domingo, 31 de agosto de 2008

Acqua


Deitei na beira da piscina, soltei o cabelo e mergulhei-o na água clara e gelada, curtindo a sensação engraçada que dava ter só o cabelo dentro d'água enquanto você está praticamente de cabeça pra baixo. O sol tava forte e eu tive que fechar os olhos. Dia de verão bem clichê.
- O que você tá fazendo?
- Plantando bananeira enquanto frito bolhinhos de arroz, o que parece que estou fazendo?
Ela riu uma risada gostosa e refrescante. Daquelas bem verão mesmo, sabe?
- Não, tô falando sério..
Eu ri enquanto punha a mão no rosto pra tapar o sol e poder olhar pra ela.
- Tô dourando a melanina do meu corpo enquanto molho meu cabelo de cabeça pra baixo.
- Sounds fun..
- Hell yeah, come together!
Ela se deitou ao meu lado, despejou o cabelo castanho na água e posicionou os óculos escuros sobre os olhos. Respirou fundo e deu uma gargalhada.
- Faz cócegas..
Ri. Que dia mais delícia, cara.
- Você vai ficar com a marca do sol no rosto se não tirar esses óculos daí!
Explosão de gargalhadas. 'Hahahahas' voaram pelo ar e misturaram-se com raios de sol, gotas d'água da piscina e verão. Quanto verão!
Num pedaço de qualquer lugar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bem quickly


Saí de lá sem saber o que fazer, com o rosto molhado de suor, o cabelo preso num nó muito mal feito, a bolsa marrom a tira colo pendurada no ombro e um gosto engraçado na boca. Acendi um cigarro pra ver se o gosto passava. Não passou. Soltei o cabelo e prendi de novo, só por prender. Limpei o rosto na manga do suéter, funguei algumas vezes, mas não chorei. Começou a chover e eu resolvi pegar um taxi. Esperei no meio-fio e quando veio vindo um, acenei com a mão, mas ele não parou. Bem vindo à Nova York, eu sussurrei à mim mesma. Morava ali há 3 anos e ainda me chocava o fato dos taxistas por ali não estarem interessados em ganhar dinheiro. Acenei para um segundo e ele parou. Obrigada, moço. O motorista era um careca baixinho com cara de pão-de-queijo e um sorriso besta no rosto que cheirava a café e jornal. Perguntou pra onde eu ia e eu disse pra qualquer lugar, mas como o carro não se moveu -os taxistas nunca levam você à qualquer lugar em Nova York. Existem simplesmente lugares demais para ir- mandei ele seguir em frente que eu ia dando a direção, ele hesitou e eu disse que ficasse tranquilo, eu falava quando fosse pra virar. Ele foi. O carro balançava gostoso e a cidade corria na direção oposta, me deixando meio zonza. Fui dando as direções pro cara de pão-de-queijo e mais ou menos uns vinte minutos depois pedi pra ele parar. Tem certeza, moça?, ele perguntou com a voz esganiçada. É, aqui mesmo, pode parar. Tirei do bolso uma nota de trinta dólares inacreditavelmente amassada e atirei no taxista. Keep the change. Saí do carro e ele sorriu o sorriso besta com cheiro de café e jornal dele e foi embora. Girei nos calcanhares procurando saber em que lugar do centro movimentado de Nova York eu estava e dei de cara com um solzão laranjado e enorme se pondo entre os arranha-céus e árvores daquela cidade louca. Ver aquela bola laranja indo embora, aquecendo com seus últimos raios uma cidade que funcionava melhor à noite me tirou toda a ansiedade que eu tava guardando no peito. Sentei num banco e assisti ele se pôr enquanto a cidade acontecia a minha volta e eu fumava alguns cigarros, e quando a lua sorriu no céu escuro me levantei e fui embora. Pra qualquer lugar.


Desculpem o texto deplorável. Tô com pressa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Não me espera. Eu não volto


- Sabe do que eu preciso? - ela perguntou logo após deixarmos o prédio. O choro preso na garganta e o girassol entre os dedos.
- O que? - eu perguntei num sussuro que foi levado pelo vento.
- Sair daqui.
Fiquei fitando seu par de All-Stars vermelhos por uns instantes. O sol iluminava engraçado os cadarços sujos, fazendo-os brilhar de forma hipnotizante. Levantei os olhos e um monte de quase-cachos quase negros me atingiram o rosto juntamente com um abraço apertado e uma cacetada leve do relógio pesado - e com algumas pedrinhas faltando- que ela levava no pulso. Suas lágrimas frias encharcaram minha blusa e sua bochecha quente fez meu ombro formigar. Permanecemos abraçadas, ela com o rosto afundado no meu ombro, as lágrimas rolando feito cristais por suas bochechas quentes e os All-Stars vermelhos por cima dos meus pretos até seus pulmões gritarem por oxigênio. O que dizer desse segundo?
- Vem. - ofereci minha mão e ela me ofereceu um sorriso em resposta. Entrelaçou seus dedos nos meus e os segurou firme, como se pedisse 'não larga da minha mão'.
Os olhos dela sorriam junto com os lábios, as orelhas e o girassol.

domingo, 24 de agosto de 2008

A tal da Natasha

Me arrependo de ter descoberto da pior maneira possível que você não era quem eu pensei que você fosse, independente de sentimentos e de ter te dito coisas sem pensar, de novo. De resto, não me arrependo de nada.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

É viver


Passos rápidos na grama molhada. Splash. Uma risada e os carros ao longe. Vrum. O vento cortando os rostos. Vush.
- Você tá rindo do que? Eles vão nos alcançar se não continuarmos correndo!
- Estamos correndo! Não vou parar só porque estou rindo..
- E POR QUE você está rindo? Não é engraçado! Estamos encrencadas.. Eu falei pra você que não devíamos ter..
- Cala a boca! Não quero ouvir ninguém me dizendo 'eu avisei, eu avisei'. Será que dá pra você curtir esse momento? Não consegue ver como nossas vidas se desenrolam da maneira mais divertida e proveitosa e como isso aqui, agora, é inacreditávelmente engraçado e eletrizante? Consegue ver com o canto do olho nossas vidas correndo na direção contrarária a toda velocidade? Consegue sentir o teu coração bombeando o sangue pelo teu corpo? Consegue sentir o gosto da adrenalina na boca, sentir o cheiro da juventude? Os segundos se solidificando atrás de nós? É tudo tão mágico. Tenho vontade de ficar aqui pra sempre..
- Correndo?
- É..
- Mas a gente tem que se esconder! Eles vão nos alcançar..
- Não importa. O lugar é aqui e a hora é agora.
Deram-se as mãos. Splash. Vrum. Vush.
- Vem, corre.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vem


Ela tirou-lhe o chapéu lentamente, sem tirar os olhos dos olhos dele. Ele sorriu -e todas as pintinhas de seu rosto fizeram cócegas no nariz dela- enquanto acariciava-lhe o rosto, bem de levinho, fazendo-a arrepiar-se por inteiro. O colorido dançava nos olhos, as estrelas brilhavam no sorriso, o perfume dava voltas no ar e as pintinhas e cílios faziam cócegas. Daí ela o beijou. Na boca. Com suavidade e firmeza, gentileza e fogo, insensatez. Roubaram o ar o um do outro até não mais agüentarem, então encostaram as testas e sentiram o calor dos seus corpos invadindo-lhes pouco a pouco. Até cansar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Andando pelas ruas dessa vida louca conheci muitas pessoas, todas muito diferentes, algumas me chamaram mais atenção do que as outras e é da mais chata delas que eu gostaria de lhes falar.
Suas paixões envolvem receber atenção, abraços sinceros, olhares caolhos, usar máscaras, correr de vez em nunca e o poder das palavras. Já falei em receber atenção?
Por ser uma pessoa muito chata, não gosta de uma série de coisas. Não gosta de peixe, dever de casa, Good Charlotte, tapinhas nas costas, narizes com personalidade ou brincadeirinhas sem graça.
Depois de algum tempo de convivência com tal pessoa acabei descobrindo alguns pequenos detalhes. Você pode não achar importante, mas ela sorri com as orelhas, fala gritando, tem a necessidade de estar em constante mudança, tem sangue pirata gritando por liberdade correndo nas veias, batizou sua criatividade de Scarlett e muitas de suas outras coisas de Jeremy em homenagem a alguém que ela gosta muito, quando telefona sem motivo aparente é por amor demais, sempre solta uma expressão em inglês no meio de suas frases, quer as coisas quando quer e de algum jeito está sempre certa.
Só mais alguém que eu conheci n’um dia qualquer de uma semana qualquer em um mês particularmente agitado, mas que acabou mudando um pouco as coisas. Além de chata veio para bagunçar, ninguém merece.
Quer uma conclusão? uncle fate m.a. tângulo vaga-lume. Xuxu tomatinho chocolate com avelã cores compreensão. Acordos crônicas luzes músicas obrigada.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Só nós e uma noite carioca


A boate abarrotada sacudia com a música alta demais e com o movimento de toda aquela gente dançando, luzes coloridas infiltravam-se entre as pessoas, o álcool rolava solto e todos respiravam diversão, mas para cinco garotas aquela noite significava mais do diversão, significava liberdade.
Uma música meio rock n' roll começou a tocar e todos pularam na batida. As garotas conheciam a música e -caralho!- não havia música melhor pra ser tocada esta noite.

Let's get drunk and drive around
And make peace with this empty town
We can make it right


Jogaram-se na música, saboreando a grandes goles a liberdade recém adquirida e olhando-se de vem em quando. Dançaram como se suas vidas dependessem disso.

Throw it away
Forget yesterday

We'll make the great escape

We won't hear a word they say
They don't know us anyway


Compartilhavam um sentimento -e um apartamento- único e maravilhoso e só de saber que podiam chegar em casa a hora que fosse, bêbadas ou não, que não precisavam pedir autorização à ninguém para nada e que podiam ir aonde quisessem na hora que quisessem com seus próprios carros as deixava extasiadas. Nós amamos vocês, papais.

Tonight will change our lives
It's good to be by your side

And we'll cry

But we won't give up the fight

We'll scream loud at the top of our lungs

They'll think it's just 'cause we're young

We'll feel so alive


Abraçaram-se e pularam juntas, ao som da música, degustando da companhia umas das outras e sorrindo feito bobas. Nunca haviam se sentindo melhor e tinham certeza de que essa sensação ia durar muito tempo. Eram garotas daquelas bem 'trashes', mas tão felizes como quase ninguém nesse mundo é. Elas viviam a vida como a coitada merece ser vivida, com gosto.




Garotas, vocês conseguem sentir essa adrenalina louca que a palavra 'liberdade' + a idéia de morarmos juntas provoca? Não é incrível? I just can't wait!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Bora, tá na hora


Joguei
minha mochila no chão lá embaixo e saí pela janela com as chaves do carro de papai nas mãos. Coloquei tudo no porta-malas bem silenciosamente, pro pessoal lá de casa não acordar, dei partida no carro e fui embora. Já tava na hora. Peguei a Clara na casa dela e caímos na estrada. Pra onde o vento nos levasse. A gente tinha esse acordo desde pequenas.. Ir embora, pegar a estrada e voltar só quando desse que essa vida foi feita pra viver.

domingo, 10 de agosto de 2008

Johanna

"Diz que a gente sempre foi um par.
E a gente sempre vai ser.Que nem feijão com arroz.Tenho em mim um tantão de você que vou guardar pra sempre.Tenho em você uma irmã que vai comigo nessa vida,não importa o que aconteça.Tenho em mim uma falta enorme de você,mas tudo bem.Você é a melhor parte de mim.(...)"

Legal mesmo é quando você entende e aceita que os amigos mudam e você também, mas o amor permanece o mesmo. Quando você pára de se culpar pelas mudanças e deixa o teu coração se aquietar.
Você é pra sempre, irmã.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Paquetá


Virando a esquina, me deparei com uma ladeira comprida, comprida que desembocava numa areia branquinha e fina. Areia de praia daquelas praias bem família, sabe?, com um ou dois restaurantes que servem comida caseira, umas velhas gordas tomando sol nas cadeiras de plástico dos restaurantes ou em suas cangas da moda, casais se pegando moderadamente no mar e criancinhas brincando de castelinho e de se enterrar na areia. O sol já tinha sido engolido por aquele marzão azul de meu deus há algumas horas, por isso a praia estava deserta. Família que se preze cata suas tralhas e pega a estrada de volta pra casa assim que o sol é engolido, às vezes até antes. Dei sorte, não queria ver ninguém mesmo. Congelei bem ali, no iniciozinho da rua, respirando fundo de olhos fechados. A vontade veio de repente, a maior vontade de correr da minha vida. Eu sabia que não ia conseguir me segurar, então tirei os sapatos e fui. Aspirei a maior quantidade de ar que meus pulmões conseguiram e saí em disparada. Corri o mais rápido que pude, o vento com cheiro de mar me cortando o rosto, o asfalto áspero machucando meus pés, a respiração entrecortada, o suor brotando na minha testa, no nariz e nas bochechas, a boca ficando seca e quando a dor nos pés ameaçou ficar insuportável (não que eu me importasse muito com a dor, a vontade de correr pra sempre estava em todo meu corpo. Eu era a vontade de correr) encontrei a areia macia e fria, mas continuei correndo. Corri por toda a faixa de areia que separava a calçada das ondas e só parei quando cheguei no mar. Deixei as ondas lamberem minhas pernas durante alguns minutos, enquanto eu recuperava minha respiração e em seguida deixei meu corpo desabar sobre a água. Mergulhei, boiei e nadei um pouco, depois subi a rua de volta, peguei meus sapatos e fui pra casa. Molhada e cansada, mas tão leve que se eu não pisasse com força no chão, sairia flutuando pelo céu de Paquetá.