sábado, 29 de março de 2008

Posso me sentir assim pra sempre?

Um pouquinho de luz do sol esgueirava-se por debaixo das cortinas pesadas, iluminando o quarto fracamente. A garota fechou os olhos, aproveitando o ir e vir de delicados dedos em seus cabelos. Suspirou. Sorriu. Aaaah, como aquilo era bom. Simplesmente estar ali, deitada, com o sol se esgueirando pelas cortinas, o cafuné na cabeça..
-Desejei isso pra sempre.
Dois pares de olhos se encontraram.
-Eu também.
Sorrisos.

terça-feira, 25 de março de 2008

We always want what we can't have


Porque, hein? A gente nunca tá satisfeito com nós mesmos e sempre que mudamos de idéia as coisas resolvem dar errado.
"Eu não posso te esperar pra sempre, sabe?"

domingo, 23 de março de 2008

Olha oque eu achei no meio de umas coisas velhas:

"Primeiro apenas alguns pingos, depois muitos, vários, toneladas deles caiam sobre a cidade. A noite estava chegando e com ela as pequenas estrelas se acendiam lá no céu e as luzes da cidade despontavam, uma a uma, como vaga-lumes. Perdidos em alguma esquina, um homem e uma mulher discutiam fervorosamente. Quer dizer, ela discutia fervorosamente. Ele apenas a olhava com aqueles olhos azuis-marinho, esperando pelo momento em que ela o deixaria falar. Demoraram para notar a chuva, mas quando aconteceu, se calaram. Ou melhor, ela se calou. Na escuridão interrompida pela luz fraquinha de um poste alto, ela procurou pelos olhos dele, ansiosa por saber oque ele diria. Os cabelos dela negros e longos pendiam encharcados sobre suas costas, a camiseta rosa claro fez-se quase transparente por conta da água e grudara em seu corpo, incomodando-a. Seus sapatos pareciam pequenos lagos sob seus pés. Achou-os e demorou-se um pouco por ali, nos grandes olhos de seu amigo tão querido com o qual ela agora discutia. Ele abriu a boca pra falar, mas nenhum som saiu. Passou a língua pelos lábios, sugando os pingos. Fechou a boca, abriu-a e tornou a fechá-la. Limpou a garganta uma, duas vezes. Respirou fundo, estalou os dedos e disse num sussurro quase inaudível:
-Eu te amo, Megan.
-Perdão?
Ela não ouviu, ele pensou. É a chuva, a chuva não a deixa me ouvir.
Deu alguns passos pra frente e repitiu:
-Eu te amo, Megan.
Ela tapou a boca com a mão, chocada.
-Você.. Está falando sério, Adam?
-Acha mesmo que eu brincaria com algo assim?- afrouxou a gravata, passou a mão nos cabelos ruivos- Amo você. Amo cada trejeito seu, cada mania, cada fio de cabelo negro de sua cabeça. Amo o jeito com que você põe a mão na boca quando se assusta, o jeito com que você torce o cabelo entre os dedos quando está distraída, o jeito com que você morde seu lábio inferior quando está nervosa.
Megan sorriu inclinado, tímida.
-Amo seu sorriso inclinado, sua risada, seus olhos, suas mãos, seu nariz.- Amo cada sarda sua, o timbre de sua voz, suas covinhas quando sorri, teu jeito macio de andar, o jeito com que levanta a sobrancelha direita quando está concentrada. Amo suas roupas, seus sapatos, as coisas que você escreve, o jeito como você trata as pessoas.. Eu te amo, Megan. De verdade. Posso te beijar? Agora?
Megan sorriu e colocando-se na ponta dos pés, sussurrou:
-Achei que você nunca fosse pedir.

Ila M. Marinho, 15/04/2007."

Adoro mexer em coisas velhas, às vezes a gente acha umas coisas tão bacanas!

quinta-feira, 20 de março de 2008

My heroes

E quando você acha que tudo vai dar errado e que a única solução é se enfiar num buraco e morrer, seus amigos aparecem e salvam o dia. Eu sempre achei mesmo que 'amigo' fosse sinônimo de 'herói'. Então eu só tô aqui pra agradecer a vocês, meus heróis -e que não vão ler isso, infelizmente- , por estarem sendo tão bons para mim. A maioria está se perguntando "Oras, mas oque foi que eu fiz de tão bom assim?" e eu digo que não foi nada grandioso o suficiente pra VOCÊ se lembrar. Provavelmente foi algo que você disse, um abraço especial, ou cafuné, um elogio, um sorriso, mas que me fez sentir melhor e me sentir amada. Obrigada, lindos. Eu amo vocês.
[Os figurantes que se danem :D]

terça-feira, 18 de março de 2008

Um penhasco



"-Oque você vê nele? Porque.. na boa? Nossa.. não sei realmente o que você vê nele! Não sei porque ele mexe tanto contigo..
-Ai, velho.. Oque eu vejo nele eu não sei, mas adoro o jeito como ele me abraça por trás e me segura pela cintura. Amo a sensação da boca dele no meu rosto e da mão dele nas minhas costas. Adoro quando ele passa o dedo ao longo da minha coluna enquanto a gente conversa e tenho vontade de agarrá-lo toda vez que ele me lança um daqueles meio-sorrisos que só ele tem, principalmente quando vêm acompanhados de um olhar meio 43. Adoro quando ele me abraça e eu posso colocar o meu rosto no pescoço quente dele, adoro o cheiro dele e quando ele me dá beijos na testa. Amo o fato dele ser considerávelmente mais alto que eu, amo o tamanho da mão dele e quando ele fala baixinho no meu ouvido. Amo oque ele fala pra mim e gosto de como ele me provoca. Ele mexe comigo, droga. Tem que ter algum motivo pra isso?"


[Não, eu não estou apaixonada. É só que ele mexe MUITO comigo! E se apaixonar por ele nesse momento seria a coisa mais idiota a se fazer..Se alguém falar que eu tô apaixonada, vai apanhar, porra! Grr.]

segunda-feira, 17 de março de 2008

Nada de maldade

Vou me enfiar num buraco e morrer.

domingo, 16 de março de 2008

Escorrendo pelas mãos

Eiei, você tá vendo isso escorrendo das minhas mãos? É o controle da situação. O controle que até a pouco eu tava segurando com tanta determinação e agora.. Simplesmente tá indo embora. Eu tô perdendo o controle do controle da situação. E eu não sei oque fazer para tê-lo de volta sem alterar nada. Eu odeio essa sensação de impotência, de não poder fazer nada, droga. Quero meu controle e minhas certezas de volta. Quero não precisar me conter, quero não ter que me preocupar se as coisas estão correndo bem, quero não ter que não admitir, quero não sentir essa merda, quero conseguir lidar e tratar igual, quero conseguir não me importar com oque certas pessoas pensam de mim, quero poder ter a hora que eu quiser sem nada nem ninguém pra atrapalhar.
Mas principalmente quero o controle da situação de volta.

sábado, 15 de março de 2008

É só comigo

ou a vida de vocês também tá uma loucura?

terça-feira, 11 de março de 2008

The sound of music

Era um apartamento pequeno demais, velho demais, cheirando demais a mofo e mal localizado demais, mas ele não se mudaria dali nem se pudesse morar em qualquer outro lugar de graça. Amava morar ali. Não pelo apartamento ou pela vizinhança no geral, mas por conta de quem morava no apartamento ao lado do seu. Era uma violinista quem morava no 18B.
Todos os dias de manhã ela tocava durante duas horas. Ele usava o treino matinal dela como despertador. A acústica do prédio era péssima, por isso era possível ouvir cada nota que ela tocava.
Ela começava às 8h com Jesus Alegria Dos Homens, acordando-o gentilmente.
Ele comia pão com ovos e tomava uma xícara de café ouvindo-a tocar o Cannon de Pachelbel.
Procurava meias limpas enquanto ela tocava J'Y Suis Jamias Allé.
Fechava os olhos e bebericava mais café, prestando atenção nas notas mais agudas de uma composição de Vivaldi que ele não sabia o nome.
Saía de casa e descia as escadas ouvindo-a tocar Apologize (um sucesso da época da adolescência dele) cada vez mais baixinho, à medida que se distanciava de seu andar.
Ele chegava em casa a tempo de pegar a violinista do 18B entrar em seu apartamento. Ela sorria pra ele, murmurava-lhe um 'Boa noite', colocava os cabelos vermelho-fogo atrás da orelha e enfiava-se porta adentro logo atrás da caixa verde-musgo de seu Stradivarius. Ele ainda ficava do lado de fora, encarando a porta de madeira vermelha com um '18 B' em letras velhas e enferrujadas de latão presas à porta, por uns bons 5 minutos.
Ia dormir ao som de Comptine Dún Autr Été adaptada para o instrumento em questão.
Todo dia era assim. Às vezes ela mudava o repertório, de forma que ele não enjoava do repertório usual.
Ele não se mudaria daquele apartamento pequeno demais, velho demais, cheirando demais a mofo e mal localizado demais por nada desse mundo.
O Pirata-Ave Sangria.

quinta-feira, 6 de março de 2008

My dear pirate

My ear is near to your heart and I can hear you breathing. I can feel your heartbeats and the smell of your skin will linger on me for days. You are saying sweet words that are sliping off your mouth and sinking on me. In a minute or two you will get back to your ship and to your crew, but won't leave me. Even you're gone I know you're with me. You promisse me this in the first time that you went out to the sea, and since this it's how it works. You go to the sea, I stay in the land and yes, we are apart, but you are inside me and I am inside you so we never leave each other. Cause we don't need to be side by side to be together. So when you come to land smelling like beach, with the skin color of the sun and the smile shining as the star you gave me once you give me a breath-taking hug and I lay down on your lap hearing you say those sweet words, telling me how was the navigation this time and feeling the warmth of your hand upon my head. Then you give me a shell to my collection, change rings with me and give me a kiss. A long and soft kiss. Sometimes you whisper 'I love you' in my ear and then hug me again. I smell you deeply and you go. To the sea. Once in your ship, you turn back to me and smile. With this goodbye smile you say to me that you love me more than your ship, your crew and the sea. And this makes me no longer scared of losing you to waves.
Oh, my dear pirate..

terça-feira, 4 de março de 2008

Palavras


Engraçado como as palavras mudam, destroem (?) e constroem sentimentos e situações, não acha? Engraçado como a gente pode ficar completamente emocionalmente abalado por conta de tais palavras ditas em péssima hora por alguém que você nunca pensou que diria o que disse. Ou como outras palavras podem simplesmente nos devolver a vontade de viver que as palavras anteriores tiraram de nós tão bruscamente. Ou como as mesmas palavras, em outra ordem, com alguns acréscimos e perdas podem formar descrições totalmente inúteis sobre como as palavras organizadas de certas maneira e ditas em certa hora e por certa pessoa nos fazem sentir.
Engraçado como as palavras significam tanto nesse mundão louco.
Quando é que você diz 'eu te amo'?