sábado, 31 de janeiro de 2009

A.


Eu te amo,
com todas as letras. ♥

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Helena se sentou de pernas cruzadas em cima da mesa e abriu a blusa.
- Helena, você disse?
- É.
- De Tróia?
- Se você quiser, claro. Eu não acho ruim, ela era a mulher mais bonita da Grécia.
Sem nexo, fala. Ou sexo. Vou aonde você flor.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tão fácil de se envolver

Voltei-me pra ele e sorri. Era uma reação engraçada sorrir depois do que ele tinha me dito, mas expressava exatamente o que sentia. Não que eu estivesse feliz, claro que não, é sempre triste quando isso acontece, mas pelo menos eu não estava mais agoniada. Foi como se eu chegasse em casa depois de um longo dia com sapatos apertados demais pra mim e finalmente os descalçasse, dava até pra ter suspirado. Depois girei nos calcanhares e fui embora. Talvez tenha sido rude, mas tenho certeza que ele não se incomodou.
No caminho de volta pra casa, apanhei um girassol e cantei Tchubaruba. Essa música sempre me traz paz.



It's funny how she sinks in me. Sometimes slowly and sometimes not, but always in the right time. Mallu.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Smudgy

Apertei o botão do elevador e fiquei olhando a luzinha em cima da porta de metal descer os andares um por um até parar. Daí o elevador chegou e meu telefone tocou, tudo ao mesmo tempo. Atendi, entrei no elevador e você falou pr'eu voltar que a gente ainda tinha muito que conversar. Não me lembro o que eu respondi, mas desliguei o telefone logo depois e peguei meu espelhinho de bolsa pra consertar minha maquiagem e arrumar meu cabelo. As pessoas não podem nunca te ver com rímel borrado de lágrimas, elas não conseguem lidar com isso e se sentem desconfortáveis. Sem contar que não é nada atraente.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

give it a chance

quando a gente conhece pessoas novas, não é você logo de cara. assim, logo de cara, você tenta decodificar pelo menos o básico daquela nova incógnita animada que acabou de conhecer. pra poder rolar aquela socialização básica, aquele get-to-know inicial, sabe como é. e aí, logo de cara, você não é você, não age como você mesmo. eu pelo menos não. acho que deve ser algum tipo de timidez reprimida, não sei.
toda vez que você conhece alguém pela primeira vez (sim, pela primeira vez porque ao longo dos anos, conhecemos a mesma pessoa de novo e de novo de novo e nos conhecemos também, incontáveis vezes. isso tudo porque as pessoas mudam, o tempo todo. tudo muda o tempo todo), sente alguma coisa. é a primeira coisa que aquela pessoa faz você sentir, uma sensação que varia de pessoa pra pessoa (ou não) e que provavelmente vai ser responsável pela relação das tais pessoas no futuro (se é que vai haver algum tipo de interação). isso e os interesses e as ideologias em comum, obviamente. e não adianta dizer que não existe tal sensação, ela está lá quando vocês se conhecem, é só prestar atenção.
pode ser que você conheça alguém e a sensação que esse encontrar te proporcionou foi agradável ao ponto de vocês se sentarem juntos numa mesa de bar, ou seja lá onde se encontraram, pra conversarem e se conhecerem melhor.
pode ser que você conheça alguém e a sensação que você sentiu foi diferente da que ela sentiu e isso comprometa qualquer chance de vocês se tornarem qualquer coisa um do outro. é triste, mas acontece.
pode ser que você conheça alguém e a sensação tenha sido boa, mas a pessoa não é do tipo que se entrega assim tão facilmente (diferentemente de mim, cabe acrescentar) e leve algum tempo para que vocês sentem pra conversar e se conhecer melhor. mas só porque isso não aconteceu logo de cara, não quer dizer que não vá acontecer nunca e, definitivamente, não quer dizer que vocês não vão descobrir ideologias e interesses em comum e não vão construir uma relação sólida e concreta (ou algo volátil e que se move com o vento, vai saber). existem pessoas fechadas e que são mais complexas do que as outras, mas não é impossível se aproximar delas. só é preciso paciência e interesse para entendê-las.
e eu digo isso mais à mim mesma do que à vocês.



sem maiúsculas. cansei delas. por hora. ou não.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Look how they shine for you

Mordeu a maçã,mastigou um pouco e depois fez uma careta.
- O que foi? - Helena perguntou distraída, analisando seu pacote de biscoitos recheados cheios de gorgura trans.
- Um verme. - Gael respondeu, a boca cheia de maçã e verme, tentando reposicionar o dito cujo recém assassinado, de preferência em algum lugar onde não houvesse contato com sua língua.
- Eu disse que essas merdas de comidas orgânicas vão acabar matando você.. - Helena mordiscou a ponta de um biscoito de chocolate e depois ofereceu o pacote ao garoto.
Gael analisou um pouco sua fruta e em seguida engoliu toda a gororoba de maçã mastigada e verme morto dentro de sua boca. Depois encarou Helena por um tempo e sorriu.
- Verme é proteína, né?
Helena revirou os olhos, achando graça e comeu o resto biscoito meio mordiscado.

- Amor, acabou o pão e o café. - O tom usado foi sugestivo, ela queria que ele fosse comprar pão e pó de café, óbvio, mas ele fingiu que não reparou.
- Tudo bem, ninguém vai morrer por causa disso.
Ela riu. Ela sempre ria.
- Você pode ir comprar, baby? - Ela deu-lhe um beijo estalado e sorriu. Claro que ele podia ir comprar pão e café. O que ele não fazia por aquele sorriso?
- Claro. - Beijou o nariz da garota e depois olhou para si mesmo: uma camiseta azul clara encardida, havaianas velhas e uma bermuda preta. Dane-se, vou assim mesmo.
Levantou-se e a cadeira de metal rangiu, apanhou as chaves e duas notas de cinco em cima da mesa e parou na porta do banheiro, pra avisar à ela que estava indo. Ela escovava os dentes sentada na privada, lendo o livro que estava lendo naquela semana.
- Tô indo, gata, você quer alguma coisa? - A garota ponderou um pouco, daí se levantou e cuspiu a espuma da boca e respondeu que sim.
- Quero. Traz a maior quantidade de Bubaloos que o troco de moeda conseguir comprar. - E sorriu. Ela sempre sorria.
A atendente suada suspirou pesadamente quando ele se aproximou. A padaria estava vazia, era feriado e estava fazendo no mínimo 1300 graus lá fora, ninguém vai a padaria nessas condições. Ela passou o saco de papel cheio de pão, o pote de pó de café e a Coca-Cola pelo negócio que lê códigos de barras, digitou alguns números no teclado do computador e perguntou numa voz preguiçosa e rachada se ele queria mais alguma coisa.
- Não.. Ou melhor, quero sim. Me vê um maço de Camel Nº 9, aquele preto com a bordinha vermelha bem ali.
De novo o trocinho que lê códigos de barra, seguido dos números no tecladinho.
- 8 e 36.
Ele pagou, pegou as sacolas de plástico com toda a sua mercadoria, apanhou o troco e foi embora.
Ah, porra. Esqueci os Bubaloos dela. Voltou e comprou os chicletes. Quatro, dois rosas e dois azuis. O que ele não fazia por aquele sorriso?
Quando chegou em casa, largou tudo em cima da mesa e dançou com ela pela sala, fazendo-a rir.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Just For The Record

Os muitos anos de balé lhe haviam corrigido a postura e lhe propocionado a leveza ao andar, fazendo-a parecer flutuar ao invéz de caminhar e o cigarro aceso pendendo na mão lhe dava um certo ar de uma elegância meio descolada, informal. Passou os dedos finos da mão livre pelo cabelo comprido e negro e suspirou. "Foda-se", pensou, "de quem foi mesmo essa idéia idiota de parar de beber?". Se levantou e flutuou em direção ao pequeno bar que seus pais haviam agregado à sala de estar há alguns anos, "Se eles vão beber, é melhor que façam isso em casa" foi a desculpa deles pra realizarem a pequena construção. Certo. Como se isso convencesse alguém. Apanhou uma garrafa de Jack Daniel's na cristaleira do bar e encheu um copo já com gelo até a metade, depois fechou a garrafa e ficou ali girando e girando os cubos de gelo com os dedos e bebericando o whisky.
"Ué.. você não ia parar de beber, Helena?", Diego perguntou ao entrar na sala bege e vermelha, bem decorada e arejada da família. Ele tinha acabado de voltar da sua corrida noturna diária e estava bem suado, a camiseta azul tinha várias manchas grandes de suor e gotinhas escorriam da sua testa e do seu nariz. Bem sexy. Ele tirou os fones do ouvido e esperou por uma resposta. "É, eu ia, mas mudei de idéia". O mau-humor da garota dançava no ar. "O Gael vai ficar bem chateado contigo, você tinha prometido que ia parar..", Diego sentou-se ao bar com a irmã e se serviu de uma dose do Jack Daniel's em cima da bancada. Ah, certo, a idéia idiota de parar de beber foi do namorado idiota dela. Helena tomou um gole grande do whisky e deu uma longa tragada no seu Black, oferencendo-o ao irmão logo depois. "Ele pode lidar com isso".