quarta-feira, 23 de junho de 2010

Em que paraíso distante..?

Nenhuma taça me mata a sede, mas o teu sabor me embriaga e eu me afogo um milímetro a cada gole do mar espelhado em teus olhos, que me causa aquele efeito de concha no ouvido, barulho de espuma e sal. Se tudo for só de mentira, explode e devolve pro meu olhar o tanto de tudo que eu tô pra te dar, mas se for de verdade que venha então toda a minha natureza pra misturar-se à sua e ocupar esse lugar. Deixa, então, subir-te todo aquele arrepio que nasce no fundo da garganta e vamos logo dançar no escuro do furacão. Teus dedos vão me desenhar uma aurora boreal nas costas, enquanto o ar gelado vai ficando lilás e aí já não é mais tão escuro. O furacão se transforma em nuvens que te arranham de leve, e meu coração revoltado ateia fogo nos meus pulmões, e meus joelhos estalam ao passo dos meus suspiros. Tua respiração quente zumbe na órbita do meu ouvido e tudo quanto é sentido do meu corpo se desfaz devagar, enquanto sua voz me afaga em tom de sustenido.
Não sei mais aonde isso vai parar.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tu es ma came

Pra Natália Matte, por compreender os efeitos terapêuticos de recorrer à pia.

Abri a torneira no máximo e fechei a porta com força. Meu peito ardia com falta de ar, minhas unhas feriam as palmas das minhas mãos por fechá-las com força demais. O desespero era quase palpável. Deixei a água correr até quase transbordar, daí fechei a torneira e encarei aquele pequeno mundo d'água. As lágrimas, agora, corriam tão soltas e loucas pelo meu rosto que talvez toda aquela água não fosse mais necessária.. Mas mesmo assim. Tudo ao meu redor já não existia mais e eu não saberia dizer depois se o mundo rodava mais depressa ou mais devagar naquele momento, as coisas se misturavam no meu campo de visão e por quase um segundo eu achei que fosse explodir. Num sussurro, contei até 3 bem devagar, procurando ar pra preencher os meus pulmões. Depois, num impulso, mergulhei o rosto na pia cheia d'água.

Uma vez submersa, tuas lágrimas param quase instantaneamente e tudo o que te corroía a mente vai sumindo devagar, enquanto tua necessidade física de oxigênio se torna cada vez mais emergencial até atingir o ponto em que nada mais te atormenta, a não ser as tuas células implorando por ar.

A sensação era de que meu rosto escorria junto com a água que pingava nos meus pés. Dei uma olhada no espelho, só pra checar.
Conseguia sentir agora o oxigênio percorrendo meu sistema respiratório, e o alívio me levou ao chão. Fiquei sentada ali, nos azulejos frios do banheiro, um tempo enorme só pensando "Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando..".