecidos sentados na calçada se beijando, sem saber que eu os estava observando. E de repente ficaram pra sempre gravados nas minhas palavras.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Uma opnião esforçadamente poética que tomou minha cabeça na tarde de uma terça-feira ociosa

Engraçado essa necessidade louca e desesperada que o ser humano tem de se fazer sentir e de ter certeza de que oque o outro sente por ele é exatamente (ou às vezes até mais) igual ao que ele sente pelo outro, em intensidade, gênero, número e blábláblá. Engraçado também oque o ele faz pra descobrir isso. Enche os espaços vazios entre as conversas com declarações diretas e indiretas, pergunta se o outro o ama, gasta o amor até o pobre ser só mais uma palavra no vocabulário de todos entre outras loucuras sem sentido e, na maioria das vezes, doces.
Acho que é essa necessidade louca e a intensidade extrema (extrema, não doentia e nem obcecada) do sentimento é que gera o ciúmes. Que é diferente de preferência, mas que normalmente vem acompanhado da mesma. Normalmente, nem sempre. Que é importante também, mas em quantidades de baixas a razoáveis; mantem a relação, qualquer que seja ela, saudável e faz com que ambos (ou mais de dois, em algumas ocasiões) se sintam seguros em relação aos sentimentos um do outro. Mas em 99% dos casos (eita, lá vem a estatística!) o ciúmes gera discórdia, isso quando o lado B da relação sabe desse ciúme, então acaba sendo mesmo uma merda. Assim como a intimidade. A intimidade é uma merda. Necessária, mas uma merda.
De qualquer forma, oque eu queria mesmo era expor minha opnião sobre como é estequiométrico (achei que essa palavra se encaixaria perfeitamente na sonoridade da frase, então que se dane o significado dela. Apenas considere como se fosse a mesma coisa que "totalmente esquizofrênico e sem sentido nenhum, absolutamente. O ser humano é mesmo uma espécie cujo comportamento é mesmo interessantíssimo!") o modo como essa espécie em especial PRECISA se sentir amada para ser feliz, PRECISA ter CERTEZA de que o outro o ama do mesmo modo e com a mesma intensidade,é possessivo, ciumento e totalmente carente. Guys, por favor, tratem de ser menos melosos!
Engraçado mesmo é eu estar dizendo tudo isso, eu que sigo tão a risca as características atrubuídas a mim pelo meu signo. Não por opção, mas porque não sei ser de outro jeito.
Você me ama?


Acho que preciso ver um psicólogo, isso tá começando a me fazer mal..

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"Seja.

Mαs αntes de ser por inteiro sejα dos outros. E αntes que se entregue por completo á αlguém sαibα que ninguém pertence α ninguém, e que você é seu. Você não é αquilo que suα vidα é. Você não é o momento que você vive nem o αmor perdido. Você é αquilo que ninguém vê. Umα coleção de históriαs, estóriαs, memóriαs, dores, delíciαs, pecαdos, bondαdes, trαgédiαs e sucessos, sentimentos e pensαmentos. Se definir é se limitαr. Você é um eterno pαrênteses em αberto. Enquαnto suα eternidade durαr."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Back from the dead


Eles não se viam há tanto tempo que, num primeiro momento, não se reconheceram. Depois a certeza meio duvidosa passou e ela se jogou no rapaz, envolvendo o pescoço dele com seus braços, feliz demais para se conter.
Sentiu as mãos dele em suas costas e ouviu o "ai!" abafado que ele soltou quando os dois foram empurrados com força contra a parede atrás dele por conta do impacto do abraço inesperado dela.
"Desculpe", ela sussurrou antes de enfiar o rosto no ombro dele. Ele inclinou a cabeça, apoiando-a na dela e sussurrou de volta: "É bom te ver também".
Ela ergueu a cebaça. Estava meio rosada e tinha fios de cabelo dentro da boca. Ele sorriu daquele jeito especial. Aquele sorriso que ela sabia que ele só sorria para ela, desde que eram pequenos. O sorriso que ele dera para ela, o sorriso dele dela.
Ela sorriu de volta e eles ficaram um tempão ali, sorrindo e se olhando nos olhos. Aaah, os olhos! Como ela sentiu falta daquele castanho comum... Amava-os, sabia disso. Amava tanto aqueles olhos..
Ele desceu os tais olhos para os lábios da garota e acompanhou-os quando eles disseram "Senti sua falta". Ele sorriu o sorriso de novo. Ela sabia que ele também tinha sentindo a falta dela.
Ele puxou mais para si e mergulhou o rosto nos cabelos negros da menina, aspirando profundamente, lembrando-se do cheiro que ela custumava ter e surpreendendo-se ao notar que ainda restava ali um tantinho daquele cheiro. Ela soltou-se dele e disse que ia procurar alguém, mas ele não prestou muita atenção. Só sentiu o beijo molhado que ela depositou carinhosamente em sua bochecha, ouvia ela dizer "A gente se fala depois, meu bem!" e a viu ir embora.
Ela se afastou sorrindo e ele guardou o cheiro dela pra si. Ela deliciou-se com o formigamento morno que ele deixara em suas costas e lembrou-se do sorriso dele dela, ele lembrou-se dos olhos dela e sorriu o sorriso dele dela.
É claro que eles se gostavam. Talvez agora mais do que antes.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Antes de partir

-Checar se o gás está desligado;
-Apagar todas as luzes;
-Me despedir descentemente das pessoas que realmente importam (por mais dolorido que isso vá ser);
-Aprender pelo menos os conceitos básicos da navegação;
-Amarrar bem todas as cordas;
-Decorar umas falas bem bacanas de filmes de pirata pra poder usar quando eu partir;
-Passar no PAS;
-Perder alguns quilos;
-Conseguir um chapéu bem bacana, uma bandana listrada maneira, algumas peças de roupa com caveiras e um revólver;
-Ter um papo sério com Capitan Jack Sparrow sobre tesouros e toda essa parada de pirata;
-Arranjar um navio;
-Me livrar de todos os mapas e bússulas;
-Comprar um Ipod com gazilhões de gigas preu poder gravar um gazilhão de músicas;
-Desapegar;
-Ter forças suficientes pra isso;
-Etc,etc,etc..





Yo ho,all together
Hoist the colours high
Haeve ho,thieves and beggars
Never shall we died

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Resposta à uma carta antiga que, na época, não foi respondida


Então..
Se tinha muito tempo que eu não ia até a sua casa, deve ser por algum motivo, não é verdade? Alguma coisa deve ter acontecido, você não concorda?
É, eu também sentia falta disso, mas não mais. Eu superei. Passei por cima e tô bem melhor agora, obrigada. Eu sei que a gente realmente se amava, ou pelo menos era isso que eu pensava, mas não é mais assim e não é uma carta que vai fazer tudo voltar a ser como antes. Nada vai fazer tudo voltar a ser como antes. Acho que é um pouco tarde pra você se desculpar e dessa vez não vai dar pra gente 'lavar a roupa suja' . Você me decepcionou muito e tenho certeza de que eu não vou ser capaz nessa reencarnação de te desculpar, quem sabe numa próxima vida? A gente podia ter sido muito mais amigas, sabe? Podíamos ter sido 'amigas para sempre'. Mas não foi assim que as coisas aconteceram, você vacilou muito e eu também tive minha participação nesse pequeno desastre que foi a perda da nossa amizade. Era mesmo algo lindo, mas não deu certo. Cada uma vai seguir o seu caminho, ser melhor amiga de outras pessoas e se tornar para a outra apenas um monte de lembranças boas e ruins. É assim que tem que ser.
Tem mais uma coisa: mesmo escrevendo tudo isso, eu sei que não te perdoei, então não quero te ver ou falar com você. O fato deu ter escrito tudo isso não quer dizer que te perdoei e que podemos voltar a nos falar e ter algo próximo a uma amizade. Nunca vamos ter algo nem próximo a 'amizade'. NUNCA. Por mais rude e cruel que possa soar.
E eu sinto que me livrei de um peso muito grande que eu carregava nas costas, que parte do rancor se foi. Talvez agora eu possa parar de me lamentar por 'ter perdido você'.
Ila.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Bom dia,Sol!


Ela levantou de sua cama, espreguiçou-se e, ainda sonolenta, escovou os dentes, penteou o cabelo e lavou o rosto.
A passos lentos, ela se dirigiu até a cozinha em busca de um copo d'água, mas parou antes mesmo de entrar na cozinha. Ao alcançar o final do corredor -que desembocava na sala de estar- ela não tomou a direita para ir até a cozinha, mas seguiu em frente, parando na sala.
O cômodo havia sido tomado quase que totalmente por raios de sol mornos, aquecendo-o agradavelmente. A garota esticou a mão até onde os raios a alcançavam e sentiu-os queimarem-lhe gentilmente a pele. Dirigiu-se até a janela erguendo os olhos para o céu.
Uma imensidão azul estendia-se acima do mundo até onde a vista alcançava. Algumas nuvens brancas aqui e ali deixavam tudo com ar de verão.
A garota abriu a janela e sorrindo radiante, aspirou o ar fresco que passava por ali. "Aaaaah, o verão! Finalmente o verão está aqui! Bom dia, Sol!" ela pensou.
Enquanto um sorriso brincasse em seus lábios e o sol dourasse sua pele, ela estaria satisfeita.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Nothing is forever


Mude. Mude o seu percurso até a padaria, corte o cabelo, use aquele short verde com a blusa roxa, em vez de com a branca, compre um lanche diferente na cantina da escola, passe um recreio com outras pessoas, sente em outro lugar na sua sala, use outro tênis, coma mais (ou menos) salada, desenhe em vez de escrever (ou o contrário), use aquele outro brinco, dê 'bom-dia' à quem você não custuma dar, sente no banco de trás do carro, sente-se no peitoril da janela só pra sentir o vento, beije outras pessoas, troque de namorado, peça outro sanduíche naquela lanchonete que você tanto gosta, mude de perfume, pinte as unhas de outra cor (ou pare de pintar as unhas, ou começe a pintá-las), mude a cor do seu gloss, use gloss, fale com outras pessoas no msn, vista outras roupas, calçe outros sapatos, saia com outras pessoas, veja outros gêneros de filme, coma outras coisas, ouça outras músicas, vá a outros lugares, durma em outros horários, falte aulas (ou passe a frenquentá-las), passe suas férias em outros lugares, com outras pessoas, experimente novos sabores, diga mais (ou menos) 'eu te amos', faça todo dia algo que te assusta e faça todo dia algo pela primeira vez. A vida é só uma e você não pode passá-la pensando em como ela poderia ter sido diferente se você tivesse ido para a direita em vez de pegar a esquerda naquela encruzilhada.


Titãs-Epitáfio

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Preguiça

E quando dá preguiça de cuidar do cabelo, de voltar das férias, de ir pra academia, de falar 'eu te amo', de comer, beber, ir no banheiro, ver TV, vagar sem rumo na internet, papear pelo 'msn', conversar pelo telefone, ouvir música, estar saudável, estar feliz, escrever, atualizar o blog, desenhar, ser legal, pintar as unhas, levantar da cama..? E quando dá preguiça de viver, oque é que a gente faz?
Afinal de contas, é muito trabalhoso ser um ser humano inteligente, amável, agradável, simpático, educado, saudável, divertido, bonito e feliz.
Às vezes dá uma vontade de desistir disso tudo e ir dormir até a preguiça passar...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pequenas Filosofias de Automóvel


Mãe e filha voltando de carro pra casa depois de uma bela sessão de cinema.
Mãe: Sabe oque eu penso de vez em quando?
Filha: Hmmm? (entretida com as batatas fritas suculentas e gordurosas)
M: Eu tenho que me sentir Wanuza?
F: OQUE?
M: Eu tenho que me sentir meu nome?
F: Mããããããe..Tem vodka na sua coca ou você bebeu no cinema?
M: Ãhn?
F: Mãe, você tá bêbada?
M: Oque? Claro que não, que absurdo! Eu penso sabia? Eu não preciso estar bêbada pra pensar!
F: Mas pensa melhor quando está, não é mesmo?
Gargalhadas!
M: Que coisa horrível, Ila!
F: Tá, mas enfim.. Que loucura é aquela de se sentir seu nome?
M: Ah tá.. É por que assim.. As pessoas tem que se sentir o nome que elas têm?
F: Como assim?
M: Você, por exemplo.. Você se sente Ila?
F: Eu não sei.. Acho que sim. Você se sente Wanuza?
M: Pois é, aí é que tá! Eu não faço idéia! Será que quando a pessoa muda de nome ela continua se sentindo o nome anterior dela?
F: Por exemplo?
M: Por exemplo? Vamos supor que você mude seu nome pra.. Janaína. Quando você se chamar Janaína você vai continuar se sentindo Ila?
F: Que coisa complexa..
M: Tá,vamos mudar de assunto.
Gargalhadas!
F: Mãe..
M: Sim?
F: Porque o ser humano busca a felicidade? Eu vi em algum lugar uma frase assim: "O ser humano tenta ser feliz enquanto todos os outros animais apenas são."
M: ...
F: O ser humano é tão..
M: Humano?
F: É!
M: Nossa,Ila.. Você é de uma profundidade..
Gargalhadas!
M: Pára de filosofar, come seu BigMc e me dá minhas batatas.
F: Mãe..
M: Que é, Ila?
F: Não fala com mais ninguém sobre essa loucura de se sentir seu nome, tá?
Gargalhadas!