terça-feira, 27 de maio de 2008

Colecionador

"- No que está pensando?
- Que você acabaria me fazendo essa pergunta. É difícil suportar o silêncio tranqüilo do outro. Ou de si próprio.
- Bem, já fez sua observação inteligente, me impressionou. Agora diz: no que estava pensando?
- Minha mente estava n’um redemoinho de planos, estratégias, sensações, imagens, onomatopéias, livros que tenho de ler, cheiros, espinhos... As idéias andam meio abstratas, não paro de fazer listas recheadas de substantivos. (...)"
Helena.

Sentei e joguei a bolsa na cadeira vazia ao meu lado. Dei uma boa olhada no ambiente: um café pequeno e aconchegante que cheirava a croissants e chocolate quente, tão igual a todos os outros espalhados por aí, tão tipicamente europeu.
Eu vagava meio sem rumo, calçadas pra cima e pra baixo, irritada por motivos irrelevantes, antes de resolver entrar no tal café. Estava desanimada demais pra continuar caminhando e mesmo que lá fora o dia estivesse lindo e ensolarado e o verão acontecesse a todo vapor, eu ainda me sentia incomodada sem nenhum motivo aparente. Provavelmente a causa de toda minha irritação era eu mesma, mas na época eu era simplesmente orgulhosa demais pra admitir isso.
Pedi um croissant de chocolate e um chá gelado para uma mocinha miúda e com a pele num tom pálido-doente que voava de um canto do café ao outro, atendendo clientes alegres que falavam alto e riam pelos cotovelos. Ela parecia tão irritada quanto eu. Minha cabeça latejava.
Ele entrou sem fazer barulho, mas mesmo assim sem passar despercebido. Senti uma brisa agradável roçar nas minhas pernas e meu nariz foi inundado pelo cheiro de mar, de pirata que saia dele.Pareceu que todo o ar presente no lugar desapareceu por um instante, voltando de uma só vez e sufocando minhas narinas com todo aquele cheiro de mar.
Foi até o balcão do caixa e pediu um maço de Malboro, do vermelho não do azul. Vi que ele tinha os calcanhares cheio de maresia (aquela brisa que vem do mar) e o bolso cheio de sorrisos. Depois virou-se para onde eu estava sentada (bem pertinho da janela, numa mesa para três) e ficou me encarando por um tempo. Tirou um cigarro do maço, colocou-o na boca e deixou-o ficar ali, pendendo de seus lábios.
Quando vi ele já tinha se sentado na minha frente e perguntava com uma voz rouca de onda quebrando se eu tinha fogo. Lembro de pensar que ele era todo praia e que o sorriso dele me causava arrepios. Notei que ele tinha um spike azul na língua e que mordia o lábio quando não estava falando ou sorrindo ou falando sorrindo.
Respondi que sim e meti a mão na minha bolsa, a procura de um isqueiro que eu sempre carregava comigo. Demorei um pouco pra achá-lo e ao entreguá-lo ao Calcanhares De Vento, me desculpei pela demora e ele riu. Acendeu o cigarro num gesto rápido, deu um tragada, respirou fundo e começou um papo sobre como o dia estava lindo lá fora e por isso eu não deveria ficar me escondendo num café abarrotado de gente, e sim sair e passear pelas ruas, sorrindo.
Ele ficou ali falando e sorrindo, sorrindo e falando e falando sorrindo, fumando calmamente seu cigarro e me olhando com aqueles olhos de mel dele. A garçonete apareceu com meu croissant e com meu chá gelado, mas eu nem olhei pra comida, quanto mais pra ela. Não consiguia tirar meus olhos dos olhos dele, do verão todo que emanava dele, e quando dei por mim já estava toda sorrisos.
Ele foi embora alguns cigarros meus e deles depois e o resto da minha semana foi toda verão e eu nem sabia o nome dele. Só depois entendi que Calcanhares De Vento colecionava sorrisos.
Hobby engraçado esse, né?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dish washer

Penso na vida quando lavo louça. Me desligo completamente do mundo externo, e naquele põe-e-tira de sabão, naquele 'vai-e-vem' de água, com certeza perco alguns pensamentos. Devo deixá-los cair num momento de distração, eles se mesclam com aquele mundo de espuma e acabam escorrendo pleo ralo quando toda aquela espuma é exaguada. Ou vai ver eles se desgrudam da minha cabeça, encontram uma bolha de sabão (eu sempre faço bolhas de sabão quando lavo a louça) e se perdem na imensidão da minha cozinha cor-de-bisavó. E, oras, vocês sabem como é, depois que se perde um pensamento é muito difícil de reavê-lo, principalmente se ele escorre pelo ralo junto com a espuma! Quando eles encorporam bolhas de sabão, então.. Nem se fala! Eles se partem em pedacinhos e se espalham pela cozinha depois que a bolha explode.. Muito chato, perder pensamento pra bolha de sabão.


More interesting than lies people tell is what they say to cover the lies up.

sábado, 17 de maio de 2008

Constelações de sorrisos


Da primeira vez estávamos deitados lado a lado naquela grama verde hipnotizante, lembra?

Eu, você, a lua, as estrelas e aquele vaga-lume que vagava meio bêbado. Ah, claro, e aquele céu de veludo em cima das nossas cabeças, em cima do mundo..
Você tava brincando com as estrelas, penteando meu cabelo com seus dedos e fazendo comentários ocasionais sobre como todas as constelações daquele céu de veludo refletiam nos meus olhos, oque fazia com que eu tivesse pequenos céus no lugar de olhos.
Aí você roubou aquela lua enorme e perolada e colocou ela no seu sorriso, só pra mim.
Sorriu pra mim um sorriso cheio de lua e eu sorri de volta.
Você disse que quando eu sorria era como se o sol nascesse, eu disse que meu sorriso era seu e você me beijou e foi como se o mundo todo parasse de uma vez e eu senti aquilo na barriga, aquele friozinho, sabe? Suspiro de virgem, eu acho.
Eu te abracei, mergulhei meu rosto no teu pescoço e aspirei o mais profundamente que o pude, guardando em mim um pouco do teu cheiro de cigarro, álcool e laranja.
Você deslizou seus dedos toque-de-nuvem pela minha espinha e os pêlos da minha nuca se arrepiaram ao seu toque.
Daí, bem lentamente, você colou sua boca no meu ouvido e disse. Sua respiração tinha cheiro de beijo.
- Eu te amo.
Eu não precisei dizer nada, só abracei você mais forte. Foi o suficiente pra você saber que eu também.
E a gente ficou lá, pelo tempo que pareceu uma vida inteira, respirando juntos, trocando beijos, sentindo o coração um do outro pulsar nos nossos pescoços.
Mas do que eu me lembro mais claramente é daquele vaga-lume meio bêbado e do seu cheiro de cigarro, álcool e laranja.
Meu cheiro favorito.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Soneto de Amor Enterno

Diz a lenda que os deuses gregos estavam muito entediados, por isso criaram os seres humanos. Mas os humanos não foram 'capazes' de saciar o tédio dos deuses, então eles criaram o amor, acabando enfim com todo aquele tédio. E os deuses ficaram tão admirados com oque eu amor pode fazer que resolveram provar por eles mesmo. Então eles criaram o riso, para que pudessem suportá-lo.
They had been walking for a while when she, in a low whisper, taking a deep breath and hesitating for a few seconds as if seeking for some kind of courage, called him:
- Aaron?
- Sophie?
- Can I.. I mean.. I want to.. Kiss you. May I?
For a moment, she could not hear he breathing for his breath had vanished in the middle of the city noise, the come and go of the cars, the wind, their own steps. And then she felt it. Cold and thick fingers envolving hers and forcing her feet to stop right where they were. She turned to him and find out the he was already looking at her. They stopped under some trees and as they stopped was like the whole world stopped with them and nothing was making noise at all but their breaths. He got close to her, theirs noses almost touching. Then he said, in such sexy, whispered voice:
- I thought you would never ask.
He smiled her a smile that could turns all the trees around in water and give to all the little birds flying close to them a heart attack. Then putting his left hand around her waste and holding her nape with the right, he kissed her. A enviable kiss, one of those movie ones. And for a sec that seemed like the eternity she felt him and just him and the stars in the sky twinkled and the fireflies danced with the silver moon sparkling and with that kiss, every little being and not-being in the whole Universe knew that they were meant for each other, so the world laughed with such great joy that even the stars and the others planets were envy of so beautiful happyness.
You know, indeed it's quite true that we could not stand love without laughs and smiles.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Aquarela

E enquanto ela avançava pela calçada, com as sandálias nas mãos, um cigarro queimando pendendo dos lábios e os amigos bêbados atrás, rindo feito hienas desgarradas, o céu se tingia de rosa, laranja, vermelho numa aquarela agoniada, como se o Sol pintasse as nuvens com pressa. Os fiozinhos brancos caractéristicos da sua geração escorriam de seus ouvidos, e os fones presos a eles sussurravam pra dentro dos ouvidos dela melodias cantadas por uma voz inacreditavelmente macia e que lhe dava vontade comer banana amassada com açúcar.
Papapapapa
Will I have to try again
So papapapapa
For you to understand?
E tudo se completava de uma forma magnífica. A aquarela lá no céu, a música sussurrada em seu ouvido, as risadas que a seguiam, o estado em que ela se encontrava (sandálias nas mãos, cigarro pendendo dos lábios, com a roupa, o cabelo, o cheiro e maquiagem da noite anterior).
E tudo vai sumindo bem diante dos teus olhos..

domingo, 11 de maio de 2008


Descobri hoje que eu não tenho compromisso nenhum para com ninguém além de mim mesma, que eu não devo satisfações pra nenhum e qualquer ser respirante e não respirante de todo e qualquer planeta, que eu não devo NADA pra nenhum de vocês (talvez um ou dois reais que eu peguei emprestado outro dia, mas nada além disso!), que a minha felicidade depende única e exclusivamente da minha pessoa e que a partir de então eu não reconhecerei e recusarei qualquer responsabilidade pela felicidade de quem quer que seja. Virem-se. Vocês são responsáveis pela própria felicidade e estamos um ao lado do outro apenas para ajudarmo-nos a encontrar a tal supracitada e mantê-la. Namorados, affairs, melhores amigas, amigas, colegas de classe, tias, papagaios, mães, irmãos, cachorros, galinhas, o Papa, a Hayley, etc estão aqui apenas para te apoiar, meu amigo! Não tem pra onde fugir! Não dá pra impor ao outro a missão de encontrar a tua felicidade, de te fazer feliz, isso é contigo! We are just a hand to hold, the rest is up to you.


[Desculpa roubar tua foto, Nalú]

terça-feira, 6 de maio de 2008

I don't shine if you don't shine


Da primeira vez que vi Teresa não vi mais nada além dela. Seus olhos eram de todas as cores, sua respiração era o ritmo da minha e a Lua testemunhou quando o sorriso dela me roubou.

Da segunda vez que vi Teresa seus olhos eram cor de tristeza, seu sorriso já não me sorria mais, não houve Lua, Sol ou estrelas, mas ainda respirávamos juntos.

Da última vez que a vi, Teresa me sorriu um sorriso triste com olhos sem cor de Teresa e foi respirar sozinha ou ser o ritmo de outra respiração, não sei. Sei é que nem raiva eu consegui sentir. Não sei sentir raiva de olhos desbotados, muito menos de olhos tristes.

sábado, 3 de maio de 2008

Tá sentindo?Se chama adrenalina.

Perfeito. Odeio essa palavra. Acho clichê, brega, ridícula, exagerada pra caralho, mas nesse caso não há palavra melhor pra descrever. O clipe é perfeito, a Hay é perfeita, o som é perfeito, é tudo perfeito. Sou só eu ou todos vocês também se sentem como tietes ridículas(os) dispostas(os) a fazer qualquer coisa (dentro dos parâmetros do possível e do viável, obviamente) pra conhecer os ídolos (Hay, we love you!)?
Agora faz o seguinte, pega essa adrenalina toda de fã enlouquecida(o) que você tá sentindo aí no seu coraçãozinho e multiplica por 80 gazilhões. Multiplicou? Poisé. Esse resultado não chega PERTO do que você vai sentir quando estiver lá, no show, aos pés dela, ouvindo a voz da Hay tão pertinho de você, tendo a própria Hay ao alcance da mão (porque, obviamente, nós vamos estar lá, com a cara na grade que separa o palco do público insandecido, como bons fãs que somos, certo? Great!)..
Não inacreditávelmente histérico, bom e ao mesmo tempo anestésico gostar tanto de uma pessoa famosa? Não é, tipo assim, o objetivo (atual) da vida de vocês conhecer os seus ídolos?
Me sinto meio aérea, hetérea, anestesiada, em êxtase, sei lá.. Acho que é o efeito da voz dela..