sábado, 28 de fevereiro de 2009

E se você se for..

É só um monte de bolhas de sabão por aí, que vão estourar eventualmente.
Talvez a gente devesse amar mais, mesmo que isso signifique sofrer mais. Porque tudo bem amar e tudo bem sofrer também. Nesse nossa existência de bolha de sabão, o que realmente falta é mais amor. Creio que se há mais amor, there'll be a chance for peace to come over and make her miracle. Um papo meio hippie, meio hype, clichezão, eu sei, mas o que seria do amor se não fossem os clichês?
'Eu te amo' não é 'bom dia', mas também não é uma frase proibida. Solidão é a pior coisa que existe, ter amor pra dar mas guardar isso pra si, numa gaveta ou sei lá. É quase como ser.. Loveless, só que cheio de amor guardado embaixo da cama e você sofre por causa disso. De que adianta o amor lá embaixo da cama, dentro da gaveta ou no freezer pra não estragar? Não vai fazer ninguém sorrir, nem causar falta de ar ou joelhos bambos e mãos suando frio. Não vai colorir os dias de ninguém nem criar canções e musicar pensamentos, poesiar sonhos. Ninguém comete loucuras por um amor que tá escondido e guardado.
E confiança, cara. Falta também confiança. Por mais que alguns digam que esse é o maior erro do ser humano: "Esperar algo. Esperar que nada vai acontecer, esperar boas intenções, esperar reciprocidade". Mesmo que (talvez) seja um erro, é importante. Confiar, esperar alguma coisa, amar, ter devaneios e comer chocolate. Tudo essencial. E quanto a parte de ser, não errado, mas um erro.. Essa é a essência do ser humano, não é? Errar. Aprender com os erros. Tá na nossa natureza, sei lá. Acho que somos conjuntos de erros ambulantes que amam pouco, confiam pouco, esperam demais, comem muito chocolate e não se dão as mãos. Não apenas no sentido literal da coisa.
Acho a coisa toda uma bola de neve.
Vou me perder nos meus pensamentos, ideologias que não consigo explicar e idéias e teorias que fazem sentido pra mim e não pra vocês, se não parar de escrever agora.
Parei, então.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Fumaçando


Ela suspirou cansada, como quem tenta converncer uma criança teimosa, e se sentou ao meu lado. O cabelo dela brilhava na luz fraca do poste e os olhos opacos saltavam de estrela em estrela.
Ela murmurou alguma coisa, acendeu um cigarro e depois de fumá-lo em silêncios, me deu um beijo gelado e foi embora.

Final alternativo por Anaïs:
Corri atrás dela e a segurei pelo braço, demos uma pirueta e dançamos até o sol se pôr. Ela me cobrou um café que eu estava devendo e embarcamos naquele trem.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

So today is Valentine's


Todas as paredes vibravam com o som alto e os jovens dançavam compulsivamente na cozinha apertada. Apetrechos e ingredientes para fazer suhi espalhavam-se por todo o cômodo e por todos eles, nos garotos e nas garotas, arroz nos cabelos e nas roupas, algas pelo chão, morango nos narizes e nas bocas, cigarros nos dedos e copos cheios de misturas improvisadas para embebedá-los nas mãos. Nada de pais na casa, só os amigos, a bagunça e a música.
Ele chegou devagar, suave, pediu um trago do cigarro dela e depois puxou-a pela mão até a geladeira. Ela não entendeu, mas não queria muito entender também. Entender é se preocupar, quase sempre.
- Meu nome é Diego.
- Oi. Você é o irmão da Helena, né?
Ele sorriu torto, daí abriu a geladeira e encheu a mão de morangos.
- Você quer um?
Ela acenou com a cabeça e pegou um morango da mão de Diego, enfiando-o na boca logo depois. Um fiozinho de suco vermelho escorreu pelo canto de sua boca e ela limpou rindo. Os olhos verdes dele refletiam nos dela, escuros e brilhantes.
- Teu nome é..
- Sofia.
- Isso, isso.. Ai, caralho, desculpa por não lembrar teu nome.
- Tudo bem, eu não lembrava o teu também.
Eles riram. Ela tragou o cigarro e ele enfiou dois morangos na boca. Diego fechou a geladeira com o pé e deu alguns passos na direção de Sofia, ficando bem perto dela. Encostou a bochecha na dela e sussurrou alguma coisa em seu ouvido. Sofia sentiu a nuca arrepiar e a ponta do nariz formigar, então fez que não com a cabeça bem lentamente. Deu pra ver que Diego sorriu. Ele segurou o queixo dela nas mãos e a beijou.
Em off - Você se importa se eu te beijar?



Ontem foi sexta-feira 13 e hoje é Valentine's Day. How ironic.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Fairy tale

Helena entrou no cômodo rindo, olhando pra trás. Alguém tinha dito alguma coisa engraçada na sala enquanto ela ia pra cozinha. Gael parou com a mão na porta da geladeira e olhou pra Helena; o cabelo preso num nó, um suéter cinza com motivo escocês em vermelho, um par de jeans puído e all stars brancos velhos e encardidos. Linda.
Helena parou de rir quando o viu; descalço, uma camiseta preta com uma estampa humorísticamente ácida, o cabelo bagunçado no rosto e os olhos verdes que a hipnotizavam. Lindo. Foi até a geladeira e com um sorriso a abriu, passando na frente de Gael e tocando sua mão de leve.
- Acabou a Heineken? - ela perguntou por cima do ombro, num tom de desapontamento.
- Se não mais tiver aí dentro, então sim. Bebemos todas.
- Hmmm.. Droga. E agora? - Helena se virou -a geladeira ainda aberta atrás de si- , ficando bem perto de Gael. Eles se olharam por alguns minutos, dentro dos olhos.
- Se você sair de frente da geladeira, talvez eu possa dar uma olhada e ver se acho alguma coisa interessante pra gente tomar. - Gael piscou e empurrou de leve Helena pro lado, que riu e depois se sentou na bancada. Ele remexeu um pouco a geladeira até achar uma garrafa de vodka pela metade, depois a largou ao lado de Helena e fechou a geladeira com a perna.
- Gael?
- Que é? - ele cercou-a com os braços, um de cada lado da garota, apoiado onde ela se sentava, os olhos fixos nos olhos dela. Helena acariciou a bochecha dele e se inclinou até seus narizes se tocarem.
- A gente se conheceu hoje e eu tô ficando com a Clara. - o garoto murmurou. Como se ele ligasse.!
- Aham.
E Helena o puxou pra si, segurando com força o cabelo na nuca dele. E Gael a puxou pra si, segurando forte em sua cintura e a beijou.


The problem with fairy tales is that they set a girl up for disappointment. In real life the prince goes off with the wrong princess.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

J.M


Deitado no banco ele só conseguia ver -por trás das lentes escuras do Wayfarer, vale ressaltar- o céu azul sem nuvens, os galhos da árvore sem folhas, a fumaça do seu cigarro subindo e o passarinho de peito amarelo e cauda branca que analisava o ambiente a sua volta, parecendo tão entediado quanto nosso personagem em questão, mas conseguia sentir de leve o as cordas do seu violão na ponta dos dedos. Merecia até umas fotos, tudo aquilo ali. O passarinho amarelo lá cima, contrastando com o céu azul e a árvore cor de árvore-sem-folha; ele deitado naquele banco branco-sujo, o cigarro fumaçando na mão dele, o Wayfarer no rosto, o violão no chão fazendo companhia e aquele ar de rebelde entediado, achando tudo muito chato, que o acompanhava toda manhã.
Ela até bateu essa foto. Ele deitado no banco com todo aquele cenário e os adereços e cena, quero dizer, mas ele nunca chegaria a ver a tal foto. Nos sonhos dela sim, mas aqui em baixo, no mundo real, não.