segunda-feira, 16 de agosto de 2010


O segundo que antecede o beijo. A palavra que destrói o amor. O frio na barriga como antes do avião decolar. As unhas roídas arranhando a nuca. Todos os raios de sol se contorcendo pra tentar passar pela fresta na cortina, enquanto o vento entra aos montes por debaixo da porta sem nem se esforçar. Devagarzinho, acompanhando o movimento dos cílios que se espreguiçam e abrem os olhos, a estabilidade do momento vira pó e se mistura ao desritmar da respiração que despertou. Por um segundo, uma pele roça a outra, ali perto da barriga, e faz um arrepio surgir no fundo da garganta e se espalhar pelas paredes do quarto, criando sombras de libéluas no teto e nos cobertores. Sabia que era uma questão de meros instantes até que adormecesse novamente (contra sua vontade), por isso se aninhou nas costas dele e sintonizou as respirações até que tudo começou a se misturar, o cheiro da pele a embriagar e deixar os olhos abertos era um esforço maior do que qualquer um poderia aguentar. Só faz sentido no fundo da cama.

domingo, 8 de agosto de 2010

Não tem hora a não ser agora

Hoje - e logo HOJE - descobri uma escritora nova (não pro mundo todo, obviamente. Nova só pra mim que a achei tão agorinha). Chama-se Fernanda Mello e escreve absolutamente toda a bagunça, tudo de humano e um monte de outras coisas que há em mim, do tipo que a gente nunca sabe nem descrever. Por isso, e porque desde meu último post me falta inspiração pra soletrar qualquer coisa, achei genial postar alguns trechos dela.

"(...)Eu não sei se você entende o raciocínio de quem não tem raciocinado ultimamente ou se entende o porquê de certas coisas que não se explicam(...)"

"Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é. "

"Vem cá. Me dá aqui a sua mão. Coloca sobre meu peito. Agora escute. Olha o tumtumtum. Você pode me ouvir? É pra você, seu besta! É por você que meu coração bate! (Ele, que de tanto bater, parou sem querer outro dia). Posso confessar? Jura que vai acreditar em mim? A verdade é que estou de saco cheio de histórias românticas. Meus casos de amor já não têm a menor graça. Será que você me entende? Eu não escrevo porque vivo amores cinematográficos e quero contar pro mundo. Não!! Eu escrevo porque eu sou uma maluca. Minha vida é real demais. Um filme B pra ser mais exata. E eu não acho graça em amores sem final feliz. Por isso, invento. Pro sangue correr pelas veias, pra lágrima cair dos olhos, pra adrenalina sacudir o corpo. Eu invento amores pra ver se eu acredito em mim. (Acredita?). Mas hoje eu estou cansada. Estou cansada de mentiras, de realidade, de telefone mudo e de músicas sem letra.(...)
(...)Me deixa ser egoísta. Me deixa fazer você entender que eu gosto de mim e quero ser preservada. Me deixa de fora de suas mentiras e dessa conversa fiada. Eu sou uma espécie quase em extinção: eu acredito nas pessoas. E eu quase acredito em você. Não precisa gostar de mim se não quiser. Mas não me faça acreditar que é amor, caso seja apenas derivado. Não me diga nada. (Ou me diga tudo). Não me olhe assim, você diz tanta coisa com um olhar. E olhar mente, eu sei! E eu sei por que aprendi. Também sei mentir das formas mais perversas e doces possíveis. (Sabia?) Mas meu coração está rouco agora. GRAVE! Você percebe? Escuta só como ele bate. O tumtumtum não é mais o mesmo. Não quero dizer que o tempo passou, que você passou, que a ilusão acabou, apesar de tudo ser um pouco verdade. O problema não é esse. Eu não me contento com pouco. (Não mais). Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou a fim de dar sem receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também."

"No travesseiro, meus pensamentos são seus."

e etc.