segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Half of my heart


Hoje o despertador não tocou, mas nem por isso acordei atrasada. Não tinha hora pra levantar, não tenho mais que estar religiosamente às 07:15 no mesmo lugar, cinco dias por semana. Pensei nisso quando abri os olhos e apesar da delícia que é poder acordar depois das 08h, senti um vazio esquisito no peito. Vazio de vocês. Naquele segundo, há uma semana atrás, eu estava sentada no lugar de sempre, com as pessoas de sempre, ouvindo as aulas de sempre. A mesmice incomoda no começo e depois que a gente se acostuma continua fingindo que incomoda, mas a verdade é que a rotina vira religião, e depois a semana só não basta mais, a gente quer os finais de semana e aí todos os 365 também, se for possível. A gente vira necessidade uns dos outros, e escolheríamos continuar nessa mesmice tão 'chata' se pudéssemos. Mas chega um ponto que já não depende mais de nós.
Hoje, meu café da manhã é sozinha e isso me consome por dentro. Isso sim incomoda. A rotina de antes não é nada perto da falta que faz não ter que enfrentar fila às 10h pra poder se alimentar, da falta que faz ver os mesmos rostos todo dia o tempo todo. Da falta de todo esse mundo que girava só pra gente, que era só nosso.
"Hoje sou eu e essa folha em branco que batizamos de futuro. Ainda sentado vejo o tempo correr. Rio por dentro ao lembrar que semanas atrás esse mesmo tempo parecia testar nossa paciência, de tão devagar que passava."
A falta de vocês já existe há muito tempo, acho que desde o início de tudo, desde que percebemos que isso aqui, agora, é inevitável pra todo nós. Mas só no final é que a gente sente mesmo.
As saudades vão ser eternas, né? Essa é daquelas que não passa com o tempo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

20:59

No meio de toda a bagunça da cidade grande, um garoto sentado numa pedra toca teu violão e esquece de toda a loucura que o rodeia. Quem o nota, se desliga também da confusão e se perde em pensamentos.
Ninguém deve ter a responsabilidade de completar outra pessoa, de ser a outra metade de alguém. A gente tem que ser inteiro sozinho. O outro vem não pra inteirar, mas pra melhorar o todo que a gente é. É peso demais pra um pessoa só, ser a metade de alguém..
E só estar junto já deveria bastar. Pra mim é o suficiente. Não importa muito onde, nem o que. A gente junto tá bom pra mim, e queria isso pra sempre.
O garoto do violão termina sua música e se levanta, assovia chamando o cachorro que levou pra passear como pretexto pra poder se desligar de tudo e vai embora deixando o restinho de melodia se apagar com o zunido dos carros.

domingo, 26 de setembro de 2010

Sorvete

O dia já amanhece se arrastando, pesado, quente. A preguiça dá o ar de sua graça assim que se abrem os olhos, é domingo.
Do lado de fora, o ar abafado é característico não só do clima, mas também do dia. "Se fosse sábado, não estaria tão quente assim..".
A lentidão das horas faz questão de lembrar a todo instante que o dia seguinte começa com as cobranças da rotina.
Os amigos se encontram na beira da piscina, cheiro de filtro solar, cerveja, sol e churrasco. E a preguiça domingueira ensolarada. É dia de jogo também. Hoje, cada um veste uma camisa diferente, inimigos mortais por 90 minutos.
Mas o sol se põe no fim da tarde, e já dá pra sentir que tudo vai voltando pro lugar. A preguiça acaba na cama, bem cedo. Sono profundo.
Amanhã é segunda.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010


O segundo que antecede o beijo. A palavra que destrói o amor. O frio na barriga como antes do avião decolar. As unhas roídas arranhando a nuca. Todos os raios de sol se contorcendo pra tentar passar pela fresta na cortina, enquanto o vento entra aos montes por debaixo da porta sem nem se esforçar. Devagarzinho, acompanhando o movimento dos cílios que se espreguiçam e abrem os olhos, a estabilidade do momento vira pó e se mistura ao desritmar da respiração que despertou. Por um segundo, uma pele roça a outra, ali perto da barriga, e faz um arrepio surgir no fundo da garganta e se espalhar pelas paredes do quarto, criando sombras de libéluas no teto e nos cobertores. Sabia que era uma questão de meros instantes até que adormecesse novamente (contra sua vontade), por isso se aninhou nas costas dele e sintonizou as respirações até que tudo começou a se misturar, o cheiro da pele a embriagar e deixar os olhos abertos era um esforço maior do que qualquer um poderia aguentar. Só faz sentido no fundo da cama.

domingo, 8 de agosto de 2010

Não tem hora a não ser agora

Hoje - e logo HOJE - descobri uma escritora nova (não pro mundo todo, obviamente. Nova só pra mim que a achei tão agorinha). Chama-se Fernanda Mello e escreve absolutamente toda a bagunça, tudo de humano e um monte de outras coisas que há em mim, do tipo que a gente nunca sabe nem descrever. Por isso, e porque desde meu último post me falta inspiração pra soletrar qualquer coisa, achei genial postar alguns trechos dela.

"(...)Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam(...)"

"Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é. "

"Vem cá. Me dá aqui a sua mão. Coloca sobre meu peito. Agora escute. Olha o tumtumtum. Você pode me ouvir? É pra você, seu besta! É por você que meu coração bate! (Ele, que de tanto bater, parou sem querer outro dia). Posso confessar? Jura que vai acreditar em mim? A verdade é que estou de saco cheio de histórias românticas. Meus casos de amor já não têm a menor graça. Será que você me entende? Eu não escrevo porque vivo amores cinematográficos e quero contar pro mundo. Não!! Eu escrevo porque eu sou uma maluca. Minha vida é real demais. Um filme B pra ser mais exata. E eu não acho graça em amores sem final feliz. Por isso, invento. Pro sangue correr pelas veias, pra lágrima cair dos olhos, pra adrenalina sacudir o corpo. Eu invento amores pra ver se eu acredito em mim. (Acredita?). Mas hoje eu estou cansada. Estou cansada de mentiras, de realidade, de telefone mudo e de músicas sem letra.(...)
(...)Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. Mas não me faça acreditar que é amor, caso seja apenas derivado. Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também."

"No travesseiro, meus pensamentos são seus."

e etc.

sábado, 3 de julho de 2010

One more to go

"Você se lembra dela, não se lembra?", ela farejou o ar e passou o dedo por cima das cicatrizes que a gilette apressada lhe fizera nas pernas.
Pela forma como ele riu, ela começou a achar que já estavam entrando em sintonia, aprendendo a trocar alfinetadas amigáveis.
"Uhum", ele suspirou. "Principalmente dos olhos, grandes e escuros, revoltos.."
"Você fala como uma personagem de romance barato", ela disse com um de seus pequenos sorrisos. Ele só se espreguiçou em resposta; sabia disso.
"Quer um cigarro?", foi ele quem ofereceu e ela se surpreendeu.
"Achei que você tivesse parado...Aceito." Ela se debruçou sobre a vela na estante e acendeu o cigarro, depois tragou uma vez e perguntou devagar "O que você fez com o brinco que ela perdeu? Sei que estava atrás do sofá e que você o encontrou..."
"Também foi parar no lixo, assim como todo o resto que ela espalhou pela casa e eu fui encontrando aos poucos. Tudo pro lixo."
Ela viu que ele ia chorar se insistisse nisso, então encerrou o assunto por ali.
"Tudo bem." Dava pra ver o mar pela janela, as ondas debatiam-se nas rochas. Dava pra ver os olhos dela, grandes e escuros, revoltos, olhando pra eles no meio da espuma e do sal, refletindo a luz do farol.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Em que paraíso distante..?

Nenhuma taça me mata a sede, mas o teu sabor me embriaga e eu me afogo um milímetro a cada gole do mar espelhado em teus olhos, que me causa aquele efeito de concha no ouvido, barulho de espuma e sal. Se tudo for só de mentira, explode e devolve pro meu olhar o tanto de tudo que eu tô pra te dar, mas se for de verdade que venha então toda a minha natureza pra misturar-se à sua e ocupar esse lugar. Deixa, então, subir-te todo aquele arrepio que nasce no fundo da garganta e vamos logo dançar no escuro do furacão. Teus dedos vão me desenhar uma aurora boreal nas costas, enquanto o ar gelado vai ficando lilás e aí já não é mais tão escuro. O furacão se transforma em nuvens que te arranham de leve, e meu coração revoltado ateia fogo nos meus pulmões, e meus joelhos estalam ao passo dos meus suspiros. Tua respiração quente zumbe na órbita do meu ouvido e tudo quanto é sentido do meu corpo se desfaz devagar, enquanto sua voz me afaga em tom de sustenido.
Não sei mais aonde isso vai parar.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tu es ma came

Pra Natália Matte, por compreender os efeitos terapêuticos de recorrer à pia.

Abri a torneira no máximo e fechei a porta com força. Meu peito ardia com falta de ar, minhas unhas feriam as palmas das minhas mãos por fechá-las com força demais. O desespero era quase palpável. Deixei a água correr até quase transbordar, daí fechei a torneira e encarei aquele pequeno mundo d'água. As lágrimas, agora, corriam tão soltas e loucas pelo meu rosto que talvez toda aquela água não fosse mais necessária.. Mas mesmo assim. Tudo ao meu redor já não existia mais e eu não saberia dizer depois se o mundo rodava mais depressa ou mais devagar naquele momento, as coisas se misturavam no meu campo de visão e por quase um segundo eu achei que fosse explodir. Num sussurro, contei até 3 bem devagar, procurando ar pra preencher os meus pulmões. Depois, num impulso, mergulhei o rosto na pia cheia d'água.

Uma vez submersa, tuas lágrimas param quase instantaneamente e tudo o que te corroía a mente vai sumindo devagar, enquanto tua necessidade física de oxigênio se torna cada vez mais emergencial até atingir o ponto em que nada mais te atormenta, a não ser as tuas células implorando por ar.

A sensação era de que meu rosto escorria junto com a água que pingava nos meus pés. Dei uma olhada no espelho, só pra checar.
Conseguia sentir agora o oxigênio percorrendo meu sistema respiratório, e o alívio me levou ao chão. Fiquei sentada ali, nos azulejos frios do banheiro, um tempo enorme só pensando "Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..".

segunda-feira, 31 de maio de 2010

When we collide

Corre pra varanda e vem cá ver que as minhas borboletas se espalharam todas, num degradê. O céu hoje veio especialmente cor-de-rosa pra poder ser o cenário perfeito, pra quando você sorrir com teus olhos de cinco cores e me encabular até a alma. Pra quando o teu cheiro forte vier me impregnar, me subir pela garganta só pra me fazer engolir em seco o seu gosto de álcool e erva. Pra quando eu escalar pelos teus pés gelados até a lua, e deixar você soprar no meu ouvido os teus beijos e desejos e promessas (da boca pra fora). Vem cá ver e não vai embora dessa vez. Vem e fica. Enlaça teus dedos nos meus e não solta da minha mão.

Hearts were never supposed to race, but ours are in overdrive.
And I really wish I'd stop writing about this, about you, us, how everything is and how I wish it would be. But my fingers won't stop.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Right now I'm spinning around

Unhas cor de sereia percorriam costas nuas de cima a baixo, sem pressa. Os poros de cada centímetro quadrado da pele se arrepiavam e os pêlos se eriçavam com preguiça. A respiração lenta se arrastava pelo corpo.. A velocidade ali obrigava o mundo a girar mais devagar.
Deixei minha mão descançar em você por um momento, sentindo tuas costas levantando e descendo e levantando, enquanto teus pulmões inspiravam e expiravam e inspiravam. Olhando você, me subiu um oceano de milhões de coisas que vinha em espiral, em direção aos meus olhos. Tinha gosto de borboletas. Antes que me transbordasse pelos olhos todo o oceano de todas essas coisas, avancei em você com tantos beijos quanto pude encontrar e teus dedos me percorreram e me enlaçaram e me escorreram, me prendendo, enroscando meu coração e apertando tão forte que eu quase soltei um grito de dor. Dentro de mim, o oceano ainda espiralava. Às vezes me subia com tanta força, e vinha com gosto de borboletas de guache, que me dava raiva de não poder abrir meu peito e colocar você lá dentro. Deixei você me abraçar até o dia acabar, o teu gosto substituiu as borboletas de guache e a gente derreteu nos lençóis.


Não é sobre quem você acha que é. Não é sobre ninguém.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Infinite

“The Beatles, they had it all figured out, okay? ‘I Want to Hold Your Hand.’ The first single. It's effing brilliant, right?... That's what everybody wants. Boys don't want a twenty-four-hour hump sesh, girls don't want to be married to you for a hundred years. They just want to hold your hand.”
That's pretty much it. The rest comes together with it, but that's basically the main point. Some religion - judaism, me thinks - says that the world is broken in pieces and everyone has to find them and put them back together. Like a puzzle. But, you know.. Maybe we don't have to find it. Maybe we are the pieces, and all we really gotta do is get together. Yes, it's that simple.

Na verdade, as coisas são ridiculamente simples. A gente é que complica demais.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Let (my) ♥ in

"Sentia-se ridícula pela primeira vez em sua vida; não poderia continuar assim por muito tempo; dormia aos sobressaltos, o ar acabava-lhe no peito, o coração quase parava, sentia ardor no estômago e zumbidos nas têmporas. Porra, já não sei quem sou, nem onde estou."

"I don't know where it's going.
My heart, I mean."

"Go after her. Fuck, don't sit there and wait for her to call, go after her because that's what you should do if you love someone, don't wait for them to give you a sign cause it might never come, don't let people happen to you, don't let me happen to you, or her, she's not a fucking television show or tornado. There are people I might have loved had they gotten on an airplane or run down the street after me or called me up at four in the morning because they need to tell me right now and because they cannot regret this and I always thought I'd be the only one doing crazy things for people who would never give enough of a fuck to do it back or act like idiots or be entirely vulnerable and honest and making someone fall in love with you so easy and flying 3000 miles on four days notice because you can't just sit there and do nothing and breathe into telephones is not everyone's idea of love but it's the way I can recognize it because that is what I do. Go scream it and be with her in meaningful ways because that is beautiful and that is generous and that is what loving someone is, that is raw and that is unguarded, and that is all that is worth anything, really."

"There are so many fragile things after all. People break so easily."

"I love you. That is my secret. No hearts, no pretty drawings, no poems or cryptic messages. I love you."

"People always leave. Sometimes they come back, other times they don't."

"It's not a conscious thought really. It's just something that's always there."

"I feel like I'm waiting for something that isn't going to happen."

"I gave you my heart, and that's all I can give. But if that's not enough for you, then I'm not enough for you."

“I feel you in my bones.”

“Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando: Meu Deus como você me dói de vez em quando.”

“You know that place between sleep and awake where you’re still dreaming?”

“Tem gente que desanda por falta de opção. E tudo que eu tenho pra ti, eu to ligada que ainda é pouco.”

“Love never hurts. Never. You do.”

“You’re occupying a good-sized apartment in my brain. I can’t get you out, no eviction notice on the door. I hate the distance between our bodies, our mouths, my hands that could be touching your soft skin. I hate that this is what I want to do, right now. It makes my life seem pointless, I’d rather be there, and I’d rather be doing anything with you, watching you as your eyes look at things, the way you smile. I’d be happy and proud just to be that close to you. I’d feel special. I just sit here. I sleep in, I make some tea, I have a stomach ache. I spend my days thinking about you, it’s not healthy but it’s my truth.”

Um punhado de palavras de outros são melhores do que qualquer palavra minha. É mais seguro e menos desgastante.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Show me how to play


Com os joelhos roxos e as costas arranhadas, entrei na água bem devagar, sentindo minhas articulações se umidecerem e meus poros se fecharam. Mergulhei, pra ver se dentro d'água meus ouvidos paravam de ouvir aquela melodia que insiste em ser tão sua, mas não. Fechei os olhos com força numa tentativa de arrancar você das minhas íris e quando eu os abri, todas as moléculas de água refletiam os teus olhos tão intensamente dourados. Era insuportável. Deixei meu corpo flutuar e tentei prender a respiração, mas você roubou meu fôlego há sei lá quanto tempo.
No céu lá em cima, vi passando um avião.
Can we pretend that the airplanes in the night sky are shooting stars?
I could really use a wish right now.

Speechless. Hopeless. Breathless.



Se eu tivesse direito a uma estrela cadente ou a um gênio da lâmpada agora..

segunda-feira, 12 de abril de 2010

The End

Day 28 - A song that makes you feel guilty:
Chora, Me Liga - João Bosco e Vinícius. Guilty por ser sertanejo.
Day 29 - A song from your childhood:
Leãozinho - Caetano Velloso. Papai cantou muito essa música pra mim quando eu era baby (:
Day 30 - Your favorite song at this time last year:
Ou Don't Watch Me Dancing - Little Joy ou Sing Sing - Marianas Trench. Meus posts não me deixam ter certeza.

Sem texto hoje. Não dá.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

There's a (slight) chance I might be going to hell

Era uma garota infernal. Uma daquelas que estava sempre no controle sem o menor esforço, daquelas que deixava um sujeito perdido feito cego em tiroteio, sem saber o que fazer ou o que dizer e que tá sempre te surpreendendo. Tem garotas que a gente não consegue nunca saber qual é o problema delas, e ela era uma dessas, pode apostar. Às vezes ela se calava de repente e fazia aquela cara de quem tá pensando em alguma coisa realmente importante mas que não vai te contar o que é por nada nesse mundo, e isso deixa qualquer um maluco. Não se podia dizer que fosse a mais bonita. Pra mim era um estouro, de qualquer forma. Tinha aquele par de olhos James Dean, sabe? Só encontrei umas duas garotas com olhos assim e se aprendi alguma coisa é que o mais esperto a se fazer é fugir delas, se você não quiser entrar numa enrascada daquelas bem enroladas mesmo. Garotas com olhos assim prendem qualquer um bem na palma da mão, e você fica tentando dar a volta por cima e controlar a situação, mas não dá. They always have you. E ela era cheia dessas pequenas coisas bonitas, como te segurar de leve pelo pulso enquanto conversa com você, sem tirar os dela olhos dos seus. E tinha uns dez milhões de tipos de sorrisos diferentes, no mínimo. É um infernal um troço desses, mesmo. Ela era definitivamente uma daquelas garotas de Holden Caulfield, sabe? Da primeira vez que a vi, eu estava metade apaixonado por ela quando a pequena se sentou no banco ao meu lado. Exatamente como Holden.
"That's the thing about girls. Every time they do something pretty, even if they're not much to look at, or even if they're sort of stupid, you fall half in love with them, and then you never know where the hell you are. Girls. Jesus Christ. They can drive you crazy. They really can."
Um cara que sabe das coisas, esse.


Day 23 - A song that you want to play at your wedding:
Daughters - John Mayer. Quero muito que essa seja a música de quando a noiva dança com o pai.
Day 24 - A song that you want to play at your funeral:
Vou ser cheesy, mas honestly, eu adoraria que Let It Be - The Beatles fosse cantada por alguma daquelas negonas com um vozerão de dar raiva.
Day 25 - A song that makes you laugh:
Girls Generation - Gee. Coreanas são tão engraçadinhas, hihihi (: Vale a pena conferir o clipe, aliás. Só clicar no nome da música ali, dik.
Day 26 - A song that you can play on an instrument:
Pachelbel's Canon (Canon in D Minor) - Johann Pachelbel in the violin. I used to play the violin.. Wish I hadn't quit.
Day 27 - A song that you wish you could play
:
Bella's Lullaby - Edward Cullen. It's a really beautiful song, ok? Me deixa em paz.

quarta-feira, 31 de março de 2010

If you lie

Day 20 - A song that you listen to when you’re angry:
How Far We've Come - Matchbox 20

Day 21 - A song that you listen to when you’re happy:
New Shoes - Paolo Nutini
Day 22 - A song that you listen to when you’re sad
:
What Sarah Said - Death Cab For Cutie

"You know the game." she said in a low breath. I just kept looking at her, at those James Dean glossy eyes of her. It's funny how that girl has boy eyes, and especially these eyes. The James Dean kind. It makes you feel like she was the one on control all the time.. And that's probably true.
"I don’t know what you’re feeling, I won’t even pretend." I told her with the softer blow I found in my lungs, while my words drowned in sincerity.
She whispered a sweet "Join the club." and had me right where she wanted.


Meu inglês vai enferrujar. Preciso fazer something about that..

domingo, 28 de março de 2010

Another traveling song

Helena se levantou muito devagar, pra não espantar a coragem súbita que tinha acabado de florescer nos seus dedos do pé. Calçou os sapatos de salto, pra recobrar a credibilidade, e caminhou em silêncio até lá. Deixou pra trás um rastro do cheiro de canela com tangerina dos cabelos, guardanapo picado em cima da mesa e todos os pensamentos no bolso de um paletó qualquer. Avançou na direção dele com todas as incertezas do mundo, mas quando os dedos de Gael a escorreram, a enlaçaram, a prenderam, nada disso importava mais.


Day 16 - A song that you used to love but now hate:
Sei que eu disse que não podia, Blacknails, mas vou ter que fazer igual tu.. Não tenho nenhuma música assim, mas se puder ser ao contrário then it's Speechless - Lady Gaga.
Day 17 - A song that you hear often on the radio:
Não tem jeito, a única opção é Tik Tok - Ke$ha. Essa música é tão amor da minha vida.. (L)
Day 18 - A song that you wish you heard on the radio:
Rock 'N Roll - Eric Hutchinson. Just because.
Day 19 - A song from your favorite album
:
While My Guitar Gently Weeps - The Beatles from The White Album, of course. Clássico.

quarta-feira, 24 de março de 2010

And if you fall in love with her, tell her

Day 12 - A song from a band you hate:
Putz, eu odeio tanta coisa.. Mas acima de todos os meus ódios musicais, está Kiss Me Thru The Phone - Soulja Boy.
Day 13 -
A song that is a guilty pleasure:
La La Land - Demi Lovato. Apesar de todo mundo já saber que eu ♥ a Demi, ela continua sedo meu guilty pleasure.
Day 14 - A song that no one would expect you to love:
Mr.Brownstone - Guns N' Roses. É, i like it.
Day 15 - A song that describes you:
Miniature Disasters - KT Tunstall. Muitas me descrevem, mas essa é pretty remarkable.

Isadora espetou um tomatinho com o garfo, o arrastou pelo ar até a boca e mastigou devagar. Dava pra ver que ela tava precisando falar alguma coisa, mas não tinha coragem ou não queria dizer. Isadora era uma moça de floreios e rodeios, sonhadora mas que mantinha os pés no chão e que não sabia o que queria mas sabia exatamente aonde procurar. Ou às vezes o contrário.
Ele não quis apressá-la a dizer o que quer que fosse, já tinha aprendido que era melhor não apressá-la nunca e além do mais, tinha medo de ser alguma notícia ruim. Pra sua altura - 1,87 - Miguel era um rapaz de muitos medos. Mas tinha muitas cores também, pra compensar. E apesar da covardia, Miguel tinha presença e fingia bem ser confiante.
"Escuta.. Acho que vou me mudar."
Ele levantou os olhos do prato e olhou bem pra ela, interrogativo. "Ãhn?"
Ela comeu outro tomate, como se a notícia tivesse sido que o café acabou.
"O que? Pra onde?"
"Pro Rio."
"Mas pra que?"
Ela hesitou. Miguel viu que ela não sabia pra que, só sabia que queria ir.
"Sei lá, fazer faculdade de gastronomia."
Ele continuou comendo. Isadora finalmente olhou pra ele. A regata branca de ficar em casa, os cabelos castanhamente aloirados, o ar constante de tranquilidade eterna.
"Seus olhos são exatamente da mesma cor dos azulejos da cozinha." ela disse. Ele não respondeu. Olhou pro lado, suspirou, levantou-se - ainda em silêncio - e caminhou até ela.
"E eu?" Miguel perguntou, num sussurro assustado. Isadora ficou de pé, acomodou os braços em torno do pescoço dele, encaixou a cabeça embaixo do seu queixo, respirou fundo o cheiro sutil do perfume do rapaz e respondeu com a maior naturalidade possível.
"Vem comigo."

sábado, 20 de março de 2010

Sem nexo

Day 07 - A song that reminds you of a certain event:
Turn It On - Franz Ferdinand. Show do Franz, CARAAAAAALHOOOOO!
Day 08 - A song that you know all the words to:
Misery Business - Paramore. Saber essa letra de cor é especial (:
Day 09 - A song that you can dance to:
7 Things - Miley Cirus :x Eu sei, eu sei.. Mas o que eu posso fazer? É fato. Tenho até coreografia.
Day 10 -
A song that makes you fall asleep:
Commes Des Enfants - Coeur de Pirate
. Nhom nhom nhom, só de escrever o nome me dá vontade de ir tirar um cochilo.
Day 11 - A song from your favorite band:
Let The Flames Begin (versão Chicago) - Paramore. Srsly, makes me wannna cry and go gay for Hay (more than any other song).


Foi como ter uma epifania. Tão repentino e monumental quanto, mas dava pra notar a diferença no olhar. Quando se tem uma dessas, os olhos se comportam como cegos por uma fração de segundo, encarando o éter, e depois inundam-se de compreensão e brilham como trezentas minúsculas estrelas num céu de diamantes.
Mas ali, os olhos pularam a parte do éter e foram direto para o céu de diamantes. A claridade quase cegou, mas as íris logo se acostumaram e tudo aquietou-se por muito mais do que um momento.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Physics

Day 05 - A song that reminds you of someone:
Último Romance - Los Hermanos. John grows in my mind toda vez que essa música invade os alto-falantes. Mas mais do que isso, Dia Branco - Elba Ramalho reminds me of the most special and annoying person in my existence. Te amo, sua babaca.
Day 06 - A song that reminds of you of somewhere:
Sugar Sugar - The Archies. Montreaux (Suíça) grows in my mind toda vez que eu ouço essa música, o que não é sempre então raramente eu lembro, hahaha. Quando eu fui pra lá em 2007, for some reason that I can't explain, eu e meus swiss buddies cantávamos isso o tempo todo. E nem é da minha época..
p.s: vale a pena ouvir Sugar Sugar. O link tá aí, só clicar (:

"Every atom in your body came from a star that exploded. And, the atoms in your left hand probably came from a different star than your right hand. It really is the most poetic thing I know about physics: You are all stardust. You couldn't be here if stars handn't exploded, because elements - the carbon, nitrogen, oxygen, iron, all the things that matter for evolution and for life - weren't created at the begging of the time. They were created in the nuclear furnaces of stars, and the only way for them to get into your body is if one of those stars were kind enough to explode. So, forget Jesus. The stars died so that you could be here today."

segunda-feira, 15 de março de 2010

There, I said it

Day 04 - A song that makes you sad:
She Will Be Loved - Maroon 5. Apesar de ser uma música linda, linda.


Alguém tinha que dizer alguma coisa. E como não havia momento mais propício a um despejo meio inesperado de palavras, ela se prontificou.
- Eu queria muito, de verdade, pensar em outra coisa. Não que minha mente não se ocupe de mais nada, mas é que fora tudo mais que eu penso.. Fora tudo mais que eu faço, e fora todo o resto, só sobra mesmo eu. Não tem mais nada. Só eu, e todo o resto que vem junto. E eu não sei se você consegue lidar com isso, comigo, ou até se você quer. Mas isso é tudo mesmo que eu posso oferecer. E eu também não sei quanto tempo vai durar, mas eu adoraria tentar. Because you tumbled my walls down, and they didn't even make a sound. Então, sei lá, eu não sei o que vai acontecer agora e eu não sei o que eu vou fazer quando acabar de falar, eu também nem sei o que eu tô falando, mas eu adoro os teus olhos, e o jeito como o teu coração bate mais rápido que o meu e mesmo assim sou sempre eu que choro e me perco na insegurança. Eu adoro também o jeito como você, além de me surpreender, faz eu mesma me surpreender. Isso é tudo muito.. surpreendente pra mim..
Ele riu e a interrompeu com o 'shh' meio clichê.
E aí os olhos de gato dele, que ela tanto adorava, se encheram de constelações de estrelas douradas que se espalharam pelo sorriso que surgiu no canto dos lábios. Tudo aconteceu tão naturalmente, que nada do que ela havia planejado se concretizou e foi muito melhor.

Eu gosto de você. Então não complica, tá? Porque eu já tô complicando demais. Só chega logo.

domingo, 14 de março de 2010

Plus fort

Os balões subiram todos de uma vez, se espalhando por um céu de chuva cinza demais. Parecia que era tudo o que faltava ali, porque no instante em que as bolas coloridas se estenderam em todas as direções num raio considerável, o sol apareceu.
Com muita calma, ela segurou a minha mão pra poder dizer.
- Não te trago respostas. Eu vim pra confudir.
Achei inteligente citar Caio de Abreu.
- "Não, meu bem, não adianta bancar a distante: lá vem o amor nos dislacerar".
E era como se ao fundo, aquela melodia tocasse suavemente. Aquela, francesa, da moça com coração de pirata.



Day 02 -
Your least favorite:
Stop Crying Your Heart Out - Oasis.
De todas as músicas deles, essa é a minha menos favorita. Não consegui pensar em nenhuma outra.
E como eu não postei ontem, taí o dia 03.
Day 03 - A song that makes you happy:
Makes Me Happy - Matt White Band. Hehe :D

quarta-feira, 10 de março de 2010

Coeur de pirate

O vestido branco rendado era curto e deixava seus joelhos magrelos e ossudos à mostra. Sei lá o que te dizer sobre joelhos assim, mas sei que os dela passavam despercebidos por causa do tom da pele que os recobria (e a recobria por inteiro). Dourada, salpicada de sardinhas e com cheiro de água do mar. Ela toda era feito praia, até os olhos eram de mar (de ressaca, feito Capitu). Não sei também o que te dizer sobre os olhos dela, além de que eram os mais bonitos da minha vida, assim revoltos como os que Machado de Assis descreveu, mas que nos domingos pela manhã assumiam uma calmaria tão contagiante que às vezes parecia que o planeta punha-se a rodar mais devagar e tudo ia sem pressa, bocejando preguiçosamente no caminho. Às vezes também, quando ela deita em mim (em alguns domingos pela manhã), me sobe um daqueles arrepios que nascem no fundo céu da boca e eu sinto areia entre os meus dedos dos pés.

Ela se concentrou, debruçada na borda do barco, em seu reflexo na água (estranhamente azul e verde). Eu disse que tomasse cuidado, mas ela só sacudiu a mão me mandando ficar quieto. Devagar, como se não quisesse espantar as moléculas de água - ou os pequeninos peixes alaranjados - mergulhou a mão para agitá-la e depois riu. Eu perguntei qual era a graça. Ela disse que era bonito ver seus olhos, sua boca, seu nariz e suas orelhas se fragmentando num caleidoscópio de menina, espalhando-se em todos os pontos cardeais até que a atração mútua fosse demais e a água se aquietasse, tornando a unir os cacos de sua fisionomia.
Eu a beijei.
Fica registrado (e decidido) aqui então, que a partir do dia que for, comerei nuvens de verão todos os dias, pra nunca me esquecer do gosto que você tem.



Roubei a corrente da Anaïs. Amay. É uma corrente bacaninha toda com perguntas relacionadas a música. Tipo, qual a sua favorita aeae (:
DAY 01 - Your favorite song:
De acordo com o meu iTunes (As 25 mais reproduzidas) é Here We Go Again - Demi Lovato. Mas é mentira. Só pra não imitar mais ainda minha matie, vou deixar essa (porque na verdade é Build Me Up Buttercup - Julia Nunes, mas eu ainda não ouvi mais que a outra porque baixei ontem).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

It goes there

He woke up numbed, having dreamed of a colour he had never seen before. His toes were tingling in a way that made him crinkle his nose and his eyelids choose to remain closed so that the colour and the feeling it provided wouldn't fade away.
As he stayed with his eyes shut, the colour began to swirl and spin and transform into a collection of familiar sensations in his senses, sparkles in his tongue, bubbles in his mind and a palette of warm colours that brought up in his memory a face that he hadn't seen in a while.
She heated his heart, chilled his fingers, made his cheeks turn red.
You know, boys do get the same reactions as girls when their stomachs meet the butterflies.

Just let me know that you still care.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"My ambition is handicapped by my laziness"

Obrigada, Bukowski, por me definir como pessoa. Porque eu sou assim, uma garota cheia de listas de coisas pra fazer, muito produtiva, eficiente e coisa e tal. Meu limite é o inferno, céu é fichinha. Nos planos, né.
Aprender eletrostática e fisicoquímica em 3h, why not? Decidir aonde eu vou sábado e doar 50 reais pras crianças do Haiti? Assistir as 7 temporadas de One Tree Hill, fazer a redação da monitoria, lavar a louça, ligar pra Anaïs, aula de francês, natação, manter um pseudo relacionamento a distância e ler Triste Fim de Policarpo Quaresma pra prova de depois de amanhã é pros fracos. Eu quero tudo isso em uma tarde só, meu amor.
Claro que a preguiça deliciosamente combinada com a procrastinação não me deixam cumprir nada disso. Às 19h, jogada no sofá, você produziu o mesmo que uma pessoa normal, mas ao contrário dela, em vez de ficar satisfeita e curtir a sensação de dever cumprido, você se sente fracassada por ter riscado apenas dois itens e meio da sua lista (o meio é daquele dever de casa que tá feito só até a metade).
Muito bom, muito bom.


O que eu deveria ter feito no feriado:
- Regime
- Dever de casa
- Correr todo dia de manhã
- Sombrancelha
- Me organizar emocionalmente

O que eu fiz no feriado:
- Comi
- Enchi a cara
- Dormi todo dia até às 11h
- Machuquei o joelho misteriosamente
- Só baguncei mais o emocional

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

I'm not pretending and you know it

Férias são ótimas pra descansar as pernas, mas se você não souber como se organizar, a falta de pro-atividade pode dar um nó na sua cabeça e isso não é bom. Não pra mim, que já sou constantemente a mess (e se eu tivesse um namorado gato e poético como o Jason Mraz ele diria 'a beautiful mess', pra não não me deixar tristinha).
Sabe como é, ficar lá no sofá, de bunda pra cima, se entupindo de todo o tipo de alimento que eu passei o ano inteiro evitando, sem interagir com ninguém além da minha TV e da minha mãe, é letal. Eu começo a pensar demais e isso sempre acaba numa catástrofe mundial que vai me fazer chorar no banho e quebrar alguns copos.
Então pra poupar a louça (que vive sendo destruída, coitada. Eu e minha mãe somos uma ameaça de morte à cozinha) e pra não passar as férias deprimida, eu resolvi arranjar um monte de coisas pra fazer essa semana e ocupar a minha mente. Prometi a mim mesma que ia correr todo dia de manhã no Parque da Cidade, que iria ler todos os oitocentos livros que eu tô pra ler desde 2008, que iria aprender uma receita diferente todo dia, que eu ia fazer a unha, pintar a parede do meu quarto, plantar uma árvore, ajudar uma velhinha a atravessar a rua e consertar minhas roupas que estão rasgadas/furadas.
Claro que nada disso se cumpriu, a não ser fazer a unha porque é um pequeno prazer que eu faço questão, então estou chateada e confusa. São essas coisas imbecis que nunca foram de aparecer em mim, mas que agora não saem do meu pé. E é tudo culpa sua, e você sabe muito bem disso.
Mas eu viajo amanhã e aí as coisas vão se acalmar, como sempre. Quem sabe eu até não volto com um bronzeado arrazador de brinde?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Say I'm a bird

Não foi preciso dizer nada, os olhares encerravam-se uns nos outros com uma sutileza inalcançável pras palavras. Um vento diferente soprou na direção contrária e todas as cores ricochetearam e se misturaram, criando tonalidades encantadoras mas que me enlouqueciam.
Eu nunca fui assim, de enlouquecer. Não me entenda mal, não reclamo de perder a cabeça. É bom pra alma e deixa o cérebro gritar melhor, mas a subjetividade desaparece e tudo pra mim sempre foi muito subjetivo. Até o gostar.
Eu resolvi abrir mão de tudo que eu sabia e queria quando suas cores invadiram as minhas, e agora que era a hora de me jogar no precípio, eu não posso me permitir.. E não devia ser um problema, não pra mim que sempre soube controlar.
Mas é feito andar de bicicleta, sabe? A gente nunca esquece como é que se controla (vontade, sentimento, ação, a língua..) e hoje a água me contou que é melhor eu esquecer.
Esquecer e controlar, quem sabe até colocar no freezer pra não estragar.
Validade: 55 dias.


Descobri que admitir faz bem pra pele, mas eu não nasci pra isso mesmo. Não tem jeito.
E tô precisando viajar.. Brasília tem suas estradas, mas eu navego em outras águas.

domingo, 3 de janeiro de 2010