quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Remeber december

Aquiesci e me ajeitei melhor, pra poder escutar. Escutei a cidade borbulhando lá fora, a TV ligada lá embaixo, o computador zunindo ao meu lado, meu cigarro queimando na janela, um bater de asas mais distante.. E escutei além das batidas do meu coração, além da minha respiração e do meu estômago reclamando de fome. Eu ouvi as mudanças que começaram a se definir em mim, e eu sei que só de ter parado pra ouví-las já um bom sinal.
Normalmente eu não ouço nada.



It's like being on painkillers, you see? Just calm, happy, stress free. A subtle kind of fireworks in my brain and body. To be still is so unfamiliarly nice.
This is a new kind of breathing in breathing out. I like it.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ênfase na pontuação

Nossa história acabou
Na minha exclamação final
Mas agora tua afirmação mudou
E fez do fim, reticências inicial

Com ou sem pontuação (início, meio ou fim)
Só preciso que veja e consiga entender
Que toda a exclamação que se definiu em mim
Nunca vai voltar a querer nos escrever


I just can't do this right now. I can't screw this up, you have to understand.
In fact, I can't do this anymore. Never again.
You're not my only exception. You never were.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Blackbird

Eu pensei em escrever - e escrevi. Na cabeça, com palavras bonitas, reticências e pontuações sofisticadas. Sempre fui boa com as palavras, mas elas nunca gostaram muito de mim, então fugiram quando tentei colocá-las num papel ou até na palma da mão.
Essas coisas me cansam muito, sabe. Fugas, eu quero dizer. Pessoas que escapam, palavras que fogem, segundos que vão embora pelos dedos.
Já basta pra mim a minha própria fugacidade. Tudo de fugidio que eu preciso tenho na minha alma de passarinho, além de toda a dificuldade de lidar com o caráter do que é fugaz. Toda a dificuldade de lidar comigo mesma, that is.
Com os desapontamentos, aprendi que a melhor forma de controlar a minha vontade de ir embora, é me segurando. Seguro a boca e o coração, o tempo inteiro. Seguro até os dedos, algumas vezes. Se um dia eu me soltar, não sei. Tenho medo de acabar o ar.. Então espero que quando isso acontecer, tenha alguém por perto pra me segurar. Quer dizer, se eu me soltar a tendência é que eu vá pra longe, certo?
Já sou perdida demais pra ir pra qualquer lugar.

Por isso tô achando que acertei o pulo quando encontrei você.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cutículas cor-de-rosa

Olhou o relógio. Ainda era muito cedo, quase 5 da manhã. Mas sua insistência era determinada e ela ficou. Acendeu um cigarro pra ajudar a passar o tempo, e entre uma tragada e outra, ouviu a janela se abrindo acima de sua cabeça.
A meia-calça ficou presa na calçada e se rasgou quando ela levantou, mas já haviam outros tantos rasgos e furos que mais um não faria tanta diferença. Nem na meia e nem no coração.
Um pedaço de garota apareceu na janela, os olhos e as maõs borrados na mesma proporção, os cabelos ruivos sujos e embaraçados.
- Oi..
Ela só fungou em resposta. Estava chorando.
- Posso subir?
A menina na janela deu de ombros e a alça do seu sutiã escorregou pelo braço.
Como se comportar ia sempre no caminho absolutamente oposto ao querer.
Ficaram se olhando durante muito tempo antes da garota na janela resolver que talvez seria melhor descer..
Já eram quase 7 da manhã.



Fora o tanto que eu me perco,