domingo, 28 de dezembro de 2008

2000inove


Daí de repente a cidade tá toda luz, com pisca-piscas, árvores e enfeites de natal espalhados por todo lado. Daqui a três dias é ano que vem e é aí que a gente pára pra notar como 2008 passou num milésimo de segundo e pra fazer as tais listas de objetivos pro ano que vem chegando, que a gente não vai alcançar simplesmente por falta de esforço; o de sempre. A gente foi pra escola o ano inteiro, fingiu entender matemática e física, deu trabalho pro bedel, matou alguns horários, alguns professores e odiou intensamente cada dia em que houve prova, e enquanto isso os adultos iam pro trabalho e faziam o que tinham que fazer, cuidando e reprimindo a gente ocasionalmente, todo mundo se virando, dentro da rotina, pra sobreviver e ter um ano legal. O de sempre. E sem querer menosprezar 'o de sempre', mas que tal nesse ano novo inovar e fazer diferente? Eu que eu quero dizer é: pra quê se virar pra sobreviver e ter um ano legal se a gente pode muito bem VIVER INTENSAMENTE e ter um ano inacreditavel e indescritivelmente INCRÍVEL?!
Na minha lista de objetivos pro ano de depois de amanhã, o item principal é não me contentar mais com tão pouco e nem com meio, e sim com mais, muito mais ou simplesmente não me contentar, querer o melhor e melhorar sempre. Afinal de contas, all I want is everything.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Tchau


Happy Crismukkah, ano novo vidaloka procês e boa praia (se a chuva assim permitir, óbviamente).
See you in twothousandandnine, folks.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

So what?

Foi mesmo uma loucura. Tinha uma garota usando um bigode como disfarçe, se achando muito irreconhecível e sensual; o padre usava peruca e todo mundo ficou bêbado no final. A garota do bigode pegou o barman gato e depois o introduziu no bolo de casamente enquanto eu passava discretamente o dedo no glacê e roubava uma daquelas rosinhas de açúcar que ficam por cima dos bolos de casamento, sabe? Fiquei com o segurança (alto, forte, careca. Com um terno preto e uma gravata borboleta, no maior estilo doubleOseven) e o noivo me roubou um beijo durante a festa.. Tá bem, unS beijoS. Alguém colocou whisky na minha taça - cheia até a borda de Coca-Cola - e não fui eu, EU JURO! Depois a garota do bigode, agora sem bigode, roubou uns beijos do noivo e alguém grudou chiclete no meu cabelo, tal façanha realizada com muito profissionalismo por sinal; quebrei o salto da garota ainda sem bigode e ela trocou sua sandália com a da mãe da noiva, a Tia Betsy, achando que a dita cuja me pertencia. A sandália, não a Tia Besty. Daí no final, quando todos estávamos bêbados e engraçados, a garota e seu bigode me deram uma carona e eu ainda ganhei um bigode de presente. Ela me deu seu telefone e nós vamos sair amanhã: eu, ela e nossos respectivos bigodes. Acho que vamos penetrar o casamento daquele cara que fez aquele filme que estreiou naquele outro dia.. Vidaloka, mermão.
Mas cá entre nós.. Meio esquisito essa história de bigode, né? Será que tem um nome pra mulheres que se vestem de homens?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Helena sentou-se com as pernas cruzadas em cima da mesa e abriu a blusa.
- Helena, você disse?
- É.
- De Tróia?
- Se você quiser. Eu não acho ruim, ela era a mulher mais linda da Grécia.
Sem nexo, fala. Ou sexo. Eu vou aonde você flor.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Hoje não dá

Já não é mais sobre as suas manias ou o meu jeito de pentear o cabelo com os dedos, já não é mais sobre como você se suja comendo comida chinesa com os pauzinhos ou como a casa fica toda cheia de açúcar quando eu resolvo me aventurar na cozinha sem a sua supervisão. Não é sobre o seu cheiro nas manhãs de domingo, quando o sol se esgueira cortinas adentro e faz carinho em nós por entre os lençóis brancos, não é sobre as minhas cantorias durante os banhos, sobre os sonhos com cheiro de bolo assando ou sobre as margaridas que plantamos no jardim.
É sobre como os cachorros fazem a maior festa quando você vem aqui em casa, sobre como até meu cabelo fica cheirando a você quando nos encontramos e sobre como não faz sentido acordar no domingo de manhã e não sentir seu cheiro-de-domingo-de-manhã. É sobre como não tem a menor graça comer comida chinesa sem você do meu lado se melecando todo e sobre como você ri das minhas cantorias de banheiro e como às vezes até canta comigo. É sobre como é muito melhor quando nós dois cozinhamos juntos, principalmente quando a Valentina está lá pra me ajudar a ser sua ajudante. É sobre quando estamos eu e você, não eu ou você. Não é sobre mim, não é sobre você. É sobre nós.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

The other half


Analisou o esmalte marrom-chocolate-purpurinado enquanto ele secava na unha comprida. Assoprou um pouco dali e daqui, até desistir de olhar o esmalte secar e ir fazer alguma coisa mais interessante.
Pegou o telefone e ligou pra ela. Ia consertar essa merda logo de uma vez.
Levou um maço e meio de Black, quatro latas de Nestea de pêssego e incontáveis litros de lágrimas até que as duas se perdoassem e acertassem as coisas. Nem se lembravam mais o porquê daquela porra toda.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Clumsy

Não me entendo e ajo como se entendesse. Não entendo os outros e ajo como se entendesse.
Oh céus.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Our time now

Rabiscou alguma coisa no papel, me lançou um sorriso torto e colocou minha mão em cima do que tinha escrito, depois voltou sua atenção pr'os números no quadro-negro, fingindo que nada tinha acontecido. Abafei um risinho e espiei por entre os meus dedos o papel embaixo deles. Um Eu te amo em letras espremidas, daquelas bem de menino mesmo, me encarava lá no cantinho da página, seguido de um coração meio tremido.
Essa foi a primeira vez.

domingo, 7 de dezembro de 2008

What are we gonna do now?

A tornozeleira fina balançando no meu tornozelo esquerdo, o zíper daquele casaco enorme batendo na minha coxa e enquanto a chuva caia desesperadamente lá fora, aqui dentro uma sensação engraçada crescia dentro de mim. Meus dedos, os sujos de Nutela e os limpinhos, começaram a formigar e meu coração ficou quentinho, daí bateu uma saudade.. gostosinha. E com essa saudadezinha morna veio também uma certeza muito estranha de que vai dar tudo certo e eu acreditei com todo o meu coração de que vai mesmo, o que foi muito estranho porque eu nunca realmente acredito quando as coisas estão fora dos eixos e as pessoas que se importam contigo vem te consolar e dizer que tudo vai ficar bem, mas acho que é diferente quando você mesma percebe que no fim das contas it's gonna be alright, certo? Acho até que as coisas já começaram a voltar pros seus devidos lugares. Don't be afraid.


"Don't you know it's gonna be alright?
You know it's gonna be alright."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

For some reason I can't explain.
But well..I guess we never explain this kind of thing, do we?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Puxa uma umidade na cadeira relativa

Um ano, cara. Em vez de estudar, ler um livro ou fritar alguns bolinhos de chuva, eu postei. Quase trezentos e sessenta e cinco dias. Textos ruins sem nenhum valor literário, e ainda por cima fiz vocês lerem e comentarem. Sou mesmo uma vagabunda.. Bem, obrigada cientistas pela dádiva que é a internet, porque sem ela nunca haveria umidade-relativa ou puxa-uma-cadeira.
Feliz aniversário, blog.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Need to know

Sentou-se no sofá e soltou o cabelo,sacudiu-o e pentou com os dedos. Tirou uma caneta sei lá da onde e começou a mordiscar a ponta, sinal claro de nervosismo. Se levantou e pegou o telefone, discou o número rapidamente e esperou. Chamou uma, duas, três, quatro e cinco vezes antes dele atender. Alô? Ela prendeu a respiração e ficou lá ouvindo ele repetir a palavra um trilhão de vezes, tentando obter uma resposta. Ele sabia que era ela e ela sabia que ele sabia disso. Depois lentamente afastou o telefone da orelha e o colocou na base, e com um suspiro tirou a carteira de L.A do bolso e fumou o último, mais observando o cigarro queimar (as fábricas colocam substâncias pra fazê-los queimar mais rápido, assim você fuma mais e elas lucram mais, todo mundo sai ganhando) do que tragando-o.
"É preciso saber parar", sussurrou para si mesma e não se referia só ao cigarro.