segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Half of my heart


Hoje o despertador não tocou, mas nem por isso acordei atrasada. Não tinha hora pra levantar, não tenho mais que estar religiosamente às 07:15 no mesmo lugar, cinco dias por semana. Pensei nisso quando abri os olhos e apesar da delícia que é poder acordar depois das 08h, senti um vazio esquisito no peito. Vazio de vocês. Naquele segundo, há uma semana atrás, eu estava sentada no lugar de sempre, com as pessoas de sempre, ouvindo as aulas de sempre. A mesmice incomoda no começo e depois que a gente se acostuma continua fingindo que incomoda, mas a verdade é que a rotina vira religião, e depois a semana só não basta mais, a gente quer os finais de semana e aí todos os 365 também, se for possível. A gente vira necessidade uns dos outros, e escolheríamos continuar nessa mesmice tão 'chata' se pudéssemos. Mas chega um ponto que já não depende mais de nós.
Hoje, meu café da manhã é sozinha e isso me consome por dentro. Isso sim incomoda. A rotina de antes não é nada perto da falta que faz não ter que enfrentar fila às 10h pra poder se alimentar, da falta que faz ver os mesmos rostos todo dia o tempo todo. Da falta de todo esse mundo que girava só pra gente, que era só nosso.
"Hoje sou eu e essa folha em branco que batizamos de futuro. Ainda sentado vejo o tempo correr. Rio por dentro ao lembrar que semanas atrás esse mesmo tempo parecia testar nossa paciência, de tão devagar que passava."
A falta de vocês já existe há muito tempo, acho que desde o início de tudo, desde que percebemos que isso aqui, agora, é inevitável pra todo nós. Mas só no final é que a gente sente mesmo.
As saudades vão ser eternas, né? Essa é daquelas que não passa com o tempo.