quinta-feira, 30 de abril de 2009

Bom demais (pro rock 'n roll)

I just need a minute, I just need a breath. Don't you never tell me I'm not loving you best.
You're making not easy to slow me down.
Take me with you I start to miss you.



Parecia que tinha passado um furacão ali. O outro pé do tênis ela achou embaixo da cama e o sutiã pendurado no abajour. Vestiu-se depressa e saiu do apartamento sem trancar a porta. Só parou pra comprar cigarro e uma coca, tava insuportavelmente quente e ela se encontrava em um surto de nicotina. Eles chamam de aquecimento global. O calor insuportável, quero dizer.
Parecia que tinha passado um furacão nela. A cabeça e o coração giravam muito mais do que deviam, deixando a Terra pra trás num rastro de poeira estrelar na Via Láctea.
Mas aí ela se lembrou do aviso prévio. Ele avisou, disse que não ia ser assim.
"Você tá nessa porque quer, garota". Ela suspirou e sorriou.
Falling.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

It's April in my heart

Barulho de talher arranhando no prato, raspando. Ela se contorceu desconfortávelmente na cadeira; odiava esse barulho.
Por baixo da mesa, repuxou diversas vezes a meia-calça que incomodava tentando ajeitá-la. Bateu ritmadamente as unhas na mesa, estalou os dedos, brincou com o gelo do copo.
Haviam muitas pessoas à mesa de jantar, mas nenhuma delas era com quem ela queria realmente estar. E o tempo se arrastava pela toalha de mesa impecável.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eu tava sentada no meio-fio quando você estacionou na minha frente e jogou o farol na minha cara. Quando você saiu do carro, parecia aquelas cenas de filmes de ficção muito ruins, com pessoas vestidas de aliens verdes, mas eu sabia que era você então nem me assustei.
Não sabia o que você tava fazendo ali e me surpreendi quando você sentou do meu lado, sempre achei que alguma coisa em mim te incomodasse profundamente, sempre achei que você não gostava de mim, que você achava que eu não era boa o bastante pra andar com você e seus amigos. Mas você se sentou ali comigo e puxou conversa.
Tudo o que eu conseguia pensar era em como você era lindo.




Tenho que parar de sentir ciúmes de amigos e de pessoas que não são meus amigos.
Tenho que parar de me importar tanto.
E de reparar tanto.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Little joy

Deu uma lambida no sorvete e depois fez uma careta.
- Eca, é de que?
- Abacaxi.
- Credo, sái daqui. Velho, quem toma sorvete de abacaxi?
- Eu, ué.
Deram as mãos e saíram da sorveteria. Estava chovendo, mas eles já estavam molhados mesmo e, além do mais, tomar banho de chuva é romântico.
Dava pra ver pelo jeito que seguravam a mão um do outro, eles não iam se deixar ir embora. Esses dois eram pra sempre.

Transbordando

Afinal de contas, o que é essa merda de amor? As pessoas falam de amor o tempo todo. Elas sabem o que isso significa? O amor? Será que eu sei o que significa?

Talvez alguém que, apesar da minha falta de memória, me faça lembrar de todos os ontens. E não me deixe esquecer de fazer meus deveres de casa e de lavar a louça.

E de repente o amor se misturou à hemoglobina e voltou a pessear pelo meu corpo como um velho conhecido. Meu coração começou a se regenerar e minhas mãos - como todas as outras partes - começaram a transbordar em palavras. Mas você não entendeu. Me perguntou o motivo das reações e por que eu me permiti (?) - logo eu que sei controlar (!) Eu não permiti mas também não me preocupei em conter. Não existe motivo, não existe razão. Me dediquei e cuidei. Com o amor que eu encontrei - não sei onde, como, nem quando - fiz amor brotar em mim. Mas foi assim... sem querer, sem saber...

"Conheci uma menina que fazia todo mundo se prender a ela mas não se prendia a ninguém.
Viveu muito pouco, e matou todos seus prisioneiros ao longo da vida.
Morreu sozinha, presa a si mesma."
Esse definitivamente não é o meu problema. Acho que na realidade, eu me prendo aos outros e me esqueço de mim. De me prender a mim mesma. De pôr os pés nos chão.
Eu não devia mastigá-los assim, não devia guardá-los com todo esse cuidado. A melhor coisa a se fazer com amores (nem tão amores assim) cansados, é deixá-los em paz pra que você finalmente se encontre.

Você sempre foi dessa cor?

Não tô mais fazendo sentido, mas tem um tempo já.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Não sei o que dizer. O que escrever. O que pensar.
Eu diria que as coisas estão muito confusas na minha cabeça, mas não é bem assim. Não tem o que confundir. Não tem o que ter. Não tem nada. O que me incomoda é esse vazio esquisito.
Já não escrevo mais tão bem quanto antes, se é que escrevo alguma coisa. As palavras não me veem mais tão facilmente, e se vem eu as esqueço muito rápido.
Acordo cansada, não quero estudar mas estudo, não quero aulas e preciso de óculos. Minhas vontades mudaram. Tenho muitos vapores de bilhares de sentimentos e pensamentos vazando pelos ouvidos, coisas que mal cabem dentro de mim. Estou a ponto de explodir.