quarta-feira, 30 de abril de 2008

Você passou

Quer saber? Acho que passou. Fácil esse lance de desapaixonar, né? Achei que fosse ser muito difícil parar de 'amar' você, mas não foi.. Doeu, mas foi fácil, rápido. É, seu 'tratamento de choque' funcionou. Brigada pelo que você me proporcionou, brigada pela febre do teu corpo infectando o meu, brigada pelo teu sorriso inclinado, pela tua respiração no meu pescoço, por ser tão lindo comigo (é, nem sempre, mas na maioria das vezes), por me conhecer tão bem e por não ter me forçado a declarar os meus sentimentos tão intensamente adolescentes. No regrets and no emotional debts.
"And as we kiss goodbye the sun sets.."

domingo, 27 de abril de 2008

A verdade; crua e nua


- Você tá me entendendo, Ila? Oque eu tô dizendo é que você pode ter o menino que você quiser, sabe, e fica aí se arrastando atrás de um cara que simplesmente não se importa. Ele não se importa! Gata, supera! Põe essas pernocas lindas que Deus te deu pra fora e sai, vai se divertir, beijar na boca, dançar!
- Mas, Helena.. Eu tô apaixonada!
- É, gata, eu sei.. E eu não disse que fazendo tudo isso você vai desapaixonar, eu disse que vai te ocupar, tá me entendendo? E estando com a mente ocupada, você acaba pensamento menos nele e aí, consequentemente, você desapaixona.
- Eu sei, eu sei.. Mas parece que o universo conspira contra mim, sabe? Em tudo quanto é lugar, em cada pessoa na rua, a cada suspiro, cada graminha no chão me lembra ele. Ontem eu tava com o meu pai no Brasília -a gente tinha ido ver Quebrando a Banca, que by the way, é ótimo!- , daí a gente passou na frente daquela loja de chapéu, sabe? Poisé. Lá na vitrine, bem na minha cara, tinha um chapéu igualzinho oque ele tem. Tá vendo, Nena? O Universo conspira contra mim.. E as proporções dessa conspiração todas são tão grandes a ponto de me fazer quase chorar na frente de uma vitrine no Brasília Shopping, do lado do meu pai. Estou ridiculamente apaixonada, de um jeito que eu nunca pensei ser capaz de estar. Sempre me julguei muito fria pra esse tipo de coisa, mas agora.. Agora até quem me vê na fila do pão na padaria, sabe que eu tô apaixonada. Tá escrito na minha testa!
- Taí.. Isso é um problema! Ele pode saber que você o quer, mas não toda hora.
- Sei.. E como é que eu faço isso?
- Audrey. Seja Audrey.
- Porra, Nena, isso é difícil!
- É, eu sei.. Eu não fui capaz. Tamanha elegância, discrição e glamour são demais pra minha pessoa. Mas veja bem, meu bem, você já é naturalmente glamourosa, diva, vai ser bem mais fácil pra você do que foi pra mim. Confia.
- Obrigada pela parte que me toca, Nena.
- De nada, de nada.. Olha, gata, eu tenho que desligar, outra hora a gente se fala, tá?
- Tá. Brigada, doutora Helena.
- De nada. Te vejo semana que vem, aqui no consultório, no mesmo horário?
Risadas.
- Claro, claro..
- E não se esqueça..
- 'Sorrir é o melhor remédio'?
- Também, mas oque eu ia dizer é: NÃO SOFRA POR UM SER ATARRACHADO A UM PINTO, GATA! Eles não merecem isso. E você também não.
Essa é a mais pura verdade. Ele não se importa. Era pra doer do tanto que tá doendo ou é só porque eu tô apaixonada? Acho que eu nunca usei essa mesma palavra tantas vezes em um post só.. Preciso de um drink. Ou de qualquer coisa dessa procedência.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Full of freckles

Tinha olhos de verão e era dona do sorriso mais doce que eu já vi. Encontrei-a num impulso de ir tomar sorvete numa sorveteria de esquina; estava sentada na calçada vestindo uma camiseta surrada dos Sex Pistols e jeans de grife. As mechas ruivas sedosas emolduravam seu rosto sardento, o resquício de Sol e as primeiras luzes da cidade iluminando-a angelicalmente. Sentei-me ao seu lado, as três bolas de sorvete -chocolate,flocos e limão- derretendo lentamente dentro do pote de plástico. Ela cantarolava Paramore bem baixinho e olhava pro nada. Perguntei seu nome e ela me respondeu numa voz meio rouca, mas suave; Lilly. Ofereci à ela uma colherada do meu sorvete, ela recusou com uma chacoalhada de cabeça, fazendo o cabelo vermelho alaranjado dançar sutilmente atrás de seus ombros e pescoço. Aos poucos Lilly se soltou e a conversa fluiu, conversamos como se já nos conhecessemos há anos. Falamos sobre amor, amizade, ciúmes, comida, metafísica, flores, política, música, tubérculos.. Descobri que ela colecionava chaves e pôres-do-sol e que fumava Camel Light -foi com ela que aprendi a fumar e, obviamente, fumo Camel Light. Talvez numa tentativa de assim prendê-la em mim, vai saber- . Ela me contou sobre seus amores, suas viagens, sua família, seus amigos e eu contei à Lilly tudo oque pude. Aí o Sol foi embora e Lua veio, a primeira Lua cheia do mês. Quando aquela bola branca e gorda alcançou o topo do céu, bem acima de nossas cabeças, Lilly levantou-se, bateu na calça para tirar a sujeira da calçada, me deu um beijo na bochecha, sorriu e agradeceu com sua voz rouca e suave.
-Obrigada. Foi o meu melhor pôr-do-sol.
Girou nos calcanhares e foi embora levando a chave que eu lhe dei e o pôr-do-sol que tivemos juntas, tudo pras coleções dela. Levou também um sorriso meu, mas isso ela roubou de mim. Nunca mais a vi. É, Lilly, foi o meu melhor pôr-do-sol também.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Menta


Eu lá, naquele corredor de gente, de braço dado com alguém que não era você, toda arrumada, salto alto e o escambau. Você lá, do outro lado daquela gente toda, tão longe e tão perto, naquele terno risca-de-giz, o chapéu escondendo um pedaço do teu rosto, você fazendo pose de mau. Eu te sopro um beijo, você pega ele com a mão, guarda no bolso e me sopra um seu. Eu sorrio, depois pisco pra você e você finje ser atingido pela minha piscada. Eu rio e você me dá aquele sorriso. O teu sorriso.


Menina é um bicho besta, né? Em vez de, sei lá, escrever teorias metafísicas sobre tubérculos laranjados, a gente escreve sobre eles. E fala sobre eles. E pensa neles. E sonha com eles. E relaciona músicas com eles. E inventa situações hipotéticamente românticas envolvendo-os..

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Casualmente


Oi, meu amor. Que saudades de você, saudades imensas.. Sei oque você tá pensando e não, eu não esqueci seu aniversário. É que eu só tive tempo de te ligar agora.. Eu sei, parece mesmo uma desculpa esfarrapada meio mal-contada, mas é verdade. Você sabe que é. Eu tô cheio de trabalho aqui pra fazer, você sabe. O pessoal não me dá folga..Tô bem sim, filha.. É, é bom. Acho que se eu continuar nesse ritmo, volto pra casa logo. E você, como tá?.. Como foi a comemoração do teu aniversário?.. Até a Bay foi? Poxa, que legal, hein?.. Espera um pouco, meu amor.. Oi, desculpa.. Não, nada não.. E sua mãe, como ela tá?.. Hahahahahaha! Sério?.. Ela fez um bolo? Mesmo?.. Sei, sei.. E o Luke?.. Ele tá bem?.. Doente? Como assim?.. E ele tá com febre?.. Ah tá.. E ele já tá melhor, né?.. Ótimo, ótimo. Sua mãe levou ele no médico, né?.. Tá.. Meu amor, olha só, eu tenho que desligar, tá?.. É, filha, eu sei, eu também queria conversar mais, mas não dá, meu anjo.. Eu tenho que ir de verdade, tenho que terminar um relatório aqui, senão meu chefe vai cortar minha cabeça.. Tá bem, tá bem.. Eu te ligo quando eu puder, tá?.. Manda um beijo pra tua mãe e pro Luke.. Eu também te amo, filha.. Tchau.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Novo

entre nós, é totalmente dramático demais ficar se deprimindo porque três entidades divinamente amadas e necessárias foram "reposicionadas socialmente" por bad behavior. Sim, sim, é horrível pra vocês que ficaram e vergonhoso pros que foram, mas vamos tentar ver tudo isso pelo lado positivo, ok? Deixe a Pollyana que (infelizemente) existe dentro de você (porque uma dentro de todos nós, não tem como fugir) controlar o seu modo de pensar, amigo! Veja só: cada um dos três mal-comportadinhos vão conhecer pessoas novas, ampliar o círculo social deles; vão também aprender a calar a boca e, assim, se tornar alunos melhores (porque, afinal, esse é o grande objetivo dessa trocação toda e não destruir nossas vidas maravilhosas. Não, amigos, os coordenadores e o corpo docente da nossa querida e amada instituição de ensino não nos inveja por sermos adolescente lindos e vitaminados, eles só querem nosso bem. Por mais absurdo que isso possa soar); os supracitados alunos iluminarão a vida de mais pessoas, assim como eles fizeram com a de vocês; vocês não vão se enjoar.. Eu poderia continuar e continuar e continuar, mas seria cansativo e vocês parariam de ler um pouco antes da metade, então tá bom de exemplos. O importante é que vocês captaram a mensagem ("(...)de amor e paz(...)") que eu tô tentando transmitir à todos vocês (lê-se: enfiar nessas cabecinhas teimosas cheias de nada que vocês todos possuem, amores da minha vida). Certo, bixcoito?
I don't wanna see y'all blue just because of this silly stupid little issue.
Ou talvez queira só um pouquinho.

sexta-feira, 18 de abril de 2008



"Malucada cafona..".

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Socorro!

Alguém me dá o telefone do PROCON que a minha vida veio com defeito.

domingo, 13 de abril de 2008

Tuttifruti

Uma música que ela não conhecia e que lhe dava vontade de comer banana com chocolate tocava alto no carro preto. O pai dela discursava sobre o significado da vida ou algo menos profundo ao volante, os cabelos longos já grisalhos dele dançando com o vento que entrava pela janela aberta. Ela não estava exatamente ouvindo o que o pai dizia, observava a cidade ao seu redor, os carros que passavam zunindo por eles, as janelas dos prédios, quem estava dentro das janelas. Seu pensamento em qualquer lugar, voando aleatoriamente. Volta e meia ele demorava-se um pouco mais em alguns lugares, levantando voô novamente algum tempo depois. Ela fez uma bolha com o chiclete rosa que estava mascando, encheu-a de ar até estourá-la. Mascar chiclete é ótimo pra quando você não quer pensar em nada, assim como beber alguns copos de qualquer-coisa-álcoolica é ótimo pra quando você quer organizar os pedaços na sua cabeça.

Creio eu que perdi de vez o controle da situação. Hmm.. na verdade eu meio que dei isso pra ele. Dei o controle pra ele, junto com os beijos de quinta-feira. Eita bagaço, e agora?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Respiração acelerada.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Observações aeroplanas

embaixo, na cidade, os carros passeavam como vaga-lumes, indo e vindo freneticamente. Os passageiros do avião já estavam quase todos acordados, catando suas coisas, conversando, animadíssimos para chegar em casa. Ele não. O quanto mais demorassem para pousar, melhor. Fazia muito tempo desde que partira, e ele não sabia ao certo se a cidade ia recebê-lo bem, se é que você me entende. Ele não queria enfrentá-los, não queria dizer à eles porque partira tão repentinamente, sem direito a aviso prévio e nem sequer um 'adeus'. O medo estendia-se junto com toda aquela terra lá embaixo, até onde a vista alcançava. Talvez até um pouco além disso. Uma senhora rechunchuda com cabelos vermelhos demais pôs-se na ponta de seus pés pequeninos para apanhar uma sacola de tubérculos que ela depositara no bagageiro quando embarcou, mas eram tubérculos demais e senhora ruiva rechunchuda de menos de forma que em poucos segundos o chão do avião ficou salpicado dos tais. As crianças barulhentas cataram tudo em tempo recorde, recebendo tapinhas leves da senhora nas cabeçinhas sujas como agradecimento. Ele apenas observou tudo, sentindo nojo de si mesmo por motivos diversos. Bebeu o restante do uísque que restara no copo e levantou-se para apanhar suas coisas, batendo o pé em algo distorcido embaixo de sua cadeira. Abaixou-se e apalpou o chão ali,encontrando um tubérculo da senhora ruiva. Agarrou-o o colocou-o no bolso do casaco. Depois recolheu sua bagagem de mão e sentou-se no braço da poltrona onde estava sentado. Ele precisava de mais um drink, mas já não tinha mais tempo. Quando o avião pousou, ele foi ao encontro da cidade só com a cara, a coragem e a bagagem de mão. Ah, e com o tubérculo, é claro!
Boa sorte, meu amigo.

sábado, 5 de abril de 2008

Ipanema



Você vai lá me buscar pra dar um passeio na praia tomando sorvete. Eu ouço a sua risada se misturar com o marulhar das ondas e a gente chega mais perto do mar pra deixar as ondas lamberem nossos pés. A gente deita na areia e meu cabelo fica cheio de grãozinhos só pra você poder tirá-los penteando meu cabelo com seus dedos. Depois o mar engole um solzão laranjado e as estrelas e os vaga-lumes tomam conta de tudo. As estrelas, o mar, os vaga-lumes e a gente lá. Eu tenho um sotaque carioca natural muito charmoso que faz você querer me beijar. Você me beija e aí eu acordo. Em Brasília. Um solzinho morno e bacana aquece o meu rosto e pescoço, me lembrando da sensação gostosa que eu tenho quando sua mão tá na minha cintura ou no meu rosto, no meu pescoço. O ar tá com cheiro de canela, eu com cheiro de sono e a minha boca com um gosto engraçado de sorvete de flocos. O daquela sorveteria em Ipanema, pertinho do calçadão. Depois de levantar e me espreguiçar, ligo o rádio. Uma música totalmente praiana começa a tocar e eu me lembro do sonho. Deito de novo, morrendo de vontade de água de coco, de Ipanema e de você.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um brinde!



Centenas de jovens iam e vinham no salão abarrotado, o álcool circulava livremente e já passava das 2 da manhã. Um par de garotas forçou passagem para fora da pista de dança rindo e conversando alegremente, segurando as sandálias recém descalçadas nas mãos, com os cabelos bagunçados pela dança e as bochecas levemente coradas. Dirigiram-se até uma mesa desocupada parando para 'roubar' do garçom duas taças de champagne e para cumprimentar outros convidados. Sentaram-se uma de frente pra outra, depositaram as taças na mesa e as sandálias no chão. A morena lambeu a ponta do dedão e esfregou-o no tecido vermelho do vestido, tentando remover uma mancha que surgiu misteriosamente na altura de suas coxas, sem sucesso. A meio loira no vestido preto curto riu do esforço amiga.
- Tá rindo porque não é com o SEU vestido, né, espertinha?
- Ué, mas é claro!
As duas riram. Um funk conhecido tocava ao fundo.
"Dança, mexe, não faz esse biquinho. Vem cá, neném, não faz assim com o seu neguinho..."
- Eiei, cherrie?!- a morena repentinamente endireitou-se na cadeira, os olhos brilhando.
- Fala, xú!
- Vamos fazer um brinde?
As duas olharam para o par de taças cheias de champagne borbulhando convidativa e tentadoramente.
-Vamos!Um brinde a que?- a meio loira disse com um sorriso radiante.
As meninas estenderam os dedos finos e delicados com unhas bem manicuradas , agarrando levemente as taças.
-Às festas!
-E ào álcool!
-Absolutamente!
O vermelho e o preto riram, divertindo-se incrivelmente.
-Talvez seja melhor uma oração de agradecimento.
-Hmmm..Ok! Obrigada, Senhor, pelas festas, pelo álcool, pelas música..
-Pelos do sexo oposto que ficam tão maravilhosos em ternos escuros e chapéus estilo Justin.
Explosão de gargalhadas.
-Pelos 15 anos de todas as meninas do mundo!
-Por nossos queridos e amados papais que nos permitiram vir a essa festa tão esplêndida!
-Por podermos nos apaixonar!
-Mesmo que por cafajestes que não nos merecem!
-Pelo beijo na boca!
-Por beijos não serem contratos!
-Por nossas vidas tão maravilhosas!
-E por sermos tão lindas!
Rindo, bateram de leve uma taça na outra e entornaram em suas respectivas gargantas todo o conteúdo que ali havia, engolindo de uma vez. Fizeram caretas por conta da grande quantidade de álcool que bateu de uma vez em seus fígados, explodindo em gargalhadas logo depois.
Um par de rapazes vestidos com ternos escuros, paletós abertos deixando a mostra camisas sociais brancas com alguns botões abertos, mãos nos bolsos das calças, Adidas nos pés, sorrisos radiantes nos rostos e cabelos bagunçados e suados postaram-se ao lado das meninas. Sexys, sexys.
O que estava usando um chapéu-Justin, retirou-o de sua própria cabeça e enfiou-o gentilmente na cabeça da morena, sorrindo logo em seguida.
-Fica bem em você.
-Obrigada- ela respondeu devolvendo o sorriso.
- Eu sou Ila.
- Eu quero dançar com você.
Os dois riram, ele estendeu sua mão, ela a aceitou e os dois se afastaram sorrindo e sussurando. A morena se virou e piscou pra amiga, que piscou de volta e mexeu os lábios, dizendo pra amiga em silêncio um "Vai nessa, gatinha!".
O outro segurava a gravata azul-bebê nas maõs. A meio loira sorriu, ele sorriu de volta, estendeu a mão e sussurou:
-Vem, vamos dar uma volta. Eu sou Alix.
Ela sorriu.
-Eu sou Ana.
Centenas de jovens iam e vinham no salão abarrotado, o álcool circulava livremente, já passava das 2 da manhã e noite só estava começando.

[Só vai dar a gente na festa de sábado, sexy girl!]