terça-feira, 29 de julho de 2008

And the stars never fade away

Sentamos no meio-fio e ele puxou um cigarro do maço ainda cheio. Perguntou se eu tinha fogo. Tenho, eu respondi, e tirei da bolsa um isqueiro fino e prateado que refletiu a luz do poste sobre nossas cabeças (o único num raio de 50 ou 60 metros). Ele colocou o cigarro na boca e o deixou lá, pendendo dos lábios, esperando que eu o acendesse pra ele. Acendi. Fiquei olhando enquanto ele assoprava círculos de fumaça no ar frio e depois lufadas de vento as dissipar na noite, uma após a outra. Ele se virou pra mim, o cabelo negro escondendo partes importantes do rosto, o cigarro na mão e uma tranversal azul na orelha que atraía meus olhos feito ímã. O lugar estava escuro, exceto pelo tal do poste que iluminava a gente e alguns pedaços ao nosso redor. Um pedaço de calçada, um pedaço de asfalto, um pedaço de grama um pouco mais atrás. Ele passou a mão livre pelos cabelos e depois de respirar profundamente algumas vezes se desculpou por não ter feito isso antes e me ofereceu um cigarro. Eu aceitei, peguei o cigarro da mão dele, o acendi e soltei uma coluna vertical de fumaça que foi rapidamente dissipada por uma rajada de vento idiota. Me apoiei nos meus braços e joguei a cabeça pra trás pra dar uma olhada nas estrelas. Nada de estrelas essa noite, só uma lua gorda e branca. Muito chato, céu seu estrela. Olhei pra ele e perguntei se aquela desculpa se referia a não ter me oferecido um cigarro mais cedo e ele disse que não. Foi o que eu pensei. Tudo bem se você fizer isso agora. Depois de todos esses anos?, ele perguntou. As palavras dele vieram entre lufadas de ar e baforadas de fumaça e me acertaram bem no meio do rosto. Com força. Respirei fundo e deixei minha mente evaporar, junto com todo o álcool que provavelmente naquele momento estava evaporando do meu corpo. O álcool faz isso, não faz? Evapora, eu quis dizer. É, depois de todos esses anos. As minhas palavras fizeram o trajeto que as palavras dele fizeram, só que na direção contrária e o acertaram bem no meio do rosto. Com força. Ele segurou minha cabeça entre as mãos, com cuidado pra chama do cigarro não queimar meu cabelo e me beijou. E eu o desculpei por ter demorado tanto tempo pra fazer isso. Quando eu abri os olhos, as estrelas se amontoavam umas em cima das outras, disputando metros quadrados naquele céuzão de meu deus. Ele segurou a minha mão enquanto terminávamos de fumar nossos cigarros e durante o resto da noite que sobrou também.

domingo, 27 de julho de 2008

My heart


- Isso tudo me sufoca, não me deixa respirar.
- Isso tudo vai se resolver, você vai ver.
- Eu queria poder ficar aqui com você. Pra sempre.
- Eu também.
"Vai, respira fundo e presta atenção. Tá ouvindo? É o meu coração."
Você acha que isso vai durar? Esse sentimento. Queria poder sentir isso o tempo todo. Faz a gente querer guardar o mundo todo dentro de uma gaveta, só por alguns instantes, enquanto nosso abraço durar. Sua mente tá toda confusa? Porque a minha evaporou há algum tempo.. I felt you heart beating and your warmth invading my body. Can we be like that forever? É mais do que querer estar junto, é querer estar dentro.
- Tô sentindo meu corpo quente, como se eu tivesse acabado de correr muitos quilômetros.
- Eu tô sentindo umas borboletas engraçadas.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

My heart


A voz era suave, entrava deslizando em meus ouvidos e eu a sentia mais próxima do que ela realmente estava, muito mais próxima. A tal da voz vinha de uma porta do outro lado do corredor e me fazia sorrir. Fechei os olhos por uns instantes e me concentrei só naquela voz que chamava meu nome constantemente, guardando todos os outros sons numa gaveta. Uma brisa passou, soprou meu cabelo de leve e trouxe a voz mais pra perto de mim. Eu conseguia senti-la escorrer meus ouvidos adentro, pra dentro do meu coração que bombeava meu sangue cada vez mais rápido. Finalmente resolvi atender ao chamado da voz e abri os olhos, me deparando com você. Você e esse seu jeito desleixado de quem acabou de acordar. Encontrei seus olhos o mais rápido que pude e ficamos admirando o colorido dos olhos um do outro, até que você falou. Não ouve sons, apenas o mexer dos teus lábios, mas foi o bastante.
Eu te amo. E depois mais colorido de olhos.

Tum tum tum tum tum tum.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

My heart


Gosto do teu abraço e o jeito como você segura minha mão, pedindo pr'eu não ir embora. Teus olhos nos meus fazem a ponta do meu nariz formigar e aquele sorriso especial que você tem me dá vontade de não te deixar ir embora nunca. Gosto da tua voz no meu ouvido, gosto das coisas que você diz pra mim, do teu beijo. Você me dá vontade de estar com você.


But when he says that missed me.. I'm finding out that maybe well I was wrong..

domingo, 6 de julho de 2008

Será que é essa ansiedade que vai me matar?

Acordei hoje às 10h e só lembrei que é amanhã quando, depois de tomar café, escovar os dentes, tomar uma ducha rápida e ver a metade final de um filme cheio de sangue e terror sobre vampiros sanguinários e aterrorizantes com o meu pai, esbarrei na grande e gorda mala vermelha que me encarava lá do lado da minha estante. A tal da mala tava ali o tempo todo, me encarando, e eu só a vi quando bati a merda do meu mindinho do pé na merda da rodinha do pé da mala.Pode um troço desses? Eu hein, vou te contar..
De qualquer forma, não vou discursar sobre a minha viagem (em nenhum aspecto) porque não quero que vocês (lê-se: os trouxas que não vão) fiquem tristinhos.
Vejo vocês em alguns dias.
Sintam a minha falta, me desejem 'feliz aniversário' nem que mentalmente quando chegar a hora e aproveitem suas férias, onde quer que vocês estejam.
Carpe diem, amigos.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Je ne se pá


- O que você quer fazer?
- Não sei.. Merda.
- Não sabe?
- Não..
- Porra.
- É, eu sei. Desculpa.
- Tudo bem, eu acho. Consigo esperar você decidir, mas vê se não demora muito, tá?
- Você não pode me pedir isso.
- É inútil, certo?
- Se você me conhece, sabe que é.
- Mas eu não conheço.. Não a ponto de saber se é inútil ou não.
- É verdade, mas agora você sabe: é inútil me pedir pra não demorar a fazer uma escolha.
- Oquêi, vou anotar.
- Combinado.
- Sabe pelo menos se você quer tomar um sorvete agora?
- Depende..
- De que?
- Pode ser de chocolate?
- Do que você quiser.
- Então quero.



A única certeza que eu tenho é que eu não tenho certeza de nada.

quinta-feira, 3 de julho de 2008


Acendi um cigarro e apoei-o no cinzeiro sujo do balcão enquanto remexia em minha bolsa a procura de qualquer coisa que me comprasse uma bebida naquele bar de hotel onde me enfiei. Achei umas notas amassadas e meio lambusadas de gloss sabor cereja e uma carta muito velha e muito, muito amassada. Não me lembrava quem tinha escrito e nem se era pra mim, então a puxei pra fora da bolsa junto com as notas cheias de gloss. As notas me pagaram um dry martíni e me renderam um sorriso do barman notavelmente bonito e interessado na minha pessoa, e a carta me trouxe umas lembranças meio desbotadas e umas sensações engraçadas. Nos papéis já meio amarelados, montes e montes de palavras fizeram meu nariz formigar e sorrisos involuntários roubarem cena no meu rosto cansado. Trechos de músicas se embaralhavam à promessas, desespero, amor, despedida, listas recheadas de substantivos, objetivos e futuro. Muito futuro. Um futuro que nunca realmente veio a se concretizar, um futuro que pareceu ideal na época em que a supracitada fora escrita. A carta não estava assinada e por mais que eu me esforçasse não conseguia me lembrar quem era o remetente, mas tinha certeza de que eu era o destinatário. Senti o barman se aproximando, senti quando ele se apoiou no balcão e senti quando ele sorriu, levantei o olhos do papel e dei de cara com um par de olhos verde-mar e um sorriso do tamanho do mundo, cheio de refrescância dentro.
- Tá fazendo o que?
- Dando uma lida numas lembranças desbotadas.
- E tá pensando no que?
- Agora?
- É, ué.
- Eu tava tentando lembrar quem foi que me escreveu essa carta -não consegui- , daí dei de cara com você aí me olhando e pensei que você deve ter cheiro de menta.
- Porque?
- Pra combinar com seus olhos verde-mar e esse sorriso refrescante que você tem.
Ele riu uma risada gostosa de se ouvir e que combinava com piquenique num domingo de sol e depois que parou de rir ficou me olhando. Só olhando. Às vezes sorria, às vezes se perdia em seus próprios devaneios. Eu voltei a ler e quando terminei ele ainda estava ali, me olhando.
- Acabou?
- Acabei.
- Chega de passado por hoje?
- É, acho que chega.
- Então vem.
Ele pegou na minha mão e me levou embora, sentir o vento que batia no nossos rostos quando a gente andava na moto dele.
Ele tinha mesmo cheiro de menta.